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Questão de Português — Denotação e Conotação — VUNESP 2023

PortuguêsDenotação e Conotação
Código
vu183593
Banca
VUNESP
Órgão
TCM SP
Ano
2023
Cargo
ACE ( )

Folia agigantada


    São Paulo prepara-se para ser palco do maior Carnaval de rua de sua história. Pela primeira vez, a cidade, que já foi apelidada de “túmulo do samba”, terá desfiles em todas as suas 32 subprefeituras.   

    Também em número de blocos, a folia promete expansão inédita. Os números são preliminares, mas as 490 agremiações do ano passado deverão ser largamente suplantadas, com aumento previsto de 70%. Novas atrações também animarão a festa, como o famoso Galo da Madrugada, de Pernambuco.

    Levantamentos preliminares sugerem que a capital paulista poderá ser o principal destino turístico do país durante os festejos, suplantando Rio de Janeiro e Salvador. Com isso, projeta-se aumento da circulação de dinheiro, em favor de hotéis, bares, comércio etc.

    No cenário animador, um certo clima de ufanismo parece contagiar quadros da prefeitura, que tem em seus membros um carnavalesco conhecido – o secretário de Cultura, Alê Youssef, fundador do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta. O carnavalesco, que representa uma face mais progressista do governo municipal, vê no Carnaval também um meio de manifestação política. O secretário já declarou que pretende fazer com que a festa seja um contraponto a ameaças à liberdade de expressão.

    A expansão do Carnaval de rua é um fenômeno que se observa há anos em diversas cidades. No Rio, por exemplo, os blocos começaram a reconquistar as ruas a partir da primeira década do século. O retorno do que seria um tipo mais autêntico de comemoração provocou simpatias e elogios da população e de cronistas da festa.

     Com o tempo, contudo, a outra face do crescimento da folia foi-se mostrando problemática – a insuficiência de banheiros públicos, o aumento de furtos, o trânsito interrompido, as áreas protegidas ocupadas por blocos não autorizados e o excesso de barulho.

    A Prefeitura de São Paulo afirma que reestruturou o planejamento do evento com vistas a diminuir os transtornos. Ao longo de 37 reuniões, os trajetos passaram pelo crivo de diversos órgãos, como CET, SPTrans (responsável pelos ônibus), polícia e GCM (Guarda Civil Metropolitana). Medidas em outras áreas também foram anunciadas.

    Cabe às autoridades, agora, fazer com que a propalada reorganização saia do papel e garanta à cidade e a seus moradores um padrão aceitável de funcionamento.


(Editorial, “Folia agigantada”. Folha de S.Paulo, 05.02.2020. Adaptado)

Texto

   

No editorial, identifica-se linguagem denotativa na passagem

  1. A“São Paulo prepara-se para ser palco do maior Carnaval de rua de sua história.” (1o parágrafo), na qual se enaltece o carnaval de rua de São Paulo, considerado como o melhor do Brasil.
  2. B“Também em número de blocos, a folia promete expansão inédita.” (2o parágrafo), na qual se mostra que os números do carnaval de São Paulo ultrapassam os de Salvador e do Rio de Janeiro.
  3. C“um certo clima de ufanismo parece contagiar quadros da prefeitura” (4o parágrafo), na qual se sugere uma certa desconfiança na prefeitura quanto à produção de um grande carnaval.
  4. D“A Prefeitura de São Paulo afirma que reestruturou o planejamento do evento” (7o parágrafo), na qual se expressa o papel da Prefeitura na organização do evento para torná-lo melhor.
  5. E“e garanta à cidade e a seus moradores um padrão aceitável de funcionamento.” (8o parágrafo), na qual se ironiza a capacidade de reorganização do carnaval paulista pela Prefeitura da cidade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “A Prefeitura de São Paulo afirma que reestruturou o planejamento do evento” (7o parágrafo), na qual se expressa o papel da Prefeitura na organização do evento para torná-lo melhor.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Denotação e Conotação: identificando o sentido literal no editorial

Gabarito: letra D. A única passagem em linguagem denotativa é “A Prefeitura de São Paulo afirma que reestruturou o planejamento do evento”, pois todas as palavras são empregadas em seu sentido literal, dicionarizado, sem metáfora, ironia ou juízo de valor. As demais alternativas ou contêm expressões conotativas (figuradas) ou atribuem ao texto interpretações que ele não sustenta.

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique a passagem em que a linguagem é denotativa. Isso é uma questão de semântica aplicada ao texto: você precisa reconhecer quando as palavras estão em seu sentido próprio, objetivo (denotação) e quando estão em sentido figurado, subjetivo (conotação). Não se trata de interpretar o que o autor “quis dizer” além do texto, mas de classificar o uso da linguagem em cada trecho.

