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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — VUNESP 2023

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
vu183202
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2023
Cargo
Sold ( )

Os prejuízos de excluir mulheres de ensaios clínicos

 

A aspirina foi um dos primeiros medicamentos produzidos em laboratório e amplamente comercializados, ainda no final do século 19. Desde então, foram realizados milhares de testes que avaliaram sua eficácia para diferentes condições de saúde, como na prevenção do infarto. Só recentemente, porém, demonstrou-se que esse efeito não é o mesmo para homens e mulheres: entre elas, não houve redução no risco de sofrer um ataque cardíaco. A aspirina é apenas um dos muitos medicamentos utilizados há décadas e que não foram testados em mulheres em particular.

 

Tal negligência é agravada porque, a partir da puberdade, a prevalência de uso de medicamentos é maior entre o sexo feminino. Além disso, elas também apresentam cerca de duas vezes mais reações adversas às medicações do que os homens.

 

As mulheres foram excluídas ou sub-representadas nos ensaios clínicos durante décadas, com consequências históricas e prejuízos que ainda persistem. A talidomida, lançada por um laboratório alemão em 1956, tinha diversas indicações — podia atuar como sonífero, calmante e antiemético, ou seja, para controlar vômitos. Vendida sem prescrição médica e propagandeada como “sem riscos”, acabou sendo adotada por gestantes, para aliviar os enjoos típicos. A talidomida logo se tornou muito popular em 49 países, mas só depois de cinco anos se provou que ela provocava malformações fetais. Cerca de 10 mil bebês foram afetados, e metade não sobreviveu.

 

Embora a participação de mulheres em ensaios clínicos e até mesmo o uso de roedores fêmeas em testes experimentais tenha aumentado nos últimos anos, o cenário ainda é desigual: elas seguem sub-representadas em estudos de diversas áreas médicas, e algumas pesquisas não analisam os dados por sexo.

 

Tanta discrepância acarreta erros nos tratamentos, riscos elevados de efeitos adversos e até mesmo uma espera maior por diagnósticos, já que muitos sintomas foram estudados sobretudo em homens. Para proteger a saúde das mulheres, as especificidades delas não podem ser negligenciadas. Elas devem ser incluídas nos estudos clínicos desde o início, e as diferentes respostas entre os sexos precisam ser levadas em consideração.

 

(Rossana Soletti. Folha de S. Paulo. 08.12.2022)

No trecho – Embora a participação de mulheres em ensaios clínicos e até mesmo o uso de roedores fêmeas em testes experimentais tenha aumentado nos últimos anos... – a forma verbal destacada expressa:

  1. Aincerteza em relação ao futuro.
  2. Bsituação que se repete no momento da fala.
  3. Cação iniciada no passado e já concluída.
  4. Dhipótese a respeito do passado.
  5. Efato que ocorre habitualmente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — ação iniciada no passado e já concluída.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego do pretérito perfeito composto do subjuntivo

Gabarito: letra C. A forma verbal "tenha aumentado" expressa uma ação iniciada no passado e já concluída — exatamente o valor do pretérito perfeito composto do subjuntivo. No trecho, o autor afirma que a participação de mulheres e o uso de roedores fêmeas "aumentado nos últimos anos", ou seja, um processo que começou em algum momento anterior e se completou antes do momento da fala. A pista decisiva está no próprio texto: a locução "nos últimos anos" delimita um período que se encerra no presente, e o verbo no subjuntivo composto indica que esse aumento já se concretizou.

"Embora a participação de mulheres em ensaios clínicos e até mesmo o uso de roedores fêmeas em testes experimentais tenha aumentado nos últimos anos..."

A forma "tenha aumentado" é composta pelo verbo auxiliar "ter" no presente do subjuntivo (tenha) + o particípio do verbo principal (aumentado). Essa estrutura forma o pretérito perfeito composto do subjuntivo, que indica um fato passado, concluído, mas que mantém relação com o presente — exatamente o que a alternativa C descreve.

O comando da questão

O enunciado pede que se identifique o valor semântico da forma verbal destacada, ou seja, o que ela expressa no contexto. Não se trata de classificar o tempo verbal de forma isolada, mas de reconhecer o efeito de sentido que a forma produz na frase. Isso exige conhecimento da conjugação verbal e da semântica dos tempos compostos.

