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Questão de Português — Questões Variadas de Verbo — VUNESP 2023

PortuguêsQuestões Variadas de Verbo
Código
vu182721
Banca
VUNESP
Órgão
TCM SP
Ano
2023
Cargo
ACE ( )

Folia agigantada


    São Paulo prepara-se para ser palco do maior Carnaval de rua de sua história. Pela primeira vez, a cidade, que já foi apelidada de “túmulo do samba”, terá desfiles em todas as suas 32 subprefeituras.   

    Também em número de blocos, a folia promete expansão inédita. Os números são preliminares, mas as 490 agremiações do ano passado deverão ser largamente suplantadas, com aumento previsto de 70%. Novas atrações também animarão a festa, como o famoso Galo da Madrugada, de Pernambuco.

    Levantamentos preliminares sugerem que a capital paulista poderá ser o principal destino turístico do país durante os festejos, suplantando Rio de Janeiro e Salvador. Com isso, projeta-se aumento da circulação de dinheiro, em favor de hotéis, bares, comércio etc.

    No cenário animador, um certo clima de ufanismo parece contagiar quadros da prefeitura, que tem em seus membros um carnavalesco conhecido – o secretário de Cultura, Alê Youssef, fundador do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta. O carnavalesco, que representa uma face mais progressista do governo municipal, vê no Carnaval também um meio de manifestação política. O secretário já declarou que pretende fazer com que a festa seja um contraponto a ameaças à liberdade de expressão.

    A expansão do Carnaval de rua é um fenômeno que se observa há anos em diversas cidades. No Rio, por exemplo, os blocos começaram a reconquistar as ruas a partir da primeira década do século. O retorno do que seria um tipo mais autêntico de comemoração provocou simpatias e elogios da população e de cronistas da festa.

     Com o tempo, contudo, a outra face do crescimento da folia foi-se mostrando problemática – a insuficiência de banheiros públicos, o aumento de furtos, o trânsito interrompido, as áreas protegidas ocupadas por blocos não autorizados e o excesso de barulho.

    A Prefeitura de São Paulo afirma que reestruturou o planejamento do evento com vistas a diminuir os transtornos. Ao longo de 37 reuniões, os trajetos passaram pelo crivo de diversos órgãos, como CET, SPTrans (responsável pelos ônibus), polícia e GCM (Guarda Civil Metropolitana). Medidas em outras áreas também foram anunciadas.

    Cabe às autoridades, agora, fazer com que a propalada reorganização saia do papel e garanta à cidade e a seus moradores um padrão aceitável de funcionamento.


(Editorial, “Folia agigantada”. Folha de S.Paulo, 05.02.2020. Adaptado)

Texto

   

Na organização das informações no texto, o emprego de verbos no tempo presente cria um efeito de aproximação com o leitor, estratégia que dá mais força aos argumentados apresentados; o uso de tempos que remetem à ideia de hipótese, por sua vez, têm menos força argumentativa. Esses dois recursos de argumentação são, correta e respectivamente, exemplificados com as passagens:

  1. ACom isso, projeta-se aumento da circulação de dinheiro, em favor de hotéis, bares, comércio etc. (3o parágrafo); O retorno do que seria um tipo mais autêntico de comemoração provocou simpatias e elogios da população e de cronistas da festa. (5o parágrafo).
  2. BA expansão do Carnaval de rua é um fenômeno que se observa há anos em diversas cidades. (5o parágrafo); No Rio, por exemplo, os blocos começaram a reconquistar as ruas a partir da primeira década do século. (5o parágrafo).
  3. CCom o tempo, contudo, a outra face do crescimento da folia foi-se mostrando problemática... (6o parágrafo); ... que já foi apelidada de “túmulo do samba”... (1o parágrafo).
  4. DAo longo de 37 reuniões, os trajetos passaram pelo crivo de diversos órgãos... (7o parágrafo); O secretário já declarou que pretende fazer com que a festa seja um contraponto a ameaças à liberdade de expressão. (4o parágrafo).
  5. ECabe às autoridades, agora, fazer com que a propalada reorganização saia do papel... (8o parágrafo); A Prefeitura de São Paulo afirma que reestruturou o planejamento do evento com vistas a diminuir os transtornos. (7o parágrafo).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Com isso, projeta-se aumento da circulação de dinheiro, em favor de hotéis, bares, comércio etc. (3o parágrafo); O retorno do que seria um tipo mais autêntico de comemoração provocou simpatias e elogios da população e de cronistas da festa. (5o parágrafo).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego dos tempos verbais como recurso argumentativo

Gabarito: letra A. A questão pede, correta e respectivamente, uma passagem com verbo no presente do indicativo (aproximação com o leitor, mais força argumentativa) e outra com verbo que remeta à ideia de hipótese (menos força argumentativa). A alternativa A é a única que cumpre os dois requisitos: "projeta-se" está no presente do indicativo, e "seria" está no futuro do pretérito do indicativo, tempo que expressa hipótese, como se lê no 3º e no 5º parágrafos.

O comando é de compreensão e análise linguística em contexto: não se trata de decorar a definição de cada tempo verbal, mas de reconhecer o efeito de sentido que o emprego de cada tempo produz no texto. A banca parte de uma afirmação teórica (presente = aproximação/força; hipótese = menos força) e pede que você a exemplifique com passagens do texto. A técnica é: identificar o tempo verbal de cada verbo destacado e verificar se ele corresponde ao efeito descrito.

