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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — VUNESP 2023

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
vu183619
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Marília
Ano
2023
Cargo
Ass (Araçatuba)

Repetir histórias

 

Se você convive com alguém há algum tempo, sabe que ouvirá, pelo menos algumas vezes, narrativas repetidas. Casar ou ter amigos de anos implica a consequência necessária da duplicidade. Aceite que dói menos.

 

Ninguém leva uma vida sendo sempre original. Não existe humorista profissional que consiga, todas as noites no palco, contar coisas engraçadas 100% novas.

 

Viajou, houve um perrengue que visto a distância ficou divertido? Perfeito: fará parte do seu repertório. Um conservador senhor de meia-idade que foi comigo ao Japão em um grupo contou-me que, ao abrir sua mala em busca de blazers escuros e calças tradicionais com meias pretas, encontrou farto sortimento de calcinhas de renda delicada. Ele abriu a mala (não deu detalhes de como isso ocorreu com uma que não lhe pertencia) e, estupefato, viu emergir aquele festival de intimidades de uma mulher (ou de outro homem) ... A mala trocada foi trazida no dia seguinte. O ocorrido foi contado ao grupo no café da manhã e a sisudez do nosso companheiro tradicionalista tornava tudo muito mais saboroso. Mais de uma alma zombeteira deve ter imaginado se ele teria tocado o conteúdo, quiçá inclusive experimentado algo... Bem, deixemos a picardia* de lado.

 

Histórias de viagens são boas. Claro, não são novas sempre... Pode ser que, em alguma festa, o público seja novo e o fato cômico seja recebido com receptividade alegre. O provável, também, é que sua esposa olhe para cima resignada diante da sua tentativa de stand-up*. Sim, foi dito o sim ao amor “na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza” no altar; ninguém falou “na repetição incessante e tediosa de tudo”.

 

Darei uma pista boa de psicanálise. Alguém que ouve um paciente nunca deve dizer: “Você já contou esta”. Se uma pessoa insiste na mesma narrativa, provavelmente, tem algum motivo para isso. Mais importante: a cada nova recitação um detalhe muda e se torna, em si, uma pista do que está ocorrendo naquele momento. Ouvir de novo deveria aguçar seu ouvido para sutilezas e fornecer novas inspirações para conhecer alguém. Lute, com esperança, pelo seu casamento. Amar também é ouvir.

 

(Leandro Karnal. O Estado de S. Paulo, 11 de maio de 2022. Adaptado)

 

picardia: ato próprio de quem faz caçoada, zombaria.

 

stand-up: ficar de pé, tentativa de fazer graça, obter sucesso com o fato cômico contado.

Texto

   

Assinale a alternativa em que, nas frases construídas a partir do texto, a concordância verbal está de acordo com a norma-padrão.

  1. ASe faz muitos anos que você convive com outra pessoa, ouviu histórias repetidas.
  2. BNa viagem, houveram muitos perrengues que, vistos a distância, ficaram divertidos.
  3. CUm festival de intimidades de uma mulher ocorreram com a troca das malas.
  4. DAlgumas almas zombeteiras deve ter imaginado muitas coisas com picardia.
  5. EA repetição incessante e tediosa de histórias sempre têm alguma causa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Se faz muitos anos que você convive com outra pessoa, ouviu histórias repetidas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal: verbos impessoais, sujeito posposto e locuções verbais

Gabarito: letra A. A única frase em que a concordância verbal segue a norma-padrão é a da alternativa A, pois o verbo "fazer" (em "faz muitos anos") é impessoal — indica tempo decorrido — e, por isso, deve permanecer na 3ª pessoa do singular, independentemente do termo que o segue. As demais alternativas apresentam erros clássicos de concordância: uso de "houveram" (o verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal), verbo no plural com sujeito posposto no singular, verbo no singular com sujeito no plural e verbo no plural com sujeito no singular.