A técnica para resolver

  1. Identifique a forma verbal: "tenha aumentado" = presente do subjuntivo do verbo ter + particípio de aumentar.

  2. Reconheça o tempo composto: a estrutura "ter + particípio" forma o pretérito perfeito composto, tanto no indicativo (tenho aumentado) quanto no subjuntivo (tenha aumentado).

  3. Analise o valor: o pretérito perfeito composto indica ação concluída no passado, com ênfase no resultado que perdura ou se conecta ao presente. No subjuntivo, mantém esse valor, mas acrescenta a noção de hipótese, dúvida ou concessão — aqui, introduzido pela conjunção "embora".

  4. Confirme com o contexto: a expressão "nos últimos anos" reforça que o aumento ocorreu em um período que termina no presente, ou seja, ação passada e concluída.

Análise das alternativas

1Estrutura
Auxiliar "ter" no presente do subjuntivo (tenha)
Particípio do verbo principal (aumentado)
2Valor semântico
Ação iniciada no passado
Já concluída
Relação com o presente
3Pistas contextuais
"Nos últimos anos"
"Já", "recentemente"
4Confusões comuns
Presente (habitualidade)
Futuro (incerteza)
Mais-que-perfeito (hipótese passada)
Pretérito perfeito composto do subjuntivo
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Pretérito perfeito composto do subjuntivo: Estrutura (Auxiliar "ter" no presente do subjuntivo (tenha), Particípio do verbo principal (aumentado)); Valor semântico (Ação iniciada no passado, Já concluída, Relação com o presente); Pistas contextuais ("Nos últimos anos", "Já", "recentemente"); Confusões comuns (Presente (habitualidade), Futuro (incerteza), Mais-que-perfeito (hipótese passada))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Incerteza em relação ao futuro. O pretérito perfeito composto do subjuntivo não expressa futuro. O futuro do subjuntivo seria "aumentar" (quando aumentar), e o futuro do presente do indicativo seria "aumentará". A forma "tenha aumentado" refere-se a um fato passado, não a algo que ainda virá. A alternativa extrapola o sentido do tempo verbal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Situação que se repete no momento da fala. Essa é a descrição do presente do indicativo (aumenta) ou do presente do subjuntivo (aumente), que indicam ação habitual ou atual. "Tenha aumentado" não expressa repetição no presente; expressa um aumento único e concluído no passado. A alternativa confunde o pretérito perfeito composto com o presente.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Ação iniciada no passado e já concluída. Exatamente o valor do pretérito perfeito composto do subjuntivo. O texto diz que o aumento "nos últimos anos" já ocorreu e se completou antes do momento da fala. A forma "tenha aumentado" indica um fato passado concluído, e a conjunção "embora" introduz uma concessão — apesar de o aumento ter ocorrido, o cenário ainda é desigual. A alternativa está inteiramente sustentada pelo texto e pela gramática.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Hipótese a respeito do passado. O pretérito perfeito composto do subjuntivo pode, em alguns contextos, expressar hipótese, mas não a respeito do passado de forma genérica. A hipótese sobre o passado seria expressa pelo mais-que-perfeito composto do subjuntivo (tivesse aumentado) ou pelo futuro do pretérito composto (teria aumentado). No trecho, "tenha aumentado" não expressa hipótese, mas fato real — o aumento de fato ocorreu, apenas é apresentado como concessão. A alternativa troca o valor do tempo verbal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Fato que ocorre habitualmente. A habitualidade é própria do presente do indicativo (aumenta) ou do pretérito imperfeito do indicativo (aumentava). O pretérito perfeito composto indica ação pontual e concluída, não ação repetida. O texto fala de um aumento que já aconteceu, não de um hábito. A alternativa restringe o sentido do tempo verbal, atribuindo-lhe um valor que ele não possui.

Conclusão

A questão testa o reconhecimento do pretérito perfeito composto do subjuntivo e seu valor semântico. A forma "tenha aumentado" expressa ação passada e concluída, confirmada pela expressão "nos últimos anos". As demais alternativas ou confundem o tempo com outros (presente, futuro, imperfeito) ou extrapolam o sentido. Para acertar, lembre-se: ter + particípio = pretérito perfeito composto, e o subjuntivo apenas acrescenta a noção de concessão/hipótese, sem mudar o aspecto de ação concluída.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar um tempo composto, pergunte-se: "a ação já terminou?" Se sim, é pretérito perfeito (ou mais-que-perfeito). Se não, é presente ou futuro. A presença de expressões como "nos últimos anos", "já", "recentemente" costuma indicar ação concluída.

Gabarito: letra C

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