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Questão de Português — Correlação Verbal — VUNESP 2023

PortuguêsCorrelação Verbal
Código
vu182903
Banca
VUNESP
Órgão
EPC
Ano
2023
Cargo
Ag Prop ( )

Quando Nancy Pelosi, então presidente da Câmara norte-americana, estendeu a mão para o ex-presidente Donald Trump, antes da apresentação do discurso anual do Estado da União, ele se recusou a apertá-la e virou as costas de forma grosseira. Ao fim do discurso, Pelosi rasgou a transcrição ostensivamente como se o texto não valesse o papel em que foi impresso e devesse ser expurgado por completo dos registros históricos.

 

Esses dois gestos, infantis e impulsivos, podem ser considerados insignificantes, mas na verdade foram emblemáticos da maneira como a oposição foi transformada em algo muito mais profundo – um ódio e uma animosidade reais.

 

Naturalmente, a gentileza precisa ser uma via de mão dupla, é difícil ser gentil com aqueles que são abertamente desdenhosos conosco, ainda que talvez isso seja possível para os santos. A santidade, entretanto, não é uma qualidade que se costuma encontrar na vida política, e, dessa forma, não se pode contar com ela para a promoção de um comportamento decente. Apenas a cultura da tolerância pode fazer isso.

 

Lamentavelmente, quanto mais a tolerância é alardeada como uma grande virtude, ou até mesmo como a maior das virtudes, menos ela é praticada na vida cotidiana. Se as pessoas fossem tolerantes, não haveria necessidade de exaltá-la. Na realidade somos assim com os preceitos morais sobre a tolerância: somos tolerantes, mas odiamos pessoas que não concordam conosco.

 

A tolerância requer um devido exercício de falta de sinceridade. Toleramos apenas o que nos causa desagrado, porque não há necessidade de tolerar coisas de que gostamos. Podemos pensar que alguém que tem uma opinião diferente da nossa é um canalha, mas não podemos ter uma discussão civilizada com essa pessoa se revelarmos nossa opinião sincera.

 

Infelizmente, existe um culto de sinceridade no mundo moderno de acordo com o qual nada que esteja na mente de alguém deve ser contido. Porque, se for, vai infectar e acabar causando uma espécie de septicemia psicológica, que vai entrar em erupção como algo terrível. Nessa escala de valores, a insinceridade é o pior dos pecados, e não algo muitas vezes virtuoso e necessário, o óleo que mantém a vida tranquila e relativamente sem fricção.

 

Dessa forma, estamos vivendo sob dois imperativos opostos: o primeiro é ser sempre sincero, e o segundo, ser ao mesmo tempo tolerante. Só podemos reconciliar esses dois imperativos se transformarmos a necessidade da tolerância em seu oposto, isto é, afirmando que opiniões diferentes ou opostas às nossas são, em si, manifestações de intolerância, a única coisa que não podemos tolerar. Assim, começando na tolerância chegamos ao totalitarismo, isto é, ao totalitarismo em nome da tolerância.

 

(Theodore Dalryme, A novilíngua como língua nativa. Disponível em: <revistaoeste.com<. Acesso em 14.02.2023. Adaptado)

Texto

   

Assinale a alternativa que preenche as lacunas dos enunciados a seguir, com os respectivos verbos empregados de acordo com a norma-padrão.

 

Espera-se que o texto            ao menos o papel em que foi impresso.

 

Muito se            a tolerância; no entanto, pouco esforço se faz para praticá-la.

 

Era imperioso que se            o exercício da tolerância.

  1. Avale … alardeava … requereu
  2. Bvalia … alardeou … requeria
  3. Cvalha … alardeia … requeresse
  4. Dvalesse … alardeava … requereria
  5. Evalerá … alardeará … requer
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — valha … alardeia … requeresse

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Correlação Verbal: harmonia entre tempos e modos

Gabarito: letra C. A alternativa correta é a que preenche as lacunas com valha, alardeia, requeresse, pois cada verbo respeita a correlação modo-temporal exigida pela estrutura da oração em que se insere. A primeira lacuna exige o presente do subjuntivo (após "Espera-se que"), a segunda o presente do indicativo (fato atual, sem palavra atrativa), e a terceira o pretérito imperfeito do subjuntivo (após "Era imperioso que").

O comando

A questão pede que você preencha as lacunas com os verbos empregados de acordo com a norma-padrão. Isso significa que a banca não está cobrando apenas o sentido, mas a correlação verbal — a harmonia entre o tempo e o modo do verbo da oração principal e o da oração subordinada. O comando "de acordo com a norma-padrão" indica que a resposta se apoia na gramática normativa, não na variação coloquial.

