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Questão de Português — Questões Variadas de Classe de Palavras — VUNESP 2023

PortuguêsQuestões Variadas de Classe de Palavras
Código
vu183606
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Jaguariúna
Ano
2023
Cargo
Ag ( )

Éramos quatro escritoras em volta de uma mesa, num restaurante. A conversa não podia estar mais divertida. Até que um sujeito passou por nós, nos reconheceu, cumprimentou e disse: “Posso imaginar o papo cabeça que está rolando aí”. E saiu de perto com uma cara de “Deus me livre”.

 

O simpático cidadão ficaria corado se escutasse um pedacinho do nosso “papo cabeça”. Logo nos perguntamos: será mesmo que as pessoas pensam que a gente se reúne para falar sobre filósofos e que tentamos desvendar o significado de cada verso dos Lusíadas enquanto dividimos uma pizza marguerita?

 

Não abro mão de conversas inteligentes, mas, para longas dissertações, existe hora e lugar. Eu mesma, podendo, corro para o outro lado quando alguém começa uma conferência didática-enciclopédica em mesa de bar. Numa sala de universidade, é estimulante. Em meio a uma palestra num auditório, empolga. Escutar um sábio falar durante um jantar, na casa de alguém, salva a noite. Mas num boteco barulhento, em meio a bolinhos de bacalhau, copos de chope e cercado por amigos da adolescência, quem vai querer escutar sobre a profundidade poética de um brilhante cineasta polonês?

 

E se for um primeiro jantar a dois, romântico, aí o papo cabeça funciona mais ou menos como um ex que entrou no recinto para quebrar o clima. Dá aquela vontade súbita de pedir a conta.

 

Em nosso último encontro, minhas amigas e eu conversamos sobre as vantagens triunfais da maturidade, sobre a diferença da nossa geração para a de nossos filhos, sobre a viagem que uma de nós fez aos Lençóis Maranhenses, sobre a Anitta, sobre uma fofoca que aconteceu na cidade, sobre uma exposição que ainda está em cartaz em São Paulo, sobre paixões infernais, sobre amores inventados e mais outras coisas porque os assuntos são sempre múltiplos e vêm acompanhados de muitas gargalhadas. Somos criaturas trágicas, mas isso a gente deixa para debater na consulta com o analista. Fora do horário do expediente, nosso papo cabeça desce a linha do pescoço, ronda o coração e onde mais a alma alcança — enquanto isso, o cérebro descansa.

 

(Martha Medeiros. Papo cabeça. https://oglobo.globo.com, 24.09.2022. Adaptado)

Texto

   

Assinale a alternativa em que o vocábulo destacado introduz ideia de finalidade no contexto em que se encontra.

  1. AAté que um sujeito passou por nós, nos reconheceu… (1o parágrafo)
  2. B… uma conferência didática-enciclopédica em mesa de bar. (3o parágrafo)
  3. CEscutar um sábio falar durante um jantar… (3o parágrafo)
  4. D… um ex que entrou no recinto para quebrar o clima… (4o parágrafo)
  5. E… mas isso a gente deixa para debater na consulta com o analista. (5o parágrafo)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — … um ex que entrou no recinto para quebrar o clima… (4o parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Finalidade: a locução "para que" no 4º parágrafo

Gabarito: letra D. O vocábulo destacado que introduz ideia de finalidade é "para que" em "um ex que entrou no recinto para quebrar o clima" — a locução prepositiva "para" + verbo no infinitivo expressa o objetivo da ação de "entrar no recinto". Como se lê no 4º parágrafo: "E se for um primeiro jantar a dois, romântico, aí o papo cabeça funciona mais ou menos como um ex que entrou no recinto para quebrar o clima." A pergunta "entrou para quê?" — para quebrar o clima — revela a finalidade.

O comando pede que se identifique, no contexto, o vocábulo que expressa finalidade. Isso não é uma questão de compreensão global do texto, mas de semântica aplicada à sintaxe: é preciso reconhecer o valor da preposição "para" (ou da locução "para que") quando introduz uma oração subordinada adverbial final. A banca não quer que você interprete o texto, mas que classifique o sentido de um conectivo/preposição dentro da frase. A técnica é simples: pergunte "com que objetivo?", "para quê?" — se a resposta estiver na oração introduzida pelo vocábulo, é finalidade.

