A Organização das Nações Unidas (ONU) faz um alerta: até 2050, infecções causadas por superbactérias podem provocar dez milhões de mortes por ano no mundo, superando o número de vítimas de câncer. O avanço da resistência bacteriana está diretamente ligado ao uso inadequado de antibióticos ao longo das décadas, que reduziu a eficácia desses medicamentos e abriu caminho para microrganismos mais fortes.
(https://g1.globo.com, 23.09.25. Adaptado.)
As informações do excerto estão relacionadas à
Abaixa variabilidade genética entre bactérias submetidas aos antibióticos.
Bincompatibilidade bioquímica entre os antibióticos e as espécies de bactérias.
Cindução de mutações gênicas em bactérias pelo uso indiscriminado de antibióticos.
Dadaptação fisiológica desenvolvida pelas bactérias frente ao estímulo dos antibióticos.
Eseleção artificial de bactérias portadoras de genes de resistência aos antibióticos.
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GabaritoE — seleção artificial de bactérias portadoras de genes de resistência aos antibióticos.
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Resistência bacteriana a antibióticos: seleção natural em ação
Gabarito: letra E. O excerto descreve o avanço da resistência bacteriana ligado ao uso inadequado de antibióticos, fenômeno que, do ponto de vista evolutivo, corresponde à seleção natural — mais especificamente, à seleção de bactérias portadoras de genes de resistência, que sobrevivem e se reproduzem enquanto as sensíveis são eliminadas. O antibiótico atua como agente seletivo, não como indutor de mutações ou causa de adaptações fisiológicas dirigidas.
A resistência bacteriana a antibióticos é um dos exemplos mais didáticos de seleção natural em ação, e é exatamente isso que a questão explora. Para entender o fenômeno, é preciso separar dois processos que costumam ser confundidos: a origem da variabilidade (mutações) e o direcionamento da evolução (seleção). As mutações ocorrem espontaneamente, ao acaso, e podem gerar bactérias resistentes — mas elas não são "causadas" pelo antibiótico. O que o antibiótico faz é selecionar: ele elimina as bactérias sensíveis e permite que as resistentes sobrevivam e se multipliquem, aumentando a frequência dos genes de resistência na população ao longo das gerações.
Imagine uma população de bactérias infectando um paciente. Entre milhões de indivíduos, alguns poucos já possuem, por mutação espontânea, genes que conferem resistência a determinado antibiótico. Quando o paciente toma o remédio, as bactérias sensíveis morrem, mas as resistentes sobrevivem. Elas se reproduzem e formam uma nova população, agora majoritariamente resistente. Se o mesmo antibiótico for usado novamente, o efeito será menor — e é por isso que o uso indiscriminado acelera o problema: cada exposição ao antibiótico é uma "peneira" que favorece os resistentes.
A pegadinha clássica da banca é fazer o aluno pensar que o antibiótico induz mutações ou que as bactérias se adaptam fisiologicamente ao estímulo. Isso é uma visão lamarckista (uso e desuso, herança de caracteres adquiridos), superada pela teoria sintética da evolução. O correto é o raciocínio darwinista: a variabilidade já existe (por mutação), e o ambiente (o antibiótico) apenas seleciona os mais aptos. Guarde essa fronteira — mutação gera variabilidade; seleção direciona a evolução — pois é nela que as alternativas se dividem.
Afirma que o fenômeno se deve à baixa variabilidade genética entre as bactérias. É o oposto: a resistência só é possível porque existe alta variabilidade genética na população bacteriana, gerada por mutações espontâneas. Sem variabilidade, não haveria indivíduos resistentes para serem selecionados.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Fala em incompatibilidade bioquímica entre antibióticos e bactérias. Não é isso que o excerto descreve. A questão não trata de incompatibilidade química, mas de um processo evolutivo de seleção de linhagens resistentes. O antibiótico é compatível com a maioria das bactérias (por isso as mata); a resistência é uma característica genética de algumas delas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que o uso indiscriminado de antibióticos induz mutações gênicas nas bactérias. Erro clássico: o antibiótico não induz mutações — ele seleciona mutações que já existem espontaneamente na população. As mutações são aleatórias e pré-existentes; o antibiótico apenas favorece as bactérias que já as possuem. Confundir seleção com indução é a armadilha central desta questão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Menciona adaptação fisiológica desenvolvida pelas bactérias frente ao estímulo dos antibióticos. Essa é uma visão lamarckista — a ideia de que o organismo se adapta ao ambiente e transmite essa adaptação aos descendentes. Na realidade, não há "desenvolvimento" dirigido de resistência: há seleção de variações genéticas pré-existentes. A resistência é um fenômeno populacional e genético, não fisiológico individual.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa correta fala em seleção artificial de bactérias portadoras de genes de resistência. O termo "seleção artificial" é usado porque a pressão seletiva é imposta pelo ser humano (o uso de antibióticos), em contraste com a seleção natural espontânea. O antibiótico atua como agente seletivo: elimina as bactérias sensíveis e permite que as resistentes sobrevivam, se reproduzam e aumentem sua frequência na população. É exatamente o que o excerto descreve ao relacionar o avanço da resistência ao uso inadequado de antibióticos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar seleção por indução ou adaptação fisiológica. O antibiótico não cria resistência — ele seleciona bactérias que já eram resistentes por mutação espontânea. Se a alternativa disser que o antibiótico "causa" ou "induz" mutações, ou que a bactéria "se adapta" ao remédio, está errada. Fique atento: mutação gera variabilidade; seleção direciona a evolução. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de evolução, monte o raciocínio em duas etapas: (1) origem da variabilidade — mutação e recombinação gênica, que ocorrem ao acaso; (2) direcionamento — seleção natural (ou artificial), que atua sobre a variabilidade existente. Se a alternativa misturar esses papéis, está incorreta. Essa estrutura resolve a maioria das questões sobre resistência a antibióticos, inseticidas e outros exemplos de seleção.