Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — VUNESP 2023
Português›Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
vu183031
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SP
Ano
2023
Cargo
Ana ( )
O incômodo lembrete do Tesouro
O governo terá de arrecadar R$ 162,4 bilhões a mais para cumprir a ambiciosa meta de zerar o déficit primário no ano que vem. A projeção não é de especialistas, mas da própria Secretaria do Tesouro Nacional, que divulgou a versão mais recente do Relatório de Projeções Fiscais. O cenário apresentado pelos técnicos resume o tamanho do desafio que o governo terá se quiser realmente cumprir os objetivos definidos por seu próprio arcabouço fiscal, o que requer rever gastos e não contar com receitas que caiam do céu.
A divulgação do relatório traz um pouco de realidade para o cenário macroeconômico, marcado por boas notícias nas últimas semanas. Depois de meses de inflação elevada, o País finalmente registrou uma deflação de 0,08% no mês de junho. Ainda que pontual, o resultado animou economistas e já há quem preveja o IPCA bem mais próximo do teto da meta no fim deste ano. Puxado, sobretudo, pelo agronegócio, o Produto Interno Bruto cresceu 1,9% no primeiro trimestre, elevando as estimativas de crescimento da economia do mercado para 2,19%, segundo o mais recente Boletim Focus, e 2%, segundo o Banco Central.
A aprovação da reforma tributária pela Câmara, por sua vez, trouxe otimismo em relação ao futuro. Embora não tenha efeitos diretos ou imediatos e ainda precise passar pelo crivo do Senado, a perspectiva de simplificação do sistema tributário delineou um cenário de otimismo, em que se antevê um ambiente mais favorável aos negócios, à produção e aos investimentos.
Nesse sentido, o relatório do Tesouro Nacional traz um importante lembrete ao governo: ainda há muito a ser feito na área fiscal, e desde já. O arcabouço já havia sido criticado por uma certa frouxidão e por depender majoritariamente da recuperação de receitas. Mas, ainda que todas as medidas anunciadas pelo Ministério da Fazenda alcancem os resultados almejados, será necessário um esforço ainda maior – e permanente – por parte do governo para atingir as metas fiscais nos próximos anos.
Não há escolha fácil. O contingenciamento de despesas discricionárias foi limitado pelo Congresso, e há muitos gastos já contratados para os próximos anos, como o passivo de precatórios, o avanço das emendas parlamentares, a política de valorização do salário mínimo e a retomada dos mínimos constitucionais para as áreas de saúde e educação, de 15% da receita corrente líquida e de 18% da receita líquida de impostos, respectivamente.
O mercado um cenário menos animador para a economia do país. Agora, com a deflação, já há economistas que o IPCA bem mais próximo do teto da meta no fim deste ano. Graças agronegócio, eles estimam o crescimento da economia de mercado chegará 2,19%.
De acordo com a norma-padrão, as lacunas do enunciado devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Atem previsto … previram … ao … que … a
Bpreveria … prevê … o … de que … a
Ctinha previsto … preveem … ao … que … a
Dteria previsto … preverão … ao … que … à
Eprevira … tem previsto … o … de que … à
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GabaritoC — tinha previsto … preveem … ao … que … a
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Conjugação verbal e regência: preenchendo as lacunas
Gabarito: letra C. A alternativa correta é "tinha previsto … preveem … ao … que … a". A primeira lacuna exige o pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo ("tinha previsto") porque o texto fala de uma ação anterior a outra ação passada — o mercado já havia previsto um cenário menos animador antes da deflação. A segunda lacuna pede o presente do indicativo ("preveem") porque os economistas, agora, com a deflação, projetam o IPCA mais próximo do teto. As lacunas seguintes são de regência: "graças ao agronegócio" (graças a + o = ao), "estimam que o crescimento chegará" (verbo estimar + que) e "chegará a 2,19%" (verbo chegar + a).
O comando da questão
O enunciado pede que você preencha as lacunas "de acordo com a norma-padrão". Isso significa que a questão não testa apenas a compreensão do texto, mas principalmente o emprego correto dos tempos e modos verbais e a regência verbal e nominal. Você precisa, portanto, analisar cada lacuna em seu contexto para decidir qual forma verbal e qual preposição são adequadas.
O texto e o movimento argumentativo
O texto fala sobre o relatório do Tesouro Nacional e o cenário econômico. No segundo parágrafo, há a informação-chave para esta questão: "Depois de meses de inflação elevada, o País finalmente registrou uma deflação de 0,08% no mês de junho. Ainda que pontual, o resultado animou economistas e já há quem preveja o IPCA bem mais próximo do teto da meta no fim deste ano. Puxado, sobretudo, pelo agronegócio, o Produto Interno Bruto cresceu 1,9% no primeiro trimestre, elevando as estimativas de crescimento da economia do mercado para 2,19%."
Aqui, o autor narra fatos passados (a deflação, o crescimento do PIB) e, a partir deles, apresenta projeções atuais dos economistas. Essa relação temporal é o que define a conjugação verbal correta.
