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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — VUNESP 2023

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
vu182723
Banca
VUNESP
Órgão
TCM SP
Ano
2023
Cargo
ATCE ( )

Dialética erística é a arte de discutir, mais precisamente a arte de discutir de modo a vencer, e isso per fas et per nefas (por meios lícitos ou ilícitos). De fato, é possível ter razão objetivamente no que diz respeito à coisa mesma, e não tê-la aos olhos dos presentes e inclusive aos próprios olhos.

 

Assim ocorre, por exemplo, quando o adversário refuta minha prova e isso é tomado como uma refutação da tese mesma, em cujo favor se poderiam aduzir outras provas. Neste caso, naturalmente, a situação do adversário é inversa àquela que mencionamos: ele parece ter razão, ainda que objetivamente não a tenha. Por conseguinte, são duas coisas distintas a verdade objetiva de uma proposição e sua validade na aprovação dos contendores e ouvintes. A esta última é que a dialética se refere.

 

Donde provém isso? Da perversidade natural do gênero humano. Se esta não existisse, se no nosso fundo fôssemos honestos, em todo debate tentaríamos fazer a verdade aparecer, sem nos preocupar com que ela estivesse conforme à opinião que sustentávamos no começo ou com a do outro; isso seria indiferente ou, em todo caso, de importância muito secundária. No entanto, é isso o que se torna o principal.

 

Nossa vaidade congênita, especialmente suscetível em tudo o que diz respeito à capacidade intelectual, não quer aceitar que aquilo que num primeiro momento sustentávamos como verdadeiro se mostre falso, e verdadeiro aquilo que o adversário sustentava. Portanto, cada um deveria preocupar-se unicamente em formular juízos verdadeiros. Para isso, deveria pensar primeiro e falar depois. Mas, na maioria das pessoas, à vaidade inata associa-se a verborragia e uma inata deslealdade. Falam antes de ter pensado e, quando, depois, se dão conta de que sua afirmativa era falsa e não tinham razão, pretendem que pareça como se fosse ao contrário. O interesse pela verdade, que na maior parte dos casos deveria ser o único motivo para sustentar o que foi afirmado como verdade, cede por completo o passo ao interesse da vaidade.

 

O verdadeiro tem de parecer falso e o falso, verdadeiro.

 

(Arthur Schopenhauer. Como vencer um debate sem precisar ter razão)

Assinale a alternativa que substitui o enunciado – Donde provém isso? – atendendo a norma-padrão de regência e conjugação do verbo, independentemente da preservação do sentido original.
  1. AOnde vou ficar, quando eu vir trabalhar aqui?
  2. BAonde conveio estacionar durante a tempestade?
  3. COnde vamos pôr as caixas que conterem equipamento?
  4. DAonde se detiveram aquelas pessoas?
  5. EAonde irei, se virem que estou escondido aqui?
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Aonde irei, se virem que estou escondido aqui?

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjugação verbal e regência: a norma-padrão em jogo

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que atende à norma-padrão de regência e conjugação: o verbo ir rege a preposição a, exigindo o advérbio aonde (movimento), e a forma virem está corretamente conjugada no futuro do subjuntivo do verbo vir (3ª pessoa do plural). As demais alternativas ou usam onde com verbo de movimento (erro de regência) ou conjugam incorretamente o verbo vir (confundindo com ver).

O comando pede que você substitua o enunciado "Donde provém isso?" por uma frase que esteja de acordo com a norma-padrão de regência e conjugação do verbo, independentemente de preservar o sentido original. Ou seja, a questão não cobra interpretação de texto, mas sim gramática normativa: você deve avaliar cada alternativa quanto ao uso correto de onde/aonde e quanto à conjugação verbal no futuro do subjuntivo.

No texto-base, a pergunta "Donde provém isso?" usa o advérbio donde (= de onde), que indica origem. A banca, porém, quer que você identifique a alternativa que respeita a regência do verbo — e, para isso, é essencial dominar a diferença entre onde (lugar em que se está, sem movimento) e aonde (lugar para onde se vai, com movimento). Além disso, é preciso conjugar corretamente o verbo vir no futuro do subjuntivo: quando eu vier, quando ele vier, quando eles vierem — e não "vir" como se fosse o verbo ver.

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando (1) o verbo pede movimento? Se sim, use aonde; se não, use onde. (2) O verbo está conjugado corretamente no futuro do subjuntivo? Cuidado com a confusão clássica entre vir (vir) e ver (ver).

Onde × Aonde
  • 1Onde
    • Sem movimento
    • "Em que lugar?"
  • 2Aonde
    • Com movimento
    • "Para onde?"
  • 3Vir × Ver (futuro do subjuntivo)
    • Vir
      • vier, vieres, vier, viermos, vierdes, vierem
    • Ver
      • vir, vires, vir, virmos, virdes, virem
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Onde vou ficar, quando eu vir trabalhar aqui?" — O verbo ficar não indica movimento, então o correto é onde (e não aonde). Mas o erro fatal está na conjugação: "quando eu vir" está errado, pois o futuro do subjuntivo do verbo vir é "quando eu vier". A forma vir pertence ao verbo ver (quando eu vir o filme). A alternativa contradiz a norma-padrão ao trocar a conjugação de vir pela de ver.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Aonde conveio estacionar durante a tempestade?" — O verbo convir (= ser conveniente) rege a preposição a? Não. O verbo convir é intransitivo ou transitivo indireto com a (convir a alguém), mas não indica movimento. Portanto, o advérbio correto seria onde, não aonde. Além disso, a forma conveio está no pretérito perfeito, mas a frase pede um contexto de movimento que não existe. A alternativa erra na regência ao usar aonde com verbo que não pede movimento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Onde vamos pôr as caixas que conterem equipamento?" — O verbo pôr indica movimento (pôr algo em algum lugar), então o correto seria aonde (para onde vamos pôr?). A alternativa usa onde, errando a regência. Além disso, a forma conterem está correta (futuro do subjuntivo de conter), mas o erro de regência já invalida a alternativa. Erro de regência: verbo de movimento com onde.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Aonde se detiveram aquelas pessoas?" — O verbo deter-se (= parar, permanecer) não indica movimento; indica permanência em um lugar. Portanto, o correto é onde, não aonde. A alternativa erra na regência ao usar aonde com verbo que não pede movimento. A conjugação detiveram está correta (pretérito perfeito de deter), mas o erro de regência é suficiente para descartá-la.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Aonde irei, se virem que estou escondido aqui?" — O verbo ir indica movimento, exigindo o advérbio aonde (para onde). A conjugação virem está correta: é o futuro do subjuntivo do verbo vir (3ª pessoa do plural), usado na oração condicional "se virem". A alternativa atende perfeitamente à norma-padrão de regência e conjugação.

PEGA ESSA DICA!

Para acertar questões de onde/aonde, pergunte ao verbo: "para onde?" Se a resposta fizer sentido, use aonde; se a resposta for "em que lugar?", use onde. E para o futuro do subjuntivo de vir, lembre-se: vier, vieres, vier, viermos, vierdes, vierem — nunca "vir" nesse tempo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre vir e ver no futuro do subjuntivo. Na alternativa A, "quando eu vir" parece certo, mas é o verbo ver; o correto para vir é "quando eu vier". Fique atento a essa troca clássica.

Conclusão: A única alternativa que respeita simultaneamente a regência (aonde + verbo de movimento) e a conjugação (virem = futuro do subjuntivo de vir) é a letra E. As demais erram ou na regência (A, C, D) ou na conjugação (A).

Gabarito: letra E

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