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Questão de Português — Geral — VUNESP 2026

PortuguêsGeral
Código
vu166941
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Sorocaba
Ano
2026
Cargo
Med ( )

Nelson Rodrigues foi desde criancinha homem de jornal

 

  Nelson Rodrigues foi desde criancinha homem de jornal. A partir de certa altura, quando começou a publicar suas memórias e confissões, Nelson repetiu sem parar certos lances de sua biografia. Era, de fato, a "flor de obsessão", como ele próprio se definia. O jornal, pode-se dizer, estava no seu berço. Quando o conheci, era já autor de A mulher sem pecado e acabava de estourar com O vestido de noiva, em 1943. Virou uma celebridade nacional. Uma única peça de estrondoso sucesso, ainda que controvertida, apagou o nosso complexo de inferioridade dramatúrgica. Dizia-se que a literatura brasileira, em todos os gêneros, florescia exuberante de talento e criatividade. Só o teatro tinha ficado para trás.

 

  Não demorou muito e começou a polêmica em torno de seu êxito e de sua obra. Não tenho dúvida de que o próprio Nelson provocou e alimentou essa polêmica. Para isto, serviu-se do jornal. Não apenas dos jornais em que trabalhava, mas de toda a imprensa, na medida em que seu nome passou a ter um eco muito grande.

 

  Só no Brasil, nas circunstâncias do momento em que viveu Nelson, em que viveu sua geração, pode-se admitir que um autor dramático da sua importância tenha permanecido na mais sufocante tarimba do jornal. Por gosto, por escolha, por fatalidade, por hábito, por um indisfarçável apego à rotina, Nelson nunca se afastou do dia a dia da redação. Só nos últimos anos, com a saúde abalada e com os jornais em franca transformação, modificou o seu estilo de vida. Ainda assim, não largou o jornalismo. Juntou-o à sua intensa atividade na televisão. Assinava três colunas diárias e nunca se recusava a escrever qualquer texto que lhe fosse pedido, sobretudo se dissesse respeito às suas peças e às suas convicções.

 

  Fora as peças, que podia escrever em casa, toda a obra de Nelson Rodrigues foi escrita na redação. Escrita e, em boa parte, elaborada. Ou pensada. Podia dizer vivida. Ao contrário do que se pensou a certa altura e até se espalhou, ele nunca bebeu. Não conseguiu largar o cigarro, que naquela época ainda não sofria a campanha que veio a sofrer.

 

  Chegava cedíssimo à redação, como era costume. Ao jornal O Globo eu chegava às seis horas da manhã. Devia ser essa também a hora de Nelson, se não fosse antes. Nelson era um monstro de trabalho. Jamais dava parte de cansado, por mais que se mostrasse abatido.

 

  Sofrendo de uma úlcera, não comia nada que lhe fizesse mal ou que não conhecesse desde a infância. Mas era doido por sanduíches de mortadela e, às vezes, pedia a um amigo que comesse um para ele... ver. Era assim um autêntico voyeur de sanduíche de mortadela. Foi sempre, arraigadamente, um homem de jornal. Seu sangue cheirava a tinta e sua pele era de papel linha-d'água.

 

RESENDE, Otto Lara. Seu palco sempre foi a redação de um jornal. Crônica Brasileira, 22 mar. 1992. Adaptado. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br. Acesso em: 22 jul. 2026.

No trecho “Jamais dava parte de cansado, por mais que se mostrasse abatido.” (5º parágrafo), a expressão destacada estabelece relação de sentido de

  1. Acomparação.
  2. Bconcessão.
  3. Cconclusão.
  4. Dexplicação.
  5. Eproporção.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — concessão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação de sentido de "por mais que": concessão

Gabarito: letra B. A expressão "por mais que" estabelece relação de concessão, pois introduz uma ideia que contraria a expectativa criada pela oração principal, sem, contudo, impedi-la. No trecho, "Jamais dava parte de cansado, por mais que se mostrasse abatido", a concessão está em que, apesar de se mostrar abatido (fato que poderia levar a reclamar de cansaço), ele nunca dava parte de cansado. A banca cobra o reconhecimento do valor semântico de uma locução conjuntiva típica.

