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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — VUNESP 2023

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
vu183615
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Jundiaí
Ano
2023
Cargo
Ass Adm Sau ( )

O golpe está aí

 

Os celulares multiplicaram a chance de golpes. São de todo tipo: falsas pirâmides, oferecimento de serviços, falsos sequestros de familiares e assim por diante. Nossos sentimentos são sempre os mesmos: quando analisamos o golpe em setores que nunca nos enganariam, ficamos desolados com a ingenuidade alheia; quando se trata de algo que já fizemos, somos compreensivos. Nossa empatia é narcísica*, em geral.

 

Critiquei meu pai que quase caiu, lá por 2008, em um golpe de falso sequestro meu. “Como, pai, você, advogado, acostumado a analisar estelionatos, pode ter acreditado em uma história tão estapafúrdia?”

 

Ele argumentou comigo que o risco a um filho cegava quaisquer prudências e acionava um modo automático de defesa. O suposto grito de um filho apagava o título de advogado, e o risco à minha integridade o fragilizava. O amor tem razões alheias à razão em si, advertia Pascal.

 

Pensando nas muitas chances de golpe, acho importante que todos tenhamos presentes as zonas desprotegidas da mente. Risco aos filhos? Inquietudes financeiras? Sabendo onde estão nossos fios desencapados, fica mais fácil identificar risco de choque grave. Como posso agir então?

 

Devo programar meu cérebro. A voz gritando da minha filha me desestabiliza? Vou treinar e insistir muitas vezes que, em caso de ter o alarme acionado por uma ligação repentina, tomarei duas atitudes: ligarei para ela e para uma terceira pessoa (de preferência sem o mesmo envolvimento emocional) e seguirei a crise com a orientação alheia. Devo repetir, treinar, repetir e formar meu cérebro a essa reação. Reitero comigo todos os dias: “Se minha filha estiver em risco, envolverei meu cunhado e ligarei para ela”. Treinar a reação não impede a cegueira das prudências, mas cria um botão emergencial. Ao vivo e em segredo, a família pode treinar uma palavra-passe de emergência. O nome da avó ou o nome de um animal de estimação conhecido de todos. A palavra- -passe não deve estar no celular, pois ele pode ser clonado.

 

Todos possuímos fragilidades. O golpe está aí: cairemos todos. Os que se prepararem internamente possuirão maior esperança de evitar trambiqueiros.

(Leandro Karnal, O Estado de S.Paulo, 16 de nov. 2022. Adaptado)

 

*narcísica: relacionada ao mito de Narciso, que significa amor excessivo à própria imagem, que é voltado para si mesmo.

Leia o texto para responder à questão.     Considere as frases formuladas a partir do texto e assinale a alternativa que apresenta a frase correta, de acordo com a norma-padrão de concordância verbal.
  1. AA chance de golpes foram multiplicados com a expansão dos celulares.
  2. BO golpe em setores que nunca nos enganariam nos deixam desolados.
  3. CAs fragilidades que nos tira do sério devem ser julgadas.
  4. DA cegueira das prudências é acionada pelo risco a um filho.
  5. EAntes do celular já haviam outros tipos de golpes.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — A cegueira das prudências é acionada pelo risco a um filho.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal: o verbo concorda com o núcleo do sujeito

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que respeita integralmente a norma-padrão de concordância verbal. O sujeito é "A cegueira das prudências", cujo núcleo é o substantivo singular "cegueira"; por isso, o verbo "é acionada" (locução verbal com auxiliar no singular) concorda corretamente com ele. A frase ainda mantém a voz passiva analítica, coerente com o texto-base, que afirma: "o risco a um filho cegava quaisquer prudências e acionava um modo automático de defesa".

O comando: o que a banca pede

A questão pede que você assinale a frase correta de acordo com a norma-padrão de concordância verbal. Isso significa que o foco não é a interpretação do texto, mas a aplicação da regra gramatical a frases formuladas a partir dele. O comando "de acordo com a norma-padrão" indica que você deve julgar a correção gramatical de cada alternativa, e não o conteúdo semântico. A técnica central é: identificar o núcleo do sujeito e fazer o verbo concordar com ele em número e pessoa.

O texto: onde a resposta mora

O texto de Leandro Karnal discute a vulnerabilidade humana a golpes, especialmente quando envolvem risco a familiares. No 3º parágrafo, o autor relata a argumentação do pai: "o risco a um filho cegava quaisquer prudências e acionava um modo automático de defesa". Essa passagem é a base da alternativa D, que a reescreve na voz passiva: "A cegueira das prudências é acionada pelo risco a um filho". A banca não exige que você decore o texto, mas que reconheça a estrutura sintática que ele autoriza.

