Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — VUNESP 2023
Português›Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
vu182828
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Pindamonhangaba
Ano
2023
Cargo
Prof (Pref Pinda)
Acendendo o sinal amarelo
Na versão gratuita, o aplicativo Replika AI oferece um
amigo ou amiga, alguém com quem conversar. Mas quem
paga pode fazer mais. Pode, por exemplo, transformar a relação em romance. Chegamos ao ponto da inteligência artificial
(IA) em que ficção científica se tornou realidade.
Quem usa o app a sério põe a IA no centro de suas vidas. As conversas são por chat ou por voz. A pessoa pode
escolher se está em busca de amizade, mentoria ou amor.
A mágica não acontece de imediato, mas a cada conversa,
selfie, foto e confidência enviada ao app. E assim, aos poucos, a pessoa artificial que está dentro do celular vai ganhando vida. Ou a ilusão de vida.
A rigor, IAs não são sequer inteligências. São modelos
probabilísticos. Não sabem o que estão dizendo. O que
conhecem é o que têm em suas memórias: uma quantidade abissal de textos escritos por inúmeras pessoas ao
longo dos séculos. O que fazem é calcular que palavras
provavelmente apareceriam num dado contexto.
Um jovem programador relatou ao San Francisco
Chronicle que havia perdido a namorada e, machucado
de um jeito que só quem conheceu a morte sabe, alimentou um desses modelos de linguagem com todos os zaps,
emails e cartas que tinha da moça. Quando percebeu, estava conversando todos os dias com a memória de quem
amou. Era como se ela ainda estivesse lá.
A tecnologia existe e será usada. Pessoas solitárias
encontrarão cada vez mais, em IAs deste tipo, companhia.
Mas há um risco. A vida acontece na relação com gente de
verdade. É quando nossas neuroses são expostas, quando
nos surpreendemos ou nos magoamos. Lidamos melhor
conosco a partir do contato com os outros. É como aprendemos limites e nos civilizamos.
É preciso muita cautela nesse processo. A ilusão da IA
periga criar uma legião de imaturos incapazes de lidar com
suas neuroses.
Na frase “Era como se ela ainda estivesse lá.”, a forma verbal destacada está no pretérito imperfeito do subjuntivo. Esse mesmo tempo verbal está corretamente empregado na alternativa:
ANa festa, se ela contesse o riso, não criaria uma situação tão embaraçosa.
BAs dúvidas teriam sido esclarecidas, assim que o coordenador intervisse na reunião.
CDecidiu-se que os agentes de trânsito retessem, no pátio da instituição, os veículos furtados.
DSe os agricultores supossem que o pesticida comprado contaminaria o açude, não o teriam usado.
EFoi acordado que, tão logo os operários previssem sobrecarga no gerador, desligariam os equipamentos.
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GabaritoE — Foi acordado que, tão logo os operários previssem sobrecarga no gerador, desligariam os equipamentos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Pretérito imperfeito do subjuntivo: conjugação correta
Gabarito: letra E. A única alternativa em que o verbo está corretamente conjugado no pretérito imperfeito do subjuntivo é "previssem" (verbo prever), pois prever é derivado de ver e, por isso, conjuga-se como ele: se eles vissem → se eles previssem. As demais alternativas apresentam formas verbais inexistentes na norma culta — são invenções que a banca criou para testar seu domínio dos verbos derivados.
O comando da questão
A questão pede que você identifique a alternativa em que o verbo está corretamente empregado no pretérito imperfeito do subjuntivo, mesmo tempo do verbo "estivesse" no trecho do texto. Isso significa que você não precisa apenas reconhecer o tempo verbal, mas também verificar se a conjugação está correta — ou seja, se a forma verbal apresentada existe e está adequada à norma culta. O comando é de reconhecimento e emprego: você deve saber tanto identificar o tempo quanto conjugar o verbo corretamente.
