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Questão de Português — Geral — VUNESP 2026

PortuguêsGeral
Código
vu166936
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Sorocaba
Ano
2026
Cargo
Med ( )

Nelson Rodrigues foi desde criancinha homem de jornal

 

  Nelson Rodrigues foi desde criancinha homem de jornal. A partir de certa altura, quando começou a publicar suas memórias e confissões, Nelson repetiu sem parar certos lances de sua biografia. Era, de fato, a "flor de obsessão", como ele próprio se definia. O jornal, pode-se dizer, estava no seu berço. Quando o conheci, era já autor de A mulher sem pecado e acabava de estourar com O vestido de noiva, em 1943. Virou uma celebridade nacional. Uma única peça de estrondoso sucesso, ainda que controvertida, apagou o nosso complexo de inferioridade dramatúrgica. Dizia-se que a literatura brasileira, em todos os gêneros, florescia exuberante de talento e criatividade. Só o teatro tinha ficado para trás.

 

  Não demorou muito e começou a polêmica em torno de seu êxito e de sua obra. Não tenho dúvida de que o próprio Nelson provocou e alimentou essa polêmica. Para isto, serviu-se do jornal. Não apenas dos jornais em que trabalhava, mas de toda a imprensa, na medida em que seu nome passou a ter um eco muito grande.

 

  Só no Brasil, nas circunstâncias do momento em que viveu Nelson, em que viveu sua geração, pode-se admitir que um autor dramático da sua importância tenha permanecido na mais sufocante tarimba do jornal. Por gosto, por escolha, por fatalidade, por hábito, por um indisfarçável apego à rotina, Nelson nunca se afastou do dia a dia da redação. Só nos últimos anos, com a saúde abalada e com os jornais em franca transformação, modificou o seu estilo de vida. Ainda assim, não largou o jornalismo. Juntou-o à sua intensa atividade na televisão. Assinava três colunas diárias e nunca se recusava a escrever qualquer texto que lhe fosse pedido, sobretudo se dissesse respeito às suas peças e às suas convicções.

 

  Fora as peças, que podia escrever em casa, toda a obra de Nelson Rodrigues foi escrita na redação. Escrita e, em boa parte, elaborada. Ou pensada. Podia dizer vivida. Ao contrário do que se pensou a certa altura e até se espalhou, ele nunca bebeu. Não conseguiu largar o cigarro, que naquela época ainda não sofria a campanha que veio a sofrer.

 

  Chegava cedíssimo à redação, como era costume. Ao jornal O Globo eu chegava às seis horas da manhã. Devia ser essa também a hora de Nelson, se não fosse antes. Nelson era um monstro de trabalho. Jamais dava parte de cansado, por mais que se mostrasse abatido.

 

  Sofrendo de uma úlcera, não comia nada que lhe fizesse mal ou que não conhecesse desde a infância. Mas era doido por sanduíches de mortadela e, às vezes, pedia a um amigo que comesse um para ele... ver. Era assim um autêntico voyeur de sanduíche de mortadela. Foi sempre, arraigadamente, um homem de jornal. Seu sangue cheirava a tinta e sua pele era de papel linha-d'água.

 

RESENDE, Otto Lara. Seu palco sempre foi a redação de um jornal. Crônica Brasileira, 22 mar. 1992. Adaptado. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br. Acesso em: 22 jul. 2026.

De acordo com informações presentes no texto, é correto afirmar que
  1. ANelson Rodrigues, mesmo gozando de fama, tinha diversos motivos para continuar trabalhando nas redações de jornais.
  2. Bo grande feito de Nelson Rodrigues foi ter reiterado, à época, a ideia de que a produção literária brasileira nada devia à estrangeira.
  3. Ca notoriedade de Nelson Rodrigues foi alcançada pela sua produção jornalística, tornando-se referência nesse meio.
  4. Das críticas que Nelson Rodrigues recebia por seu trabalho como dramaturgo eram rebatidas pelos jornais, à revelia do próprio Nelson.
  5. EOtto Lara Resende revela profunda admiração por Nelson Rodrigues devido à capacidade deste autor de reerguer a imprensa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Nelson Rodrigues, mesmo gozando de fama, tinha diversos motivos para continuar trabalhando nas redações de jornais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão de texto: Nelson Rodrigues e a redação de jornal

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única inteiramente sustentada pelo texto: Nelson Rodrigues, mesmo já famoso, "nunca se afastou do dia a dia da redação" e o autor enumera os motivos: "Por gosto, por escolha, por fatalidade, por hábito, por um indisfarçável apego à rotina". As demais alternativas ou extrapolam o texto (B, C, E) ou invertem o sujeito da ação (D).