A técnica que decide: núcleo do sujeito e voz passiva

A regra de ouro da concordância verbal é: o verbo concorda com o núcleo do sujeito. Em "A cegueira das prudências", o núcleo é "cegueira" (singular). O adjunto adnominal "das prudências" não interfere na concordância. Na voz passiva analítica, o verbo auxiliar "ser" concorda com o sujeito paciente: "A cegueira é acionada". A alternativa D aplica exatamente isso. As demais alternativas cometem erros clássicos:

  • A) "A chance de golpes foram multiplicados" — o núcleo é "chance" (singular), então o verbo deveria ser "foi multiplicada". Além disso, "multiplicados" não concorda com "chance" (feminino singular).

  • B) "O golpe em setores que nunca nos enganariam nos deixam desolados" — o sujeito é "O golpe" (singular), então o verbo deveria ser "deixa". O pronome relativo "que" retoma "setores", mas o verbo principal "deixam" concorda com o sujeito da oração principal, não com o antecedente do relativo.

  • C) "As fragilidades que nos tira do sério" — o pronome relativo "que" retoma "fragilidades" (plural), então o verbo deveria ser "tiram". A concordância com o antecedente do "que" é obrigatória.

  • E) "Antes do celular já haviam outros tipos de golpes" — o verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal e fica sempre no singular: "já havia outros tipos de golpes".

O gancho: teste cada alternativa perguntando "qual é o núcleo do sujeito?"

A banca VUNESP adora distanciar o sujeito do verbo com adjuntos e orações relativas. A técnica é: sublinhe o verbo, pergunte "quem?" ou "o quê?" antes dele, e identifique o núcleo do sujeito. Se o núcleo for singular, o verbo fica no singular; se for plural, no plural. A alternativa D é a única que passa nesse teste sem tropeços.

Concordância verbal
  • 1Regra de ouro
    • Verbo concorda com o núcleo do sujeito
  • 2Erros clássicos
    • Núcleo singular + verbo plural
    • Verbo concorda com adjunto, não com o núcleo
    • Verbo da relativa não concorda com o antecedente
    • Haver impessoal no plural
  • 3Técnica de resolução
    • Sublinhe o verbo
    • Pergunte "quem?" ou "o quê?"
    • Identifique o núcleo do sujeito
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"A chance de golpes foram multiplicados com a expansão dos celulares."

O núcleo do sujeito é "chance" (singular). O verbo "foram" deveria ser "foi", e o particípio "multiplicados" deveria concordar com "chance" (feminino singular): "A chance de golpes foi multiplicada". A alternativa erra tanto na concordância verbal quanto na nominal. Erro: contradiz a regra de concordância com o núcleo do sujeito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"O golpe em setores que nunca nos enganariam nos deixam desolados."

O sujeito da oração principal é "O golpe" (singular). O verbo "deixam" deveria ser "deixa". A oração relativa "que nunca nos enganariam" tem seu próprio verbo (enganariam), que concorda com "setores", mas isso não afeta o verbo principal. Erro: confunde o antecedente do pronome relativo com o sujeito da oração principal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"As fragilidades que nos tira do sério devem ser julgadas."

O pronome relativo "que" retoma "fragilidades" (plural). A regra é clara: o verbo da oração relativa concorda com o antecedente do "que". Portanto, o correto é "que nos tiram do sério". Erro: desrespeita a concordância com o antecedente do pronome relativo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"A cegueira das prudências é acionada pelo risco a um filho."

O núcleo do sujeito é "cegueira" (singular). A locução verbal "é acionada" tem o auxiliar "é" no singular, concordando com o sujeito. A frase está na voz passiva analítica, e o particípio "acionada" concorda com o sujeito paciente (feminino singular). A estrutura é uma reescritura correta da passagem do texto: "o risco a um filho cegava quaisquer prudências e acionava um modo automático de defesa". A concordância está perfeita.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Antes do celular já haviam outros tipos de golpes."

O verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal e não admite sujeito. Ele fica sempre na 3ª pessoa do singular: "já havia outros tipos de golpes". A alternativa usa "haviam" no plural, o que é um erro clássico de concordância. Erro: desconhece a impessoalidade do verbo haver.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de concordância, comece sempre pelo verbo e pergunte "quem?" ou "o quê?". O termo que responde é o sujeito; o núcleo dele determina a flexão verbal. Desconfie de frases longas com adjuntos entre o sujeito e o verbo — a banca adora esconder o núcleo.

Gabarito: letra D — a única frase em que o verbo concorda corretamente com o núcleo do sujeito, sem desvios de impessoalidade ou de concordância com pronome relativo.

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