A técnica: verbos derivados e a conjugação do subjuntivo
O pretérito imperfeito do subjuntivo é o tempo verbal usado para expressar hipóteses, desejos ou condições irreais no passado. Ele é formado a partir da 3ª pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo, retirando-se a desinência -ram e acrescentando as terminações -sse, -sses, -ssemos, -sseis, -ssem. Por exemplo: eles viram (pretérito perfeito) → se eles vissem (pretérito imperfeito do subjuntivo).
A pegadinha central desta questão está nos verbos derivados. Verbos como prever, intervir, reter, supor e conter são formados a partir de outros verbos (ver, vir, ter, pôr) e, por isso, seguem a conjugação do verbo primitivo. Veja a tabela:
Verbo primitivo
Pret. imperfeito do subjuntivo
Verbo derivado
Pret. imperfeito do subjuntivo
ver
visse
prever
previsse
vir
viesse
intervir
interviesse
ter
tivesse
reter
retivesse
pôr
pusesse
supor
supusesse
ter
tivesse
conter
contivesse
Perceba que a forma correta sempre mantém a vogal temática e a desinência do verbo primitivo. As alternativas erradas trocam essas vogais ou acrescentam letras indevidas, criando formas que não existem.
Análise das alternativas
Verbos derivados no subjuntivo: Ver → visse (Prever → previsse ✅); Vir → viesse (Intervir → interviesse); Ter → tivesse (Reter → retivesse, Conter → contivesse); Pôr → pusesse (Supor → supusesse)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Na festa, se ela contesse o riso, não criaria uma situação tão embaraçosa."
O verbo conter é derivado de ter. Como ter no pretérito imperfeito do subjuntivo é tivesse, o correto seria contivesse. A forma "contesse" não existe na norma culta. Erro: troca de vogal temática — a banca trocou o "i" por "e", criando uma forma inexistente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"As dúvidas teriam sido esclarecidas, assim que o coordenador intervisse na reunião."
O verbo intervir é derivado de vir. Como vir no pretérito imperfeito do subjuntivo é viesse, o correto seria interviesse. A forma "intervisse" não existe. Erro: troca de vogal temática — novamente, a banca trocou o "ie" por "i".
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Decidiu-se que os agentes de trânsito retessem, no pátio da instituição, os veículos furtados."
O verbo reter é derivado de ter. Como ter no pretérito imperfeito do subjuntivo é tivesse, o correto seria retivessem. A forma "retessem" não existe. Erro: troca de vogal temática — a banca trocou o "i" por "e".
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Se os agricultores supossem que o pesticida comprado contaminaria o açude, não o teriam usado."
O verbo supor é derivado de pôr. Como pôr no pretérito imperfeito do subjuntivo é pusesse, o correto seria supusessem. A forma "supossem" não existe. Erro: troca de vogal temática — a banca trocou o "u" por "o".
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Foi acordado que, tão logo os operários previssem sobrecarga no gerador, desligariam os equipamentos."
O verbo prever é derivado de ver. Como ver no pretérito imperfeito do subjuntivo é vissem, o correto é previssem. A forma está perfeitamente conjugada, mantendo a vogal temática "i" e a desinência "-ssem". É a única alternativa que respeita a conjugação do verbo primitivo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre verbos derivados e seus primitivos. O candidato pode aceitar formas como "intervisse", "retessem", "supossem" e "contesse" por analogia incorreta, sem perceber que a conjugação correta segue o verbo de origem (vir, ter, pôr, ver).
PEGA ESSA DICA!
Ao encontrar um verbo derivado, pergunte-se: "qual é o verbo primitivo?" e conjugue o primitivo no mesmo tempo. Se o primitivo for ver, o derivado prever segue a mesma forma. Essa técnica resolve a maioria das questões de conjugação verbal.
Conclusão: a única alternativa com conjugação correta no pretérito imperfeito do subjuntivo é a letra E, pois prever se conjuga como ver: previssem. As demais apresentam formas verbais inexistentes, criadas pela troca indevida da vogal temática.