Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — VUNESP 2023
Português›Significação de Vocábulo e Expressões
Código
vu183617
Banca
VUNESP
Órgão
TCM SP
Ano
2023
Cargo
ATCE ( )
O senso comum propala que há poucos ingênuos na sociedade contemporânea. Acresce de forma provocadora que as honrosas exceções, tão merecedoras de admiração, confirmam a regra de que “todo mundo tem um preço”. A generalização, porém, é abusiva. Por quê? Porque supõe que corromper-se seja um traço congênito dos homens. Ora, se muitos prevaricam, o mesmo não pode ser dito de todos. Afinal, as condições históricas não propiciam iguais tentações a cada um de nós. De um lado, nem todas as sociedades humanas instigam seus agentes a transgredir os padrões morais com a mesma intensidade; de outro, nem todas as pessoas estão à mercê das mesmas tentações para se corromper. Nesse sentido, ao incitar ambições e ao aguçar apetites, as sociedades em que prevalecem relações mercantis abrigam mais seduções do que as sociedades não mercantis. Resumidamente: expõem mais as consciências à prova e, em consequência, contabilizam mais violações dos códigos morais.
Ademais, ainda que se aceite que todo mundo tenha um “preço”, a pressuposição só faz sentido em termos virtuais. Afinal, nem todos estão ao alcance do canto das sereias. Dizendo sem rodeio: muitos não são corrompidos porque não vale a pena suborná-los!
E isso coloca em xeque a anedota desesperançada do filósofo Diógenes, que se achava exilado em Atenas: munido de uma lanterna em plena luz do dia, procurou em vão um homem honesto. Ora, convenhamos: será que ninguém naquela cidade-estado, absolutamente ninguém, merecia crédito? Não parece lógico; é uma fábula que não deve ser levada ao pé da letra. Qual então o seu mérito? Denunciar a depravação moral que então grassava. De qualquer modo, ponderemos: nem todos os atenienses possuíam cacife o bastante para vender a alma ao diabo.
(Robert H. Srour. Ética empresarial. Adaptado)
É correto afirmar que, do ponto de vista da significação, os termos destacados “propala” e “grassava”
Aaproximam-se, compartilhando a ideia de suposição.
Baproximam-se, compartilhando a ideia de propagação.
Cexpressam noções compatíveis, associadas à ideia de crença.
Dexpressam noções próximas, mas incoerentes entre si.
GabaritoB — aproximam-se, compartilhando a ideia de propagação.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Significação de "propala" e "grassava"
Gabarito: letra B. Os verbos "propala" e "grassava" aproximam-se porque ambos compartilham a ideia de propagação: "propalar" é divulgar, espalhar uma notícia; "grassar" é alastrar-se, difundir-se (como uma doença ou um mal). No texto, "propala" introduz a opinião do senso comum que se espalha, e "grassava" descreve a depravação moral que se alastrava em Atenas. A alternativa B é a única que capta esse núcleo semântico comum.
O comando
A questão pede que você analise a relação de sentido entre duas palavras destacadas no texto. Não se trata de interpretar o texto em si, mas de reconhecer o significado contextual de cada vocábulo e compará-los. A banca quer saber se eles são sinônimos, antônimos, complementares ou contraditórios. Para resolver, você precisa: (1) identificar o sentido de cada palavra no trecho em que aparece; (2) verificar se há aproximação ou oposição; (3) escolher a alternativa que nomeia corretamente essa relação.
O texto e as palavras
No primeiro parágrafo, lemos: "O senso comum propala que há poucos ingênuos na sociedade contemporânea." Aqui, "propala" significa divulgar, espalhar, fazer circular uma ideia — o senso comum espalha a crença de que há poucos ingênuos. No último parágrafo, o autor menciona a anedota de Diógenes e comenta: "Denunciar a depravação moral que então grassava." "Grassava" significa alastrar-se, difundir-se, propagar-se — a depravação moral se espalhava por Atenas. Ambos os verbos, portanto, giram em torno da ideia de propagação: um propaga uma informação, o outro propaga um mal. A diferença é apenas o objeto (ideia × mal), mas o núcleo semântico é o mesmo.
A técnica
Quando a questão pede a relação entre duas palavras, o caminho é: substitua cada uma por um sinônimo e veja se os sinônimos pertencem ao mesmo campo semântico. "Propala" → divulga, espalha. "Grassava" → alastrava, difundia. Ambos pertencem ao campo de propagação/disseminação. Alternativas que falem em "suposição", "crença" ou "contradição" fogem desse núcleo. A pegadinha da banca é justamente tentar atraí-lo para o contexto argumentativo (o texto fala de suposições e crenças), mas a questão é de significação das palavras, não de interpretação do argumento.
Relação de sentido entre verbos: Propala (Divulgar, Espalhar (notícia/ideia)); Grassava (Alastrar-se, Difundir-se (mal/doença)); Núcleo comum (Propagação, Disseminação)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que os termos compartilham a ideia de suposição. Isso é um erro de troca de conceito: "propalar" não é supor, é divulgar; "grassar" não é supor, é alastrar. A suposição aparece no texto ("supõe que corromper-se seja um traço congênito"), mas não é o sentido dos verbos destacados. A banca tenta confundir o candidato que lê o texto e associa as palavras ao tema da suposição.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como provado acima, "propala" (divulga, espalha) e "grassava" (alastrava, difundia) compartilham a ideia de propagação. No texto, o senso comum propala uma crença; a depravação moral grassava em Atenas. Ambos os verbos indicam que algo se espalha, se difunde. É a única alternativa que nomeia corretamente o traço semântico comum.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa fala em crença. Embora o texto trate de crenças ("todo mundo tem um preço"), os verbos destacados não expressam crença: "propalar" é o ato de divulgar uma crença, não a crença em si; "grassar" não tem relação com crer. A alternativa tangencia o tema, usando uma palavra do contexto, mas não descreve o sentido dos verbos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa diz que as noções são "próximas, mas incoerentes entre si". Isso é contraditório: se são próximas, não são incoerentes. Além disso, os sentidos são coerentes — ambos indicam propagação. A alternativa contradiz a relação real de sinonímia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que os conceitos são contraditórios e se negam mutuamente. Isso é falso: "propalar" e "grassar" não são antônimos; são sinônimos aproximados. A alternativa contradiz o texto e a semântica das palavras.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a falsa sinonímia com o contexto argumentativo: o texto fala de suposições e crenças, mas a questão é de significação vocabular. Não se deixe levar pelo tema; foque no sentido das palavras.
PEGA ESSA DICA!
Ao comparar duas palavras, substitua cada uma por um sinônimo e veja se os sinônimos pertencem ao mesmo campo semântico. Se ambos indicam "espalhar", a relação é de propagação.
Gabarito: letra B — "propala" e "grassava" compartilham a ideia de propagação.