Questão de Biologia — Geral — VUNESP 2026
- Código
- vu168047
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- UNIVESP
- Ano
- 2026
- Cargo
- Vest ( )
- Adas focas.
- Bdos pinguins.
- Cdos papagaios.
- Ddos pavões.
- Edos morcegos.
GabaritoD — dos pavões.
Gabarito: letra D. O pavão (Pavo cristatus) é o exemplo clássico de dimorfismo sexual acentuado por características ornamentais: o macho exibe uma cauda longa e colorida com ocelos, usada em exibições de corte, enquanto a fêmea é menor e de coloração críptica. Essa diferença é produto da seleção sexual, mecanismo evolutivo em que características que aumentam o sucesso de acasalamento são favorecidas, mesmo que reduzam a sobrevivência.
O dimorfismo sexual é a diferença morfológica entre machos e fêmeas da mesma espécie, podendo envolver tamanho, coloração, presença de estruturas específicas (como chifres, cristas ou caudas ornamentais) e até comportamentos. No caso dos pavões, a cauda elaborada do macho é um ornamento sexual extremo, resultado de seleção sexual por escolha feminina: fêmeas preferem machos com caudas mais vistosas, o que levou à evolução dessa característica exagerada. Esse fenômeno foi descrito por Darwin como seleção sexual, um tipo de seleção natural que atua sobre a capacidade de obter parceiros.
A seleção sexual opera de duas formas principais: a escolha de parceiro (geralmente fêmeas escolhendo machos com ornamentos) e a competição entre machos (como brigas por território ou haréns). No pavão, a cauda é um sinal de qualidade genética — machos com caudas mais simétricas e coloridas tendem a ser mais saudáveis e ter melhor sistema imunológico, o que justifica a preferência feminina. Esse é um exemplo de seleção sexual por escolha feminina, também chamada de seleção intersexual.
É importante distinguir dimorfismo sexual de outras formas de diferença entre sexos. O dimorfismo pode ser:
Tipo | Descrição | Exemplo |
|---|---|---|
Ornamental | Estruturas de exibição, como caudas, cristas, cores vivas | Pavão, galo |
Tamanho | Diferença de porte entre machos e fêmeas | Focas (machos maiores), aranhas (fêmeas maiores) |
Estrutural | Presença de estruturas exclusivas de um sexo | Chifres de veados, presas de elefantes-marinhos |
Coloração | Diferença de cor entre sexos | Papagaios (em algumas espécies), patos |
A pegadinha da questão está em distinguir quais animais apresentam dimorfismo sexual ornamental (características visíveis de exibição) daqueles que apresentam apenas diferenças de tamanho ou coloração menos acentuada. Focas, por exemplo, têm dimorfismo de tamanho (machos muito maiores), mas não apresentam ornamentos visíveis como caudas ou cristas. Pinguins e papagaios têm dimorfismo de coloração em algumas espécies, mas não tão acentuado quanto o pavão. Morcegos, em geral, apresentam dimorfismo discreto, principalmente de tamanho.
O critério decisivo é a presença de características ornamentais visíveis que acentuam a diferença entre os sexos — exatamente o que define o pavão. As demais alternativas apresentam dimorfismo, mas não do tipo ornamental acentuado descrito no enunciado.
As focas apresentam dimorfismo sexual principalmente de tamanho: os machos são significativamente maiores que as fêmeas, especialmente em espécies como o elefante-marinho, onde os machos também desenvolvem uma probóscide (nariz alongado) durante a época reprodutiva. No entanto, essa diferença não se manifesta como características ornamentais visíveis no sentido de estruturas de exibição como caudas ou cristas coloridas. O dimorfismo de tamanho é um tipo de dimorfismo, mas não é o exemplo clássico de ornamentação que o enunciado descreve.
Os pinguins apresentam dimorfismo sexual discreto na maioria das espécies. Machos e fêmeas são muito semelhantes em tamanho e coloração, sendo difícil distinguir os sexos a olho nu. Em algumas espécies, há pequenas diferenças de tamanho (machos levemente maiores), mas não há características ornamentais visíveis que acentuem a diferença entre os sexos. A coloração preta e branca é praticamente idêntica entre machos e fêmeas, o que torna essa alternativa incorreta.
Os papagaios, em geral, apresentam dimorfismo sexual discreto ou ausente. Na maioria das espécies, machos e fêmeas têm a mesma coloração e tamanho, sendo necessário exame genético ou endoscopia para determinar o sexo. Algumas espécies, como o papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), não apresentam diferenças visíveis entre os sexos. Embora existam exceções com dimorfismo de coloração (como em algumas araras), o grupo como um todo não é caracterizado por características ornamentais visíveis acentuadas, como ocorre com o pavão.
O pavão (Pavo cristatus) é o exemplo paradigmático de dimorfismo sexual ornamental. O macho possui uma cauda longa e colorida com ocelos (manchas em forma de olho), que é exibida em leque durante a corte. A fêmea é menor, com coloração marrom-acinzentada críptica, sem a cauda elaborada. Essa diferença acentuada é resultado de seleção sexual por escolha feminina: fêmeas preferem machos com caudas mais vistosas, o que levou à evolução dessa característica extrema. O enunciado descreve exatamente esse padrão: "machos apresentam características ornamentais visíveis, acentuando a diferença entre machos e fêmeas".
Os morcegos apresentam dimorfismo sexual discreto na maioria das espécies. As diferenças entre machos e fêmeas são geralmente sutis, como pequenas variações de tamanho ou presença de glândulas odoríferas em algumas espécies. Não há características ornamentais visíveis como caudas coloridas, cristas ou plumagem elaborada. O dimorfismo em morcegos é mais relacionado a diferenças fisiológicas ou comportamentais do que a ornamentos visíveis, tornando essa alternativa incorreta.
A banca explora a confusão entre dimorfismo sexual (qualquer diferença física entre sexos) e dimorfismo sexual ornamental (diferenças acentuadas por estruturas de exibição). Focas têm dimorfismo de tamanho, papagaios podem ter dimorfismo de coloração em algumas espécies, mas apenas o pavão apresenta o exemplo clássico de ornamento sexual visível — a cauda com ocelos. O candidato que não distingue esses tipos de dimorfismo pode marcar focas (A) ou papagaios (C), que também apresentam dimorfismo, mas não do tipo ornamental acentuado descrito no enunciado.
Para identificar o exemplo clássico de seleção sexual por ornamentos, lembre-se dos casos mais citados em provas: pavão (cauda com ocelos), galo (crista e esporas), veado (chifres) e leão (juba). Quando a questão mencionar "características ornamentais visíveis", o pavão é quase sempre a resposta. Associe o termo "ornamental" a estruturas de exibição usadas na corte, não a diferenças de tamanho ou coloração discreta.
Gabarito: letra D
Link permanente: /questoes/vu168047