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Questão de História — A Redemocratização na Nova República e a Constituição de 1988 — VUNESP 2023

HistóriaA Redemocratização na Nova República e a Constituição de 1988
Código
vu181287
Banca
VUNESP
Órgão
FAMERP
Ano
2023
Cargo
Vest ( )
A democracia está novamente em risco. Mas o processo de redemocratização propriamente dito se encerrou. Agora, a questão não é mais como implantar a democracia, e sim o que fazer com ela. E como encontrar um lugar para o país nos arranjos globais que lhe permita alcançar o máximo de autonomia possível.   (Marcos Nobre. Limites da democracia, 2022. Adaptado.)   Referindo-se ao Brasil de 2013 a 2022, o excerto
  1. Aatesta a incompletude do processo de redemocratização iniciado após o regime militar.
  2. Bdefende a necessidade de pensar os rumos da democracia brasileira.
  3. Cvaloriza a ampla autonomia político-econômica alcançada pelo país no plano internacional.
  4. Dcritica a participação do país na dinâmica mercantil do mundo globalizado.
  5. Ereconhece o fracasso do modelo democrático implantado durante o regime militar.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — defende a necessidade de pensar os rumos da democracia brasileira.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A redemocratização concluída e o novo dilema democrático (2013–2022)

Gabarito: letra B. O excerto de Marcos Nobre sustenta que o processo de redemocratização já se encerrou e que o desafio atual deixou de ser "como implantar a democracia" para se tornar "o que fazer com ela" — ou seja, o autor defende a necessidade de pensar os rumos da democracia brasileira, e não de completá-la ou de negá-la. A tese se ancora no marco histórico da promulgação da Constituição de 1988, que consolidou a transição democrática iniciada com o fim do regime militar.

Para acertar essa questão, é preciso separar dois momentos históricos que a banca deliberadamente embaralha: o processo de redemocratização e a democracia já consolidada. A redemocratização é o período de transição — vai do fim do regime militar (1985, com a posse de José Sarney após a morte de Tancredo Neves) até a promulgação da Constituição de 1988 e a primeira eleição direta para presidente, em 1989. É um processo com começo, meio e fim: seu objetivo era instalar o regime democrático, substituindo o autoritarismo por instituições representativas, eleições livres e garantias fundamentais.

A partir de 1988, esse objetivo se cumpre. A Constituição — chamada por Ulysses Guimarães de "Constituição Cidadã" — consagra direitos individuais e coletivos, restabelece eleições diretas e reorganiza os poderes. A partir daí, o Brasil deixa de ser um país "em transição" e passa a ser um país com democracia. É exatamente esse o ponto de Marcos Nobre: encerrada a transição, o problema muda de natureza. Não se trata mais de construir a democracia, mas de decidir o que fazer com ela — como lidar com suas crises, seus limites e seu lugar no mundo.

O recorte temporal do enunciado (2013–2022) é decisivo. Em 2013 ocorrem as Jornadas de Junho, protestos que começam com a pauta do transporte público e se ampliam para uma insatisfação difusa com toda a classe política. A partir daí, o país vive um ciclo de instabilidade: crise econômica, impeachment de Dilma Rousseff (2016), polarização eleitoral e questionamentos ao próprio funcionamento das instituições. É nesse contexto que Nobre escreve — não sobre como fundar a democracia, mas sobre como preservá-la e repensá-la diante de suas fragilidades.

A distinção que a banca explora é sutil e vale memorizar:

Momento

Período

Pergunta central

Redemocratização

1985–1988/89

Como implantar a democracia?

Democracia consolidada

1988/89 em diante

O que fazer com a democracia?

O erro clássico do candidato é ler "a democracia está novamente em risco" e concluir que o processo de redemocratização está incompleto. Mas o próprio texto diz o contrário: "o processo de redemocratização propriamente dito se encerrou". Risco à democracia e incompletude da transição são coisas diferentes — a primeira é um problema do presente; a segunda seria um problema do passado não resolvido.

Guarde essa fronteira entre encerramento da transição e crise da democracia já instalada: é exatamente nela que as alternativas desta questão se dividem.

  1. 1985Fim do regime militar
  2. 1988Constituição Cidadã
  3. 1989Primeira eleição direta
  4. 2013Jornadas de Junho
  5. 2016Impeachment de Dilma
  6. 2022Democracia em risco
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o excerto "atesta a incompletude do processo de redemocratização". É o oposto do que o texto diz: Marcos Nobre afirma explicitamente que "o processo de redemocratização propriamente dito se encerrou". A alternativa confunde risco à democracia (problema atual) com incompletude da transição (problema que já foi superado). A redemocratização se completou com a Constituição de 1988 e a eleição direta de 1989.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

É a leitura fiel do excerto. Quando o autor escreve que "a questão não é mais como implantar a democracia, e sim o que fazer com ela", ele está justamente propondo pensar os rumos da democracia brasileira — seu funcionamento, seus limites e sua inserção internacional. A alternativa espelha com precisão os termos do texto: "defende a necessidade de pensar os rumos da democracia brasileira".

Alternativa C — ❌ Incorreta

Sustenta que o excerto "valoriza a ampla autonomia político-econômica alcançada pelo país". O texto faz o contrário: fala em "encontrar um lugar para o país nos arranjos globais que lhe permita alcançar o máximo de autonomia possível" — ou seja, a autonomia é uma busca, um objetivo a ser perseguido, não uma conquista já consolidada. A alternativa transforma uma aspiração em realidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o excerto "critica a participação do país na dinâmica mercantil do mundo globalizado". Não há no texto qualquer crítica à participação mercantil do Brasil. A menção aos "arranjos globais" é sobre buscar autonomia nesse cenário, não sobre condenar a inserção do país no comércio mundial. A alternativa extrapola o que o autor efetivamente diz.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Diz que o excerto "reconhece o fracasso do modelo democrático implantado durante o regime militar". Há dois erros aqui. Primeiro, o regime militar (1964–1985) não implantou um modelo democrático — foi um regime autoritário. Segundo, o texto não trata do regime militar, mas do Brasil de 2013 a 2022. A alternativa mistura os períodos e atribui ao autor uma tese que ele não defende.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a leitura apressada da primeira frase — "a democracia está novamente em risco". O candidato desatento associa "risco" a "processo inacabado" e marca a alternativa A. Mas o próprio texto desmente essa leitura ao afirmar que "o processo de redemocratização propriamente dito se encerrou". A armadilha é confundir crise da democracia consolidada com incompletude da transição democrática. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Em questões de interpretação de texto em História, sublinhe sempre a tese central do autor antes de olhar as alternativas. Aqui, a tese está em duas frases-chave: "o processo de redemocratização se encerrou" e "a questão não é mais como implantar a democracia, e sim o que fazer com ela". Qualquer alternativa que contrarie essas duas frases está errada. Desconfie de alternativas que usam verbos como "atesta", "reconhece" ou "critica" quando o texto apenas constata ou propõe algo.

Gabarito: letra B

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