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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — VUNESP 2023

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
vu182738
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2023
Cargo
Esc ( )

Infeliz Aniversário

 

A Branca de Neve de Disney fez 80 anos, com direito a chamada na primeira página de um jornalão e farta matéria crítica lá dentro. Curiosamente, as críticas não eram à versão Disney cujo aniversário se comemorava, mas à personagem em si, cuja data natalícia não se comemora porque pode estar no começo do século XVII, quando escrita pelo italiano Gianbattista Basile, ou nas versões orais que se perdem na névoa do tempo.

 

É um velho vício este de querer atualizar, podar, limpar, meter em moldes ideológicos as antigas narrativas que nos foram entregues pela tradição. A justificativa é sempre a mesma, proteger as inocentes criancinhas de verdades que poderiam traumatizá-las. A verdade é sempre outra, impingir às criancinhas as diretrizes sociais em voga no momento.

 

E no momento, a crítica mais frequente aos contos de fadas é a abundância de princesas suspirosas à espera do príncipe. Mas a que “contos de fadas” se refere? Nos 212 contos recolhidos pelos irmãos Grimm, há muito mais do que princesas suspirosas. Nos dois volumes de “The virago book on fairy tales”, em que a inglesa Angela Carter registrou contos do mundo inteiro, não se ouvem suspiros. Nem suspiram princesas entre as mulheres que correm com os lobos, de Pinkola Estés.

 

As princesas belas e indefesas que agora estão sendo criticadas foram uma cuidadosa e progressiva escolha social. Escolha de educadores, pais, autores de antologias, editores. Escolha doméstica, feita cada noite à beira da cama. Garimpo determinado selecionando, entre tantas narrativas, aquelas mais convenientes para firmar no imaginário infantil o modelo feminino que a sociedade queria impor.

 

Não por acaso Disney escolheu Branca de Neve para seu primeiro longa-metragem de animação. O custo era altíssimo, não poderia haver erro. E, para garantir açúcar e êxito, acrescentou o beijo.

 

Os contos maravilhosos, ou contos de fadas, atravessaram séculos, superaram inúmeras modificações sociais, venceram incontáveis ataques. Venceram justamente pela densidade do seu conteúdo, pela riqueza simbólica com que retratam nossas vidas, nossas humanas inquietações. Querer, mais uma vez, sujeitá-los aos conceitos de ensino mais rasteiros, às interpretações mais primárias, é pura manipulação, descrença no poder do imaginário.

 

(https://www.marinacolasanti.com/. Adaptado)

Texto

   

Assinale a alternativa em que, na reescrita da passagem – Curiosamente, as críticas não eram à versão Disney cujo aniversário se comemorava, mas à personagem em si… (1o parágrafo) –, a forma verbal destacada confere sentido de conjectura ao enunciado.

  1. ACuriosamente, as críticas não têm sido à versão Disney cujo aniversário se comemorava, mas à personagem em si.
  2. BCuriosamente, as críticas não são à versão Disney cujo aniversário se comemorava, mas à personagem em si.
  3. CCuriosamente, as críticas não foram à versão Disney cujo aniversário se comemorava, mas à personagem em si.
  4. DCuriosamente, as críticas não seriam à versão Disney cujo aniversário se comemorava, mas à personagem em si.
  5. ECuriosamente, as críticas não tinham sido à versão Disney cujo aniversário se comemorava, mas à personagem em si.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Curiosamente, as críticas não seriam à versão Disney cujo aniversário se comemorava, mas à personagem em si.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego do Futuro do Pretérito: sentido de conjectura

Gabarito: letra D. A forma verbal que confere sentido de conjectura (hipótese, suposição, incerteza) é "seriam" — futuro do pretérito do indicativo. Como se lê no 1º parágrafo, a passagem original usa "não eram" (pretérito imperfeito, fato), e a reescrita que introduz a ideia de suposição é a que troca essa forma por "não seriam", exatamente como na alternativa D. As demais alternativas mantêm o valor de fato (presente, pretérito perfeito, etc.), não de conjectura.

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique, entre as reescritas, aquela em que a forma verbal destacada (o verbo "ser") passa a expressar conjectura. Isso é uma questão de emprego dos modos e tempos verbais: não se trata de interpretar o texto, mas de reconhecer o valor semântico que cada tempo verbal imprime à frase. A palavra-chave é "conjectura" — sinônimo de suposição, hipótese, possibilidade, incerteza.

O texto e o ponto decisivo

No texto original, a autora afirma um fato: "as críticas não eram à versão Disney... mas à personagem em si". O verbo "eram" (pretérito imperfeito do indicativo) apresenta a informação como real, constatada. A questão quer saber qual forma verbal, ao substituir "eram", transformaria essa constatação em uma suposição — algo que o autor imagina, especula, e não afirma categoricamente.

A técnica: os valores do futuro do pretérito

O futuro do pretérito (terminação -ria) é um tempo do modo indicativo que, além de indicar um fato futuro em relação a outro passado, expressa incerteza, dúvida, conjectura. É o tempo típico de frases como "Seria possível...", "Quem diria...", "Estaria ele envolvido?". No contexto da reescrita, trocar "eram" por "seriam" transforma a afirmação categórica em uma hipótese: o autor não afirma que as críticas eram à personagem, mas supõe que seriam. É exatamente esse o efeito pedido.

As demais alternativas usam tempos que expressam fato: presente (são), pretérito perfeito (foram), pretérito mais-que-perfeito composto (tinham sido) e presente composto (têm sido). Nenhuma delas introduz a ideia de conjectura.

Análise das alternativas

Valor semântico dos tempos verbais
  • 1Fato (certeza)
    • Presente: "são"
    • Pretérito perfeito: "foram"
    • Pretérito mais-que-perfeito: "tinham sido"
    • Presente composto: "têm sido"
  • 2Conjectura (hipótese)
    • Futuro do pretérito: "seriam"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A forma "têm sido" (presente do indicativo composto) indica uma ação que começou no passado e se prolonga até o presente — um fato contínuo, não uma conjectura. O texto original fala de críticas passadas; a reescrita com "têm sido" mantém o valor de realidade, apenas com aspecto durativo. Erro: mantém o valor de fato, não de conjectura.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A forma "são" (presente do indicativo) expressa um fato atual, uma constatação. Não há qualquer ideia de hipótese ou suposição. Erro: tempo presente, valor de fato.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A forma "foram" (pretérito perfeito do indicativo) indica um fato concluído no passado. É a forma mais próxima do original "eram", mas ainda assim expressa certeza, não conjectura. Erro: pretérito perfeito, valor de fato.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A forma "seriam" (futuro do pretérito do indicativo) é a única que expressa conjectura. Ao reescrever a passagem com "não seriam", o autor transforma a afirmação categórica em uma suposição: ele não afirma que as críticas eram à personagem, mas levanta a hipótese de que seriam. É exatamente o sentido pedido no enunciado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A forma "tinham sido" (pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo) indica um fato passado anterior a outro fato passado. Expressa certeza sobre algo que ocorreu antes, não conjectura. Erro: pretérito mais-que-perfeito, valor de fato.

Conclusão

A questão testa o valor semântico dos tempos verbais. A única forma que expressa conjectura é o futuro do pretérito (seriam). As demais alternativas usam tempos que expressam fato (presente, pretérito perfeito, etc.).

PEGA ESSA DICA!

Ao procurar sentido de conjectura, desconfie de tempos que indicam certeza (presente, pretéritos). O futuro do pretérito é o campeão da hipótese, da dúvida, da suposição.

Gabarito: letra D

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