O comando pede "de acordo com informações presentes no texto" — ou seja, é uma questão de compreensão/recorrência: a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está escrito, sem deduções ou acréscimos. Não se trata de inferir, mas de localizar a passagem que confirma a alternativa.

O texto é uma crônica de Otto Lara Resende sobre Nelson Rodrigues, cuja tese central é justamente que Nelson foi "desde criancinha homem de jornal" e que a redação foi o seu palco permanente. O autor reforça isso com vários argumentos: a polêmica alimentada pelo próprio Nelson, a permanência na redação por escolha, a obra escrita na redação, a rotina de chegar cedíssimo. A alternativa A condensa exatamente esse núcleo: fama + motivos para continuar no jornal.

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando "o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?". A correta é a que se apoia em trecho literal; as erradas, em geral, cometem extrapolação (trazem informação verdadeira do mundo real, mas ausente do texto) ou inversão de sujeito (atribuem a alguém uma ação que o texto atribui a outro).

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A afirma que Nelson Rodrigues, mesmo gozando de fama, tinha diversos motivos para continuar trabalhando nas redações. O texto confirma os dois elementos:

"Virou uma celebridade nacional."

"Por gosto, por escolha, por fatalidade, por hábito, por um indisfarçável apego à rotina, Nelson nunca se afastou do dia a dia da redação."

A passagem mostra que a fama (celebridade) não o afastou do jornal, e a enumeração de motivos (gosto, escolha, fatalidade, hábito, apego à rotina) sustenta o plural "diversos motivos". É uma paráfrase fiel — nada foi acrescentado nem suprimido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma que o grande feito de Nelson foi reiterar a ideia de que a literatura brasileira nada devia à estrangeira. O texto menciona que "Dizia-se que a literatura brasileira, em todos os gêneros, florescia exuberante de talento e criatividade", mas não atribui a Nelson essa reiteração, nem fala em comparação com a literatura estrangeira. A alternativa extrapola: acrescenta uma informação que não está no texto e ainda inverte o sujeito (o texto diz "dizia-se", não "Nelson dizia").

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que a notoriedade de Nelson foi alcançada pela produção jornalística. O texto, porém, diz que ele "acabava de estourar com O vestido de noiva, em 1943" e que "Virou uma celebridade nacional" — ou seja, a fama veio do teatro, não do jornalismo. O jornal foi o meio que ele usou para alimentar a polêmica, mas não foi a causa da notoriedade. A alternativa extrapola e contradiz o texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que as críticas eram rebatidas pelos jornais, à revelia do próprio Nelson. O texto diz exatamente o contrário:

"Não tenho dúvida de que o próprio Nelson provocou e alimentou essa polêmica. Para isto, serviu-se do jornal."

Ou seja, foi o próprio Nelson quem provocou e alimentou a polêmica, usando o jornal como instrumento. A alternativa inverte o sujeito da ação: atribui aos jornais o que o texto atribui a Nelson.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que Otto Lara Resende revela admiração por Nelson devido à capacidade de reerguer a imprensa. O texto não menciona que a imprensa precisava ser reerguida, nem que Nelson tenha feito isso. O autor descreve Nelson como "um monstro de trabalho" e "arraigadamente, um homem de jornal", mas isso é uma caracterização, não uma afirmação de que ele reergueu a imprensa. A alternativa extrapola: acrescenta uma relação de causa e efeito que não está no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação com fatos verdadeiros do mundo real (B, C, E) e a inversão do sujeito da ação (D). A correta (A) é a única que se apoia em trecho literal.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "de acordo com o texto", grife o comando e desconfie de alternativas que tragam informações plausíveis, mas que não estejam escritas. A resposta certa é sempre uma paráfrase — reescritura fiel, sem acréscimos.

Gabarito: letra A.

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