As coisas que para nós se passam em câmera lenta,
numa vida inteira, os Anjos as veem em ritmo acelerado. E
com certeza mal contêm o riso, como nós agora diante dos
primeiros jornais cinematográficos: oh! aquelas paradas elétricas, aqueles enterros epilépticos, aqueles ministros, e
reis, e povo, agitando-se automaticamente como bonecos a quem deram corda... Não, assim não há grandeza e
dignidade possível. Toda a epopeia napoleônica transcorrida,
digamos, em um só quarto de hora, seria de um cômico e de
um absurdo irresistíveis.
E as nossas vidas então, já por si tão ridículas?
(Mário Quintana. Da preguiça como método de trabalho)
Texto
No trecho destacado do texto, as vírgulas e as conjunções “e” e da conjunção “como” estão empregadas, para
Aseparar elementos em uma sequência; estabelecer relação de adição e de comparação.
Bisolar expressões de sentidos opostos; estabelecer relação de consequência e de comparação.
Cseparar elementos em uma sequência; estabelecer relação de explicação e concessão.
Drealçar as ideias expressas em uma frase; estabelecer relação de consequência e conformidade.
Eisolar expressões de sentidos opostos; estabelecer relação de adição e de concessão.
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GabaritoA — separar elementos em uma sequência; estabelecer relação de adição e de comparação.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Vírgulas e conjunções no texto de Mário Quintana
Gabarito: letra A. As vírgulas separam elementos de uma sequência (enumeração), a conjunção "e" estabelece relação de adição e a conjunção "como" estabelece relação de comparação. Isso se prova no trecho: "oh! aquelas paradas elétricas, aqueles enterros epilépticos, aqueles ministros, e reis, e povo, agitando-se automaticamente como bonecos a quem deram corda...".
O comando pede que você identifique a função das vírgulas e das conjunções "e" e "como" no trecho destacado. Não se trata de interpretar o texto, mas de reconhecer o valor semântico desses elementos no contexto em que aparecem. A questão é de gramática aplicada ao texto: você precisa saber o que cada recurso faz ali.
No trecho, as vírgulas separam os termos de uma enumeração: "paradas elétricas", "enterros epilépticos", "ministros", "reis", "povo". Elas não isolam expressões de sentido oposto (não há oposição entre os termos), nem realçam ideias — apenas listam elementos. Já o "e" aparece ligando os últimos itens da lista ("ministros, e reis, e povo"), somando elementos, ou seja, estabelecendo adição. Por fim, o "como" em "agitando-se automaticamente como bonecos" introduz uma comparação: os ministros, reis e povo agitam-se da mesma forma que bonecos de corda.
A técnica para resolver é simples: teste cada alternativa perguntando o que o texto autoriza. As vírgulas separam elementos de uma sequência? Sim. O "e" soma? Sim. O "como" compara? Sim. Qualquer alternativa que fale em "oposição", "consequência", "explicação", "concessão" ou "conformidade" falha porque esses valores não aparecem no trecho.
A alternativa está correta porque descreve exatamente o que ocorre no trecho. As vírgulas separam os elementos de uma sequência (enumeração de imagens: "paradas elétricas", "enterros epilépticos", "ministros", "reis", "povo"). A conjunção "e" estabelece adição, somando os elementos da lista. A conjunção "como" estabelece comparação, pois compara o movimento das pessoas ao de bonecos de corda.
"oh! aquelas paradas elétricas, aqueles enterros epilépticos, aqueles ministros, e reis, e povo, agitando-se automaticamente como bonecos a quem deram corda..."
A passagem comprova os três pontos: as vírgulas enumeram, o "e" adiciona e o "como" compara.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que as vírgulas "isolam expressões de sentidos opostos" e que o "e" estabelece "consequência". No trecho, não há oposição entre os elementos enumerados — eles são apenas itens de uma lista. Além disso, o "e" não introduz consequência; ele apenas soma elementos. O "como" realmente estabelece comparação, mas o restante da alternativa já a invalida.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa acerta ao dizer que as vírgulas separam elementos de uma sequência, mas erra ao afirmar que o "e" estabelece "explicação" e o "como" estabelece "concessão". O "e" não explica nada; ele apenas adiciona. O "como" não concede nada; ele compara. A alternativa mistura valores semânticos que não estão presentes no trecho.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que as vírgulas "realçam as ideias expressas em uma frase" e que o "e" estabelece "consequência". As vírgulas não realçam ideias; elas separam elementos de uma enumeração. O "e" não introduz consequência; ele apenas soma. O "como" não estabelece "conformidade" (que seria "de acordo com"); ele estabelece comparação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que as vírgulas "isolam expressões de sentidos opostos" e que o "como" estabelece "concessão". Não há oposição entre os elementos enumerados, e o "como" não concede nada; ele compara. O "e" realmente estabelece adição, mas o restante da alternativa a invalida.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura valores semânticos de conjunções que não aparecem no trecho (oposição, consequência, explicação, concessão, conformidade) para confundir quem não lê o texto com atenção. A única alternativa que descreve fielmente o que ocorre é a A.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar o valor de uma conjunção, substitua-a por outra de mesmo valor e veja se o sentido se mantém. Ex.: "como bonecos" = "tal qual bonecos" (comparação). Se a substituição não fizer sentido, o valor está errado.