O texto de Martha Medeiros discute o estereótipo do "papo cabeça" — a ideia de que escritoras reunidas só falam de temas profundos. A autora desconstrói isso mostrando que a conversa é múltipla e descontraída. No 4º parágrafo, ela compara o "papo cabeça" num jantar romântico a um ex que entra no recinto: ambos têm o poder de "quebrar o clima". É exatamente aí que mora a finalidade: o ex entra com o objetivo de quebrar o clima. A locução "para quebrar" indica a intenção, o propósito da ação.

A armadilha central desta questão é confundir finalidade com outras relações semânticas que a preposição "para" pode assumir. Em "deixar para debater" (alternativa E), o "para" indica tempo futuro (adiamento), não finalidade. Em "falar durante um jantar" (alternativa C), "durante" é preposição de tempo. A banca explora a polissemia da preposição "para", que pode indicar direção, tempo, finalidade, entre outros valores — o contexto decide.

O gancho para acertar: teste cada alternativa perguntando "com que objetivo?". Se a oração responder a essa pergunta, é finalidade. Se responder a "quando?", "onde?", "como?", é outra relação. A única que responde a "com que objetivo?" é a letra D.

1Finalidade
"para quebrar o clima" (D)
Responde a "com que objetivo?"
2Tempo/adiamento
"deixar para debater" (E)
Responde a "para quando?"
3Outros valores
Lugar: "em mesa de bar" (B)
Tempo: "durante um jantar" (C)
Tempo: "até que passou" (A)
Valores da preposição "para"
LEVELsoulevel.com.br
Valores da preposição "para": Finalidade ("para quebrar o clima" (D), Responde a "com que objetivo?"); Tempo/adiamento ("deixar para debater" (E), Responde a "para quando?"); Outros valores (Lugar: "em mesa de bar" (B), Tempo: "durante um jantar" (C), Tempo: "até que passou" (A))

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Até que um sujeito passou por nós, nos reconheceu…"

A locução conjuntiva "até que" introduz uma oração subordinada adverbial temporal — indica o momento em que o sujeito passou. Não há ideia de objetivo. A pergunta "passou com que objetivo?" não é respondida pela oração; ela responde a "quando passou?". Erro: troca de relação semântica (temporalidade no lugar de finalidade).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"…uma conferência didática-enciclopédica em mesa de bar."

O vocábulo destacado é "em", preposição que introduz lugar (mesa de bar). Não há qualquer relação de finalidade. A pergunta "conferência em quê?" indica local, não objetivo. Erro: troca de relação semântica (lugar no lugar de finalidade).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Escutar um sábio falar durante um jantar…"

O vocábulo destacado é "durante", preposição que expressa tempo (o jantar é o momento em que se escuta). Não há finalidade. A pergunta "escutar quando?" — durante o jantar — revela tempo, não objetivo. Erro: troca de relação semântica (tempo no lugar de finalidade).

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"…um ex que entrou no recinto para quebrar o clima…"

A locução "para quebrar" expressa finalidade: o ex entrou com o objetivo de quebrar o clima. A oração "para quebrar o clima" responde à pergunta "entrou para quê?". É uma oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo. Correta: a única que expressa finalidade no contexto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"…mas isso a gente deixa para debater na consulta com o analista."

O vocábulo "para" aqui indica tempo futuro / adiamento: a gente deixa para debater depois, na consulta. Não é finalidade, pois a ação de "deixar" não tem como objetivo "debater" — o "debater" é algo que ficará para um momento posterior. A pergunta "deixa para quê?" poderia enganar, mas o sentido real é "deixa para depois". Erro: troca de relação semântica (tempo/adiamento no lugar de finalidade).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a polissemia da preposição "para" — em "deixar para debater" (E), o valor é temporal (adiamento), não final. O candidato que não testa com a pergunta "com que objetivo?" cai na armadilha.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar finalidade, pergunte "com que objetivo?" ou "para quê?". Se a oração responder, é finalidade. Se responder a "quando?", "onde?", "como?", é outra relação.

Gabarito: letra D — a única em que o vocábulo destacado introduz ideia de finalidade, comprovada pela pergunta "entrou para quê?" — para quebrar o clima.

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