O texto e o movimento argumentativo

O editorial “Folia agigantada” trata da expansão do Carnaval de rua em São Paulo. Nos primeiros parágrafos, o tom é de entusiasmo (“maior Carnaval de rua de sua história”, “expansão inédita”). No 4º parágrafo, surge uma avaliação (“um certo clima de ufanismo parece contagiar quadros da prefeitura”) e, no 6º, uma crítica aos problemas (“a outra face do crescimento da folia foi-se mostrando problemática”). O 7º parágrafo, porém, é informativo: relata o que a Prefeitura afirma ter feito, sem metáforas ou ironias. É exatamente aí que mora a resposta.

A técnica que decide

Denotação = sentido literal, de dicionário, independente do contexto. Conotação = sentido figurado, que depende do contexto e cria imagens, metáforas, ironias. Para resolver, leia cada trecho e pergunte: as palavras estão sendo usadas no sentido que têm no dicionário, ou ganharam um sentido novo, figurado?

  • Na letra D, “reestruturou o planejamento do evento” é uma afirmação factual: a Prefeitura reorganizou o planejamento. Não há nenhuma palavra em sentido figurado. É denotação pura.

  • Nas outras, há conotação ou interpretação indevida:

    • A: “palco do maior Carnaval” — “palco” é metáfora (a cidade não é um palco físico); além disso, o texto não diz que é “o melhor do Brasil”, apenas que será o maior em número de blocos e subprefeituras.

    • B: “a folia promete expansão inédita” — “folia” é metonímia (a festa pelo povo que festeja); e o texto não compara os números com Salvador e Rio, apenas diz que a capital paulista “poderá ser o principal destino turístico”.

    • C: “um certo clima de ufanismo parece contagiar quadros da prefeitura” — “clima” e “contagiar” são metáforas (ufanismo não é doença que contagia); além disso, o texto não sugere “desconfiança”, mas sim um tom de crítica leve.

    • E: “garanta à cidade e a seus moradores um padrão aceitável de funcionamento” — a palavra “aceitável” carrega juízo de valor (o que é aceitável?), e a alternativa diz que há ironia, mas o texto não ironiza; é uma recomendação séria.

Análise das alternativas

Linguagem
  • 1Denotativa
    • Sentido literal (dicionário)
    • Ex.: "Prefeitura reestruturou o planejamento"
  • 2Conotativa
    • Sentido figurado (contexto)
    • Metáfora: "palco", "clima", "contagiar"
    • Metonímia: "folia"
    • Juízo de valor: "aceitável"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

“São Paulo prepara-se para ser palco do maior Carnaval de rua de sua história.”

A expressão “palco” é conotativa (metáfora): a cidade não é um palco físico, mas um local onde o evento ocorre. Além disso, a alternativa extrapola ao afirmar que o texto enaltece o carnaval como “o melhor do Brasil” — o texto diz apenas que será o maior da história, não o melhor. Erro: conotação + extrapolação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Também em número de blocos, a folia promete expansão inédita.”

“Folia” é metonímia (a festa pelo povo que festeja) — sentido figurado. E a alternativa contradiz o texto: ele não compara os números com Salvador e Rio; apenas afirma que a capital paulista “poderá ser o principal destino turístico”, o que é uma projeção, não uma comparação de números. Erro: conotação + contradição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“um certo clima de ufanismo parece contagiar quadros da prefeitura”

“Clima” e “contagiar” são metáforas (ufanismo não é doença que contagia). Além disso, a alternativa acrescenta opinião ao dizer que há “desconfiança na prefeitura” — o texto apenas observa que há um clima de ufanismo, sem afirmar que a prefeitura desconfia da produção do carnaval. Erro: conotação + opinião embutida.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“A Prefeitura de São Paulo afirma que reestruturou o planejamento do evento”

Aqui todas as palavras estão em sentido literal: a Prefeitura (órgão) afirma (declara) que reestruturou (reorganizou) o planejamento (organização) do evento. Não há metáfora, ironia ou juízo de valor. É uma afirmação factual, típica de linguagem denotativa. A alternativa ainda explica corretamente o papel da Prefeitura: organizar o evento para torná-lo melhor, o que o texto confirma ao dizer que as medidas visam “diminuir os transtornos”.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“e garanta à cidade e a seus moradores um padrão aceitável de funcionamento.”

A palavra “aceitável” é subjetiva (o que é aceitável varia de pessoa para pessoa), o que já indica um juízo de valor, não sentido literal puro. Além disso, a alternativa inventa uma ironia que não existe: o texto faz uma recomendação séria às autoridades, não uma zombaria. Erro: opinião embutida + extrapolação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura passagens com metáforas (“palco”, “clima”, “contagiar”) e uma com sentido literal, e ainda tenta fazer você acreditar que há ironia onde não há. Desconfie de alternativas que acrescentam interpretações (como “melhor do Brasil” ou “desconfiança”) — o texto não diz isso.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar denotação, pergunte: as palavras podem ser entendidas ao pé da letra? Se sim, é denotação. Se dependem de contexto para criar imagem (metáfora, metonímia, ironia), é conotação.

Conclusão: a única passagem com linguagem denotativa é a da letra D, pois todas as palavras estão em sentido literal, sem figuras de linguagem. As demais ou contêm conotação ou acrescentam interpretações que o texto não autoriza.

Gabarito: letra D

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