O comando

A questão pede que você identifique a relação de sentido estabelecida pela expressão destacada. Isso é uma questão de semântica dos conectivos: você deve reconhecer que tipo de relação lógica a locução "por mais que" instaura entre as orações. Não se trata de interpretar o texto, mas de conhecer a função dos conectivos.

O texto

No 5º parágrafo, o autor descreve Nelson Rodrigues como "um monstro de trabalho", que "Jamais dava parte de cansado". A oração "por mais que se mostrasse abatido" traz uma circunstância que seria um obstáculo para a atitude descrita na principal: se ele estava abatido, esperaríamos que reclamasse de cansaço. Mas a concessão quebra essa expectativa: mesmo abatido, não reclamava. O conectivo "por mais que" é o responsável por essa relação.

A técnica

Para resolver, você precisa dominar as orações subordinadas adverbiais e seus conectivos típicos:

  • Concessiva: admite uma objeção, mas não impede a ação principal. Conectivos: embora, ainda que, mesmo que, por mais que, conquanto, se bem que.

  • Comparativa: estabelece comparação entre elementos. Conectivos: como, tal qual, assim como, mais... do que.

  • Conclusiva: expressa conclusão lógica. Conectivos: logo, portanto, por isso, assim.

  • Explicativa: justifica, dá razão. Conectivos: porque, pois, já que.

  • Proporcional: indica relação de proporção. Conectivos: à medida que, à proporção que, quanto mais... mais.

A pegadinha da banca está em oferecer "comparação" e "proporção", que podem confundir porque "por mais que" contém a palavra "mais", sugerindo ideia de intensidade ou gradação. Mas o valor é claramente concessivo: a ideia de "apesar de" é a que melhor traduz o sentido.

1Concessiva
Conectivos: embora, ainda que, mesmo que, por mais que
Ideia: apesar de (objeção que não impede)
2Comparativa
Conectivos: como, tal qual, assim como
Ideia: comparação entre elementos
3Conclusiva
Conectivos: logo, portanto, por isso
Ideia: conclusão lógica
4Explicativa
Conectivos: porque, pois, já que
Ideia: justificativa, razão
5Proporcional
Conectivos: à medida que, quanto mais... mais
Ideia: relação de proporção
Orações subordinativas adverbiais
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Orações subordinativas adverbiais: Concessiva (Conectivos: embora, ainda que, mesmo que, por mais que, Ideia: apesar de (objeção que não impede)); Comparativa (Conectivos: como, tal qual, assim como, Ideia: comparação entre elementos); Conclusiva (Conectivos: logo, portanto, por isso, Ideia: conclusão lógica); Explicativa (Conectivos: porque, pois, já que, Ideia: justificativa, razão); Proporcional (Conectivos: à medida que, quanto mais... mais, Ideia: relação de proporção)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Comparação não é o valor de "por mais que". A comparação exige um termo de comparação explícito (como, tal qual, assim como). No trecho, não há comparação entre dois elementos; há uma oposição entre o estado de abatimento e a atitude de não reclamar. O conectivo "por mais que" não compara, ele concede.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A locução "por mais que" é uma conjunção subordinativa adverbial concessiva. Ela introduz uma oração que expressa um fato contrário à ideia principal, mas que não impede sua realização. No trecho, "por mais que se mostrasse abatido" indica que, apesar de estar abatido, ele não dava parte de cansado. A concessão é a relação correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Conclusão é expressa por conectivos como "logo", "portanto", "por isso". A oração "por mais que se mostrasse abatido" não conclui nada; ela restringe a ação principal. A relação é de oposição, não de conclusão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Explicação é expressa por "porque", "pois", "já que". A oração "por mais que se mostrasse abatido" não explica o motivo de ele não reclamar; ela apresenta uma circunstância adversa. A explicação daria uma causa, mas aqui há uma concessão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Proporção é expressa por "à medida que", "à proporção que", "quanto mais... mais". A oração "por mais que se mostrasse abatido" não indica uma relação de proporcionalidade, mas de oposição. A proporção envolveria uma correlação de intensidade, o que não ocorre.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "por mais que" (concessão) e "por mais... mais" (proporção). A presença da palavra "mais" pode induzir ao erro, mas o valor é de concessão: "apesar de".

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o valor de um conectivo, substitua-o por outro de valor conhecido. Se "por mais que" puder ser trocado por "embora" ou "apesar de" sem alterar o sentido, é concessão.

Gabarito: letra B.

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