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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — VUNESP 2023

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
vu183564
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2023
Cargo
2º AEM ( )

POEMA DE FINADOS


Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.


Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.


O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto ali.


(BANDEIRA, Manuel. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro:
Cia. José Aguilar, 1967, p. 265)

Para responder à questão, leia o poema de Manuel Bandeira.     No poema, são empregados verbos no
  1. Aimperativo para solicitar a um interlocutor que aja em lugar do eu-lirico.
  2. Binfinitivo para solicitar a um interlocutor que aja em nome do eu-lirico.
  3. Cimperativo para solicitar ao pai falecido que aguarde pelo eu-lirico.
  4. Dinfinitivo para solicitar ao pai falecido que aguarde pelo eu-lirico.
  5. Efuturo do presente porque o dia dos mortos seria no dia seguinte.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — imperativo para solicitar a um interlocutor que aja em lugar do eu-lirico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Modo imperativo no poema: quem recebe a ordem?

Gabarito: letra A. No poema, os verbos "Vai", "procura", "Leva" e "Ajoelha" estão no modo imperativo e são dirigidos a um interlocutor — o filho — para que ele aja em lugar do eu lírico, que não pode ir ao cemitério. A passagem que prova isso é a estrofe inicial:

"Amanhã que é dia dos mortos / Vai ao cemitério. Vai / E procura entre as sepulturas / A sepultura de meu pai."

O eu lírico pede que outra pessoa (o filho) vá ao cemitério e procure a sepultura do pai — ou seja, que aja em seu lugar. As alternativas que falam em "infinitivo" ou em "pai falecido" erram o modo verbal ou o interlocutor.

O comando da questão

A questão pede que você reconheça o modo verbal empregado no poema e identifique a função desse modo no contexto. Não é uma questão de interpretação profunda, mas de gramática aplicada ao texto: você precisa (1) identificar que os verbos estão no imperativo e (2) entender a quem o eu lírico se dirige. O comando "são empregados verbos no" exige que você complete com a alternativa que descreve corretamente o modo e a função.

O texto: tema e movimento

O poema "Poema de Finados", de Manuel Bandeira, é uma instrução do eu lírico a alguém — provavelmente um filho — para que vá ao cemitério no Dia de Finados e visite o túmulo do pai. O eu lírico, que se sente "morto" espiritualmente ("E em verdade estou morto ali"), não pode ou não quer ir, então delega a tarefa a outro. Os verbos no imperativo — "Vai", "procura", "Leva", "Ajoelha" — são ordens diretas a esse interlocutor. A chave está na segunda estrofe:

"Ajoelha e reza uma oração. / Não pelo pai, mas pelo filho: / O filho tem mais precisão."

Aqui, o eu lírico revela que a oração deve ser feita pelo filho (que é o próprio eu lírico, que se sente morto), não pelo pai. Isso confirma que o interlocutor é o filho, que age em lugar do eu lírico.

A técnica que decide

A questão mistura reconhecimento de modo verbal com interpretação do contexto. Para acertar, você precisa:

  1. Identificar o modo: "Vai", "procura", "Leva", "Ajoelha" e "reza" são formas do imperativo afirmativo (2ª pessoa do singular). O imperativo expressa ordem, pedido, conselho — exatamente o que o eu lírico faz.

  2. Identificar o interlocutor: o eu lírico não se dirige ao pai falecido (que está morto e não pode agir), mas a um interlocutor vivo — o filho — para que execute a ação em seu lugar.

A pegadinha da banca está em confundir o modo verbal (imperativo × infinitivo) e o interlocutor (filho × pai). As alternativas B, C e D exploram exatamente essas confusões.

Análise das alternativas

Verbos no poema
  • 1Modo
    • Imperativo (ordem/pedido)
      • Vai
      • procura
      • Leva
      • Ajoelha
    • Infinitivo (não ocorre)
    • Futuro do presente (não ocorre)
  • 2Interlocutor
    • Filho (vivo, age no lugar do eu lírico)
    • Pai falecido (não recebe ordens)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A está correta porque os verbos "Vai", "procura", "Leva", "Ajoelha" e "reza" estão no modo imperativo e são dirigidos a um interlocutor (o filho) para que ele aja em lugar do eu lírico. O eu lírico não pode ir ao cemitério (sente-se morto: "E em verdade estou morto ali"), então pede que o filho vá por ele. A passagem que prova:

"Amanhã que é dia dos mortos / Vai ao cemitério. Vai / E procura entre as sepulturas / A sepultura de meu pai."

O imperativo "Vai" é uma ordem direta a alguém que pode ir — o filho — para que execute a ação no lugar do eu lírico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B está incorreta porque os verbos não estão no infinitivo, mas no imperativo. "Vai", "procura", "Leva", "Ajoelha" são formas flexionadas do imperativo, não formas nominais como "ir", "procurar", "levar", "ajoelhar". O infinitivo seria usado em construções como "é preciso ir ao cemitério", o que não ocorre no poema. A alternativa erra o modo verbal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C está incorreta porque o interlocutor não é o pai falecido, mas o filho. O eu lírico não pede ao pai que aguarde; pede ao filho que vá ao cemitério e faça a oração. Além disso, o pai está morto e não pode receber ordens. A passagem que prova:

"Ajoelha e reza uma oração. / Não pelo pai, mas pelo filho: / O filho tem mais precisão."

A oração é pelo filho (o eu lírico), não pelo pai. O interlocutor é o filho, que age em lugar do eu lírico. A alternativa erra o interlocutor.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D está incorreta por dois motivos: (1) os verbos estão no imperativo, não no infinitivo; (2) o interlocutor é o filho, não o pai falecido. A alternativa combina os dois erros das alternativas B e C. O eu lírico não pede ao pai que aguarde; pede ao filho que vá ao cemitério em seu lugar.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E está incorreta porque os verbos "Vai", "procura", "Leva", "Ajoelha" não estão no futuro do presente, mas no imperativo. O futuro do presente seria "irá", "procurará", "levará", "ajoelhará" — formas que não aparecem no poema. A alternativa erra o tempo verbal.

Conclusão

A questão exige que você reconheça o modo verbal e identifique o interlocutor no contexto. A alternativa A é a única que acerta ambos: os verbos estão no imperativo e são dirigidos ao filho para que ele aja em lugar do eu lírico. As demais alternativas erram o modo (infinitivo), o interlocutor (pai) ou o tempo (futuro).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre imperativo e infinitivo (formas nominais) e entre filho e pai como interlocutores. Fique atento: o imperativo é uma ordem direta; o infinitivo é uma forma nominal que não expressa ordem por si só.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o modo verbal, pergunte: "o verbo expressa ordem, pedido ou conselho?" Se sim, é imperativo. Depois, pergunte: "a quem o eu lírico se dirige?" — a resposta está no texto, não no mundo real.

Gabarito: letra A

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