A técnica que decide: tempo verbal e regência
Primeira lacuna — "O mercado ___ um cenário menos animador"
O texto diz que o mercado já havia previsto um cenário menos animador antes da deflação. Como a deflação é um fato passado ("registrou"), a previsão do mercado é anterior a um fato passado, o que exige o pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo: "tinha previsto". Essa forma é formada pelo verbo auxiliar "ter" no pretérito imperfeito + particípio do verbo principal.
Segunda lacuna — "já há economistas que ___ o IPCA"
Aqui, o verbo "prever" deve concordar com "economistas" (3ª pessoa do plural) e estar no presente do indicativo, pois expressa uma ação que ocorre no momento da fala: "preveem". O texto confirma: "já há quem preveja" — mas a lacuna pede a forma conjugada para "economistas", que é "preveem".
Terceira lacuna — "Graças ___ agronegócio"
A expressão "graças a" exige a preposição "a". Como "agronegócio" é um substantivo masculino, ocorre a contração "ao". O texto diz "Puxado, sobretudo, pelo agronegócio", mas a lacuna pede a regência de "graças a", que é "graças ao agronegócio".
Quarta lacuna — "eles estimam ___ o crescimento"
O verbo "estimar" no sentido de "calcular, projetar" rege a conjunção integrante "que", introduzindo uma oração subordinada substantiva objetiva direta: "estimam que o crescimento chegará".
Quinta lacuna — "chegará ___ 2,19%"
O verbo "chegar" exige a preposição "a". Como "2,19%" é um numeral, não ocorre crase (não há artigo definido feminino). Portanto: "chegará a 2,19%".
Análise das alternativas
1Identificar tempo verbal pelo contexto
2Verificar concordância com o sujeito
3Checar regência (preposição exigida)
4Desconfiar de crase antes de numeral
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"tem previsto … previram … ao … que … a"
"tem previsto": forma composta com auxiliar no presente, indicando ação que começou no passado e continua no presente. O texto pede uma ação anterior a outra passada, então o correto é "tinha previsto".
"previram": pretérito perfeito, mas o texto fala de uma projeção atual dos economistas, então o presente "preveem" é o adequado.
As demais lacunas estão corretas, mas os erros nas duas primeiras já invalidam a alternativa.
Erro: troca de tempo verbal (pretérito mais-que-perfeito composto por presente composto; presente do indicativo por pretérito perfeito).
Alternativa B — ❌ Incorreta
"preveria … prevê … o … de que … a"
"preveria": futuro do pretérito, indicando condição ou fato futuro em relação a um passado. O texto pede uma ação anterior a outra passada, então o correto é "tinha previsto".
"prevê": presente do indicativo, mas sem concordância com "economistas" (3ª pessoa do plural) — o correto é "preveem".
"o": a regência de "graças a" exige "ao", não "o".
"de que": o verbo "estimar" rege "que", não "de que".
Erro: troca de tempo verbal, erro de concordância verbal e troca de regência.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"tinha previsto … preveem … ao … que … a"
"tinha previsto": pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo, indicando ação anterior a outra passada. O texto confirma: "Depois de meses de inflação elevada, o País finalmente registrou uma deflação" — a previsão do mercado é anterior a esse registro.
"preveem": presente do indicativo, 3ª pessoa do plural, concordando com "economistas". O texto diz: "já há quem preveja o IPCA bem mais próximo do teto" — a projeção é atual.
"ao": contração de "a" + "o", exigida por "graças a".
"que": conjunção integrante exigida por "estimar".
"a": preposição exigida por "chegar", sem crase antes de numeral.
Todas as lacunas preenchidas conforme a norma-padrão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"teria previsto … preverão … ao … que … à"
"teria previsto": futuro do pretérito composto, indicando ação futura em relação a um passado. O texto pede uma ação anterior a outra passada, então o correto é "tinha previsto".
"preverão": futuro do presente, mas o texto fala de uma projeção atual, então o presente "preveem" é o adequado.
"à": crase antes de numeral é incorreta, pois não há artigo definido feminino. O correto é "a".
Erro: troca de tempo verbal e crase indevida.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"previra … tem previsto … o … de que … à"
"previra": pretérito mais-que-perfeito simples, que também indica ação anterior a outra passada, mas o texto pede a forma composta "tinha previsto" (mais comum na norma-padrão atual).
"tem previsto": presente composto, mas o texto pede o presente simples "preveem" para concordar com "economistas".
"o": regência de "graças a" exige "ao".
"de que": verbo "estimar" rege "que".
"à": crase indevida antes de numeral.
Erro: troca de tempo verbal, erro de concordância, troca de regência e crase indevida.
Conclusão
A alternativa C é a única que preenche todas as lacunas corretamente, respeitando a norma-padrão de conjugação verbal e regência. As demais alternativas erram em pelo menos um dos aspectos, seja no tempo verbal, na concordância, na regência ou na crase.
PEGA ESSA DICA!
Ao preencher lacunas, identifique primeiro o tempo verbal pelo contexto (ação anterior, simultânea ou posterior) e depois a regência (que preposição o verbo ou nome exige). Desconfie de crase antes de numerais e de formas verbais que não concordam com o sujeito.