Em relação ao Trypanosoma cruzi, agente etiológico da Doença de Chagas, é correto afirmar que a forma epimastigota
Aé a forma infectante para o homem, presente nas fezes do barbeiro, responsável pela transmissão da doença.
Bé a forma intracelular presente no tecido muscular cardíaco, responsável pelas lesões crônicas da doença.
Cé a forma latente e não flagelada encontrada no sangue de indivíduos na fase crônica assintomática.
Dcorresponde à forma encontrada no intestino médio do inseto vetor (Triatoma spp.), onde o parasita se multiplica por divisão binária.
Eé a forma flagelada presente no sangue humano durante a fase aguda, responsável pela disseminação hematogênica.
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GabaritoD — corresponde à forma encontrada no intestino médio do inseto vetor (Triatoma spp.), onde o parasita se multiplica por divisão binária.
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Trypanosoma cruzi: formas evolutivas e ciclo de vida
Gabarito: letra D. A forma epimastigota do Trypanosoma cruzi é encontrada no intestino médio do inseto vetor (barbeiro, Triatoma spp.), onde se multiplica por divisão binária — é a forma replicativa no vetor, não a infectante para o homem. A alternativa correta descreve exatamente essa etapa do ciclo biológico do protozoário.
O Trypanosoma cruzi, agente etiológico da Doença de Chagas (tripanossomíase americana), apresenta um ciclo de vida complexo que alterna entre o inseto vetor (triatomíneos, popularmente chamados de barbeiros) e o hospedeiro mamífero (incluindo o homem). Durante esse ciclo, o parasita assume diferentes formas morfológicas, cada uma adaptada a um ambiente específico e a uma função particular. Compreender essas formas é essencial para entender a transmissão e a patogênese da doença.
As principais formas do parasita são: tripomastigota, epimastigota e amastigota. A forma tripomastigota é alongada, com flagelo e membrana ondulante, e é encontrada no sangue do hospedeiro mamífero (tripomastigota sanguíneo) e nas fezes do vetor (tripomastigota metacíclico). A forma epimastigota também é flagelada, mas com o cinetoplasto (estrutura que contém DNA mitocondrial) em posição anterior ao núcleo; é a forma replicativa no intestino do inseto. A forma amastigota é arredondada, sem flagelo externo, e é a forma intracelular replicativa nos tecidos do hospedeiro mamífero.
O ciclo de vida começa quando o barbeiro, ao se alimentar de sangue, ingere tripomastigotas sanguíneos presentes na corrente sanguínea do hospedeiro infectado. No intestino do inseto, os tripomastigotas se transformam em epimastigotas, que se multiplicam ativamente por divisão binária. Posteriormente, os epimastigotas migram para o intestino posterior e se diferenciam em tripomastigotas metacíclicos, que são eliminados nas fezes do inseto. A transmissão ao homem ocorre quando as fezes contaminadas entram em contato com mucosas ou com soluções de continuidade da pele, geralmente após a picada do barbeiro. No hospedeiro humano, os tripomastigotas metacíclicos invadem células, onde se diferenciam em amastigotas, que se multiplicam intracelularmente e, após romper a célula, voltam à corrente sanguínea como tripomastigotas, podendo invadir novas células e tecidos, como o músculo cardíaco.
A pegadinha clássica desta questão é confundir as formas evolutivas do parasita com seus respectivos papéis e localizações. A banca explora exatamente essa confusão: a forma infectante para o homem é o tripomastigota metacíclico (presente nas fezes do barbeiro), não a epimastigota; a forma intracelular é a amastigota, não a epimastigota; e a forma presente no sangue é o tripomastigota sanguíneo, não a epimastigota. A epimastigota, por sua vez, é exclusiva do vetor, onde se multiplica. Guarde essa distinção: é ela que separa as alternativas.
Forma evolutiva
Localização
Função/Papel
Infectante para o homem?
Epimastigota
Intestino médio do barbeiro (Triatoma spp.)
Multiplicação por divisão binária no vetor
Não
Tripomastigota metacíclico
Fezes do barbeiro
Forma infectante eliminada nas fezes
Sim
Tripomastigota sanguíneo
Sangue do hospedeiro mamífero
Disseminação hematogênica
Não (ingerido pelo vetor)
Amastigota
Intracelular (ex.: tecido muscular cardíaco)
Multiplicação intracelular no mamífero
Não
1Barbeiro ingere tripomastigotas
2Transformação em epimastigotas
3Multiplicação no intestino
4Tripomastigotas metacíclicos
5Eliminação nas fezes
6Infecção do homem
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a epimastigota é a forma infectante para o homem, presente nas fezes do barbeiro. Isso está errado: a forma infectante eliminada nas fezes do vetor é o tripomastigota metacíclico, não a epimastigota. A epimastigota é a forma replicativa no intestino do inseto, mas não é a forma que infecta o homem.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a epimastigota é a forma intracelular presente no tecido muscular cardíaco. Isso está errado: a forma intracelular replicativa nos tecidos do hospedeiro mamífero é a amastigota, que é arredondada e sem flagelo externo. A epimastigota não é encontrada em tecidos de mamíferos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a epimastigota é a forma latente e não flagelada encontrada no sangue de indivíduos na fase crônica assintomática. Isso está errado por dois motivos: a epimastigota é flagelada (possui flagelo e membrana ondulante) e não é encontrada no sangue humano. A forma encontrada no sangue é o tripomastigota sanguíneo, que é flagelado. A descrição de "forma latente e não flagelada" se aproximaria da amastigota, mas esta é intracelular, não sanguínea.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a epimastigota corresponde à forma encontrada no intestino médio do inseto vetor (Triatoma spp.), onde o parasita se multiplica por divisão binária. Isso está correto: no intestino do barbeiro, os tripomastigotas sanguíneos ingeridos se transformam em epimastigotas, que se multiplicam ativamente por divisão binária. Essa é a etapa replicativa do parasita no vetor.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a epimastigota é a forma flagelada presente no sangue humano durante a fase aguda, responsável pela disseminação hematogênica. Isso está errado: a forma flagelada presente no sangue humano é o tripomastigota sanguíneo, não a epimastigota. A epimastigota é exclusiva do intestino do inseto vetor.