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Questão de Português — Questões Variadas de Classe de Palavras — VUNESP 2023

PortuguêsQuestões Variadas de Classe de Palavras
Código
vu183614
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Jundiaí
Ano
2023
Cargo
Ass Adm Sau ( )

O golpe está aí

 

Os celulares multiplicaram a chance de golpes. São de todo tipo: falsas pirâmides, oferecimento de serviços, falsos sequestros de familiares e assim por diante. Nossos sentimentos são sempre os mesmos: quando analisamos o golpe em setores que nunca nos enganariam, ficamos desolados com a ingenuidade alheia; quando se trata de algo que já fizemos, somos compreensivos. Nossa empatia é narcísica*, em geral.

 

Critiquei meu pai que quase caiu, lá por 2008, em um golpe de falso sequestro meu. “Como, pai, você, advogado, acostumado a analisar estelionatos, pode ter acreditado em uma história tão estapafúrdia?”

 

Ele argumentou comigo que o risco a um filho cegava quaisquer prudências e acionava um modo automático de defesa. O suposto grito de um filho apagava o título de advogado, e o risco à minha integridade o fragilizava. O amor tem razões alheias à razão em si, advertia Pascal.

 

Pensando nas muitas chances de golpe, acho importante que todos tenhamos presentes as zonas desprotegidas da mente. Risco aos filhos? Inquietudes financeiras? Sabendo onde estão nossos fios desencapados, fica mais fácil identificar risco de choque grave. Como posso agir então?

 

Devo programar meu cérebro. A voz gritando da minha filha me desestabiliza? Vou treinar e insistir muitas vezes que, em caso de ter o alarme acionado por uma ligação repentina, tomarei duas atitudes: ligarei para ela e para uma terceira pessoa (de preferência sem o mesmo envolvimento emocional) e seguirei a crise com a orientação alheia. Devo repetir, treinar, repetir e formar meu cérebro a essa reação. Reitero comigo todos os dias: “Se minha filha estiver em risco, envolverei meu cunhado e ligarei para ela”. Treinar a reação não impede a cegueira das prudências, mas cria um botão emergencial. Ao vivo e em segredo, a família pode treinar uma palavra-passe de emergência. O nome da avó ou o nome de um animal de estimação conhecido de todos. A palavra- -passe não deve estar no celular, pois ele pode ser clonado.

 

Todos possuímos fragilidades. O golpe está aí: cairemos todos. Os que se prepararem internamente possuirão maior esperança de evitar trambiqueiros.

(Leandro Karnal, O Estado de S.Paulo, 16 de nov. 2022. Adaptado)

 

*narcísica: relacionada ao mito de Narciso, que significa amor excessivo à própria imagem, que é voltado para si mesmo.

Leia o texto para responder à questão.

   

Leia os trechos do 5º e 6º parágrafos a seguir:

 

– “Se minha filha estiver em risco, envolverei meu cunhado e ligarei para ela”.

 

– Treinar a reação não impede a cegueira das prudências, mas cria um botão emergencial.

 

– Os que se prepararem internamente possuirão maior esperança de evitar trambiqueiros.

 

As expressões em destaque têm, correta e respectivamente, sentido de

  1. Aconclusão; explicação; tempo.
  2. Bcondição; oposição; modo.
  3. Cconclusão; oposição; tempo.
  4. Dcondição; explicação; modo.
  5. Eexplicação; oposição; lugar.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — condição; oposição; modo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentido dos conectivos em contexto

Gabarito: letra B. As expressões destacadas têm, respectivamente, sentido de condição, oposição e modo. Isso se prova no próprio texto: o "se" de "Se minha filha estiver em risco" introduz uma condição para a ação seguinte; o "mas" de "não impede a cegueira das prudências, mas cria um botão emergencial" marca oposição entre duas ideias; e o "como" de "Como posso agir então?" expressa modo (de que maneira agir).

O comando

A questão pede que você identifique o sentido que cada conectivo assume no contexto em que aparece. Não se trata de decorar a classe gramatical, mas de perceber a relação semântica que a palavra estabelece entre as ideias. O comando "têm sentido de" indica que você deve analisar o valor de cada expressão na frase, não sua definição isolada.

O texto

O texto de Leandro Karnal discute a vulnerabilidade a golpes e a importância de se preparar mentalmente. No 5º parágrafo, o autor propõe um treino mental: "Se minha filha estiver em risco, envolverei meu cunhado e ligarei para ela". Aqui, o "se" estabelece uma condição: a ação de envolver o cunhado e ligar só ocorre se a filha estiver em risco. No mesmo parágrafo, "Treinar a reação não impede a cegueira das prudências, mas cria um botão emergencial" — o "mas" contrapõe duas ideias: o treino não elimina a cegueira, porém cria um mecanismo de emergência. No 6º parágrafo, "Como posso agir então?" — o "como" pergunta o modo de agir, ou seja, de que maneira.

A técnica

Para resolver, substitua mentalmente cada conectivo por outro de mesmo valor: "se" = "caso" (condição); "mas" = "porém" (oposição); "como" = "de que modo" (modo). Essa substituição confirma o sentido. A banca explora a polissemia dos conectivos: "se" também pode ser conjunção integrante ou causal, "como" pode ser comparativo, causal ou temporal. Mas no contexto, o valor é claro.

Análise das alternativas

1"Se" (condição)
Substituição: "caso"
Ex.: Se minha filha estiver em risco
2"Mas" (oposição)
Substituição: "porém"
Ex.: não impede, mas cria
3"Como" (modo)
Substituição: "de que modo"
Ex.: Como posso agir?
Conectivos e seus sentidos
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Conectivos e seus sentidos: "Se" (condição) (Substituição: "caso", Ex.: Se minha filha estiver em risco); "Mas" (oposição) (Substituição: "porém", Ex.: não impede, mas cria); "Como" (modo) (Substituição: "de que modo", Ex.: Como posso agir?)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao classificar "se" como conclusão. O "se" não conclui nada; ele estabelece uma condição para a ação. Também erra ao tratar "como" como tempo — o "como" aqui pergunta o modo, não o tempo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta porque:

  • "Se minha filha estiver em risco" → condição (caso isso ocorra).

  • "mas cria um botão emergencial" → oposição (contrapõe-se à ideia anterior).

  • "Como posso agir então?" → modo (de que maneira).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erra ao classificar "se" como conclusão (mesmo erro da A) e "como" como tempo (deveria ser modo).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Acerta em "condição" e "modo", mas erra ao classificar "mas" como explicação. O "mas" é adversativo, indica oposição, não explicação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra ao classificar "se" como explicação (é condição) e "como" como lugar (é modo). O "mas" está correto como oposição, mas os outros dois erros invalidam a alternativa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o sentido de "se" (condição) por "conclusão" e de "como" (modo) por "tempo" ou "explicação", explorando a polissemia dos conectivos. Fique atento ao contexto.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o sentido de um conectivo, substitua-o por outro de mesmo valor: "se" = "caso", "mas" = "porém", "como" = "de que modo". Se a substituição mantiver o sentido, você acertou.

Gabarito: letra B — a única que classifica corretamente os três conectivos no contexto.

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