O texto

O texto-base discute a tolerância e a sinceridade, mas não é o foco da questão. Ele serve apenas como contexto temático — as frases das lacunas foram adaptadas a partir de ideias do texto ("o texto valha ao menos o papel", "Muito se alardeia a tolerância", "Era imperioso que se requeresse o exercício da tolerância"). A resolução depende exclusivamente da sintaxe de cada período, não da interpretação do texto.

A técnica que decide

A chave é identificar a estrutura de cada oração e o tempo/modo do verbo da oração principal. Vejamos:

  1. "Espera-se que o texto __ ao menos o papel em que foi impresso." — A oração principal é "Espera-se" (presente do indicativo). A conjunção "que" introduz uma oração subordinada substantiva subjetiva. Quando a principal está no presente do indicativo, a subordinada deve estar no presente do subjuntivo (para expressar desejo, possibilidade). Portanto, o verbo "valer" deve ficar em valha.

  1. "Muito se __ a tolerância; no entanto, pouco esforço se faz para praticá-la." — Aqui não há oração subordinada; é uma oração simples com sujeito indeterminado (partícula "se" como índice de indeterminação do sujeito). O verbo "alardear" deve estar no presente do indicativo (alardeia), pois expressa um fato atual, uma verdade que se repete. Não há palavra atrativa que exija próclise, mas a forma "se alardeia" é a correta na norma-padrão.

  1. "Era imperioso que se __ o exercício da tolerância." — A oração principal é "Era imperioso" (pretérito imperfeito do indicativo). A conjunção "que" introduz uma oração subordinada substantiva subjetiva. Quando a principal está no pretérito imperfeito do indicativo, a subordinada deve estar no pretérito imperfeito do subjuntivo (para expressar desejo, possibilidade no passado). Portanto, o verbo "requerer" deve ficar em requeresse.

A pegadinha da banca

A banca mistura tempos e modos verbais que parecem plausíveis, mas quebram a harmonia com o verbo da oração principal. A pegadinha clássica é usar o pretérito imperfeito do subjuntivo (valesse) na primeira lacuna, quando o presente do subjuntivo (valha) é o correto, e usar o pretérito imperfeito do indicativo (alardeava) na segunda, quando o presente (alardeia) é o adequado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre presente e pretérito do subjuntivo, e entre presente e pretérito do indicativo. A primeira lacuna pede presente do subjuntivo (valha), não pretérito (valesse). A segunda pede presente do indicativo (alardeia), não pretérito (alardeava).

PEGA ESSA DICA!

Identifique o tempo/modo do verbo da oração principal e aplique a correlação: presente do indicativo → presente do subjuntivo; pretérito imperfeito do indicativo → pretérito imperfeito do subjuntivo.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

vale … alardeava … requereu — O primeiro verbo está no presente do indicativo, mas a oração exige subjuntivo (valha). O segundo está no pretérito imperfeito do indicativo, mas deveria ser presente (alardeia). O terceiro está no pretérito perfeito do indicativo, mas deveria ser pretérito imperfeito do subjuntivo (requeresse). Erro: contradiz a correlação verbal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

valia … alardeou … requeria — O primeiro verbo está no pretérito imperfeito do indicativo, mas a oração exige presente do subjuntivo (valha). O segundo está no pretérito perfeito do indicativo, mas deveria ser presente (alardeia). O terceiro está no pretérito imperfeito do indicativo, mas deveria ser pretérito imperfeito do subjuntivo (requeresse). Erro: contradiz a correlação verbal.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

valha … alardeia … requeresse — O primeiro verbo está no presente do subjuntivo, correto após "Espera-se que". O segundo está no presente do indicativo, correto para expressar fato atual. O terceiro está no pretérito imperfeito do subjuntivo, correto após "Era imperioso que". Correta: respeita a correlação verbal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

valesse … alardeava … requereria — O primeiro verbo está no pretérito imperfeito do subjuntivo, mas a oração exige presente do subjuntivo (valha). O segundo está no pretérito imperfeito do indicativo, mas deveria ser presente (alardeia). O terceiro está no futuro do pretérito do indicativo, mas deveria ser pretérito imperfeito do subjuntivo (requeresse). Erro: contradiz a correlação verbal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

valerá … alardeará … requer — O primeiro verbo está no futuro do presente do indicativo, mas a oração exige presente do subjuntivo (valha). O segundo está no futuro do presente do indicativo, mas deveria ser presente (alardeia). O terceiro está no presente do indicativo, mas deveria ser pretérito imperfeito do subjuntivo (requeresse). Erro: contradiz a correlação verbal.

Conclusão

A correlação verbal é a harmonia entre o tempo e o modo dos verbos de um período. Para acertar, identifique o tempo/modo do verbo da oração principal e aplique a combinação adequada. Gabarito: letra C.

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