O texto é um editorial sobre a expansão do Carnaval de rua em São Paulo. O autor apresenta dados e projeções (presente e futuro do presente), narra fatos passados (pretéritos) e, no 5º parágrafo, usa o futuro do pretérito para especular sobre o que seria um tipo mais autêntico de comemoração. É exatamente essa especulação que a banca chama de "ideia de hipótese".

A armadilha central está em confundir tempo verbal com efeito de sentido. Muitas alternativas trazem verbos no presente ou no pretérito, mas não correspondem à função descrita no enunciado. Por exemplo, a alternativa B traz "é" (presente) e "começaram" (pretérito perfeito), mas o enunciado pede, na segunda parte, um verbo que remeta à hipótese — e "começaram" é um fato concluído, não uma hipótese. A alternativa D traz "passaram" (pretérito perfeito) e "pretende" (presente), mas inverte a ordem: o presente está na segunda passagem, não na primeira.

1Presente do indicativo
Aproxima o leitor
Mais força argumentativa
Ex.: "projeta-se"
2Futuro do pretérito
Menos força argumentativa
Marca hipótese/incerteza
Ex.: "seria"
3Outros tempos (não pedidos)
Pretérito perfeito: fato concluído
Pretérito perfeito composto: processo contínuo
Tempos verbais como recurso argumentativo
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Tempos verbais como recurso argumentativo: Presente do indicativo (Aproxima o leitor, Mais força argumentativa, Ex.: "projeta-se"); Futuro do pretérito (Menos força argumentativa, Marca hipótese/incerteza, Ex.: "seria"); Outros tempos (não pedidos) (Pretérito perfeito: fato concluído, Pretérito perfeito composto: processo contínuo)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A primeira passagem, "Com isso, projeta-se aumento da circulação de dinheiro", tem o verbo projeta-se no presente do indicativo. O presente, aqui, não indica apenas um fato atual, mas uma projeção apresentada como certa, aproximando o leitor da informação e dando força argumentativa — exatamente o que o enunciado descreve.

A segunda passagem, "O retorno do que seria um tipo mais autêntico de comemoração", tem o verbo seria no futuro do pretérito do indicativo. Esse tempo verbal é o clássico da hipótese: indica um fato que poderia ser, mas que não é afirmado como certo. O autor não diz que o retorno é autêntico; diz que seria, ou seja, uma possibilidade, uma especulação — menos força argumentativa, como pede o enunciado.

"O retorno do que seria um tipo mais autêntico de comemoração provocou simpatias e elogios"

O futuro do pretérito (seria) marca a incerteza, a hipótese, em contraste com o presente (projeta-se), que marca a certeza. A alternativa A é a única que apresenta, na ordem pedida, um presente e uma hipótese.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A primeira passagem, "A expansão do Carnaval de rua é um fenômeno que se observa há anos", tem o verbo é no presente do indicativo — correto para a primeira parte. Porém, a segunda passagem, "os blocos começaram a reconquistar as ruas", tem o verbo começaram no pretérito perfeito do indicativo, que indica fato concluído, não hipótese. O enunciado pede, na segunda parte, um verbo que remeta à ideia de hipótese — e "começaram" é uma ação real, ocorrida e terminada. A alternativa falha por trocar o conceito: pretérito perfeito não expressa hipótese.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A primeira passagem, "a outra face do crescimento da folia foi-se mostrando problemática", tem o verbo foi-se mostrando no pretérito perfeito composto (ou locução verbal com gerúndio), que indica um processo contínuo no passado, não o presente. A segunda passagem, "que já foi apelidada de 'túmulo do samba'", tem o verbo foi no pretérito perfeito, que indica fato concluído. Nenhuma das duas passagens exemplifica o que o enunciado pede: a primeira não é presente, e a segunda não é hipótese. A alternativa contradiz o texto ao atribuir aos tempos verbais efeitos que eles não têm.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A primeira passagem, "os trajetos passaram pelo crivo de diversos órgãos", tem o verbo passaram no pretérito perfeito, que indica fato concluído, não presente. A segunda passagem, "O secretário já declarou que pretende fazer", tem o verbo pretende no presente do indicativo — mas está na segunda posição, quando o enunciado pede o presente na primeira e a hipótese na segunda. A alternativa inverte a ordem dos recursos: o presente está onde deveria estar a hipótese, e o pretérito está onde deveria estar o presente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A primeira passagem, "Cabe às autoridades, agora, fazer com que a propalada reorganização saia do papel", tem o verbo cabe no presente do indicativo — correto para a primeira parte. Porém, a segunda passagem, "A Prefeitura de São Paulo afirma que reestruturou o planejamento", tem o verbo afirma no presente do indicativo e reestruturou no pretérito perfeito. Nenhum dos dois remete à hipótese: "afirma" é uma declaração de certeza, e "reestruturou" é um fato concluído. A alternativa falha por não apresentar nenhum verbo com valor de hipótese na segunda parte.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura passagens com verbos no presente e no pretérito, mas o que decide é o efeito de sentido: presente = aproximação/força; futuro do pretérito = hipótese/menos força. Não basta o verbo estar no presente; ele precisa cumprir a função descrita no enunciado.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões sobre tempos verbais como recurso argumentativo, sublinhe o verbo de cada passagem e identifique o tempo antes de comparar com o efeito pedido. O futuro do pretérito (seria, faria, haveria) é o grande marcador de hipótese — desconfie de alternativas que usam pretérito perfeito ou presente no lugar dele.

Gabarito: letra A. A questão ensina que o tempo verbal não é só uma flexão gramatical: é uma estratégia argumentativa. O presente aproxima e afirma; o futuro do pretérito especula e enfraquece. Reconhecer esse efeito é a chave para acertar questões de interpretação que cruzam gramática e texto.

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