O comando da questão

O enunciado pede que se assinale a alternativa em que a concordância verbal está de acordo com a norma-padrão. Isso significa que devemos analisar, em cada frase, se o verbo está flexionado corretamente em relação ao seu sujeito. A questão não exige interpretação de texto, mas sim o conhecimento de regras gramaticais aplicadas a frases construídas a partir do texto-base. O foco está em identificar o sujeito de cada oração e verificar se o verbo concorda com ele em número e pessoa.

A técnica: identificar o sujeito e o tipo de verbo

Para resolver, é preciso, em cada alternativa, fazer duas perguntas: qual é o sujeito do verbo? e esse verbo é impessoal (não tem sujeito)? A norma-padrão exige que o verbo concorde com o núcleo do sujeito, exceto nos casos de verbos impessoais, que ficam sempre na 3ª pessoa do singular. Os principais verbos impessoais são:

  • haver (no sentido de "existir" ou indicando tempo): "Havia muitos problemas." (sempre singular)

  • fazer (indicando tempo decorrido ou fenômeno da natureza): "Faz dois anos que não o vejo." (sempre singular)

  • existir NÃO é impessoal: "Existem muitos problemas." (concorda com o sujeito)

Além disso, é preciso atenção à concordância com sujeito posposto (que vem depois do verbo) e às locuções verbais (em que o verbo auxiliar é que flexiona).

Análise das alternativas

Verbos impessoais (3ª pessoa do singular)
  • 1Haver (existir ou tempo)
    • "Houve muitos problemas"
  • 2Fazer (tempo decorrido)
    • "Faz dois anos"
  • 3Fenômenos da natureza
    • "Choveu"
  • 4Concordância com sujeito
    • Núcleo do sujeito
      • Verbo concorda em número e pessoa
    • Sujeito posposto
      • Verbo concorda com o núcleo
    • Locução verbal
      • Auxiliar flexiona
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Se faz muitos anos que você convive com outra pessoa, ouviu histórias repetidas."

O verbo fazer está empregado com sentido de tempo decorrido ("faz muitos anos"), portanto é impessoal: não possui sujeito e deve permanecer na 3ª pessoa do singular. A forma "faz" está correta, mesmo vindo seguida de "muitos anos". A concordância está de acordo com a norma-padrão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Na viagem, houveram muitos perrengues que, vistos a distância, ficaram divertidos."

O verbo haver está empregado no sentido de existir ("houveram muitos perrengues" = "existiram muitos perrengues"). Nesse caso, o verbo "haver" é impessoal e deve ficar na 3ª pessoa do singular: "houve muitos perrengues". A forma "houveram" é um erro clássico de concordância, pois o verbo não concorda com o objeto direto "muitos perrengues". Erro: uso de verbo impessoal no plural.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Um festival de intimidades de uma mulher ocorreram com a troca das malas."

O sujeito é "Um festival de intimidades de uma mulher", cujo núcleo é "festival" (singular). O verbo "ocorrer" deve concordar com o núcleo do sujeito, portanto deveria ser "ocorreu". A forma "ocorreram" está no plural, mas o sujeito é singular. Erro: verbo no plural com sujeito posposto no singular.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Algumas almas zombeteiras deve ter imaginado muitas coisas com picardia."

O sujeito é "Algumas almas zombeteiras" (plural). Na locução verbal "deve ter imaginado", o verbo auxiliar "deve" deve concordar com o sujeito, portanto deveria ser "devem ter imaginado". A forma "deve" está no singular, mas o sujeito é plural. Erro: verbo auxiliar no singular com sujeito no plural.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"A repetição incessante e tediosa de histórias sempre têm alguma causa."

O sujeito é "A repetição incessante e tediosa de histórias", cujo núcleo é "repetição" (singular). O verbo "ter" deve concordar com o núcleo do sujeito, portanto deveria ser "sempre tem alguma causa". A forma "têm" está no plural, mas o sujeito é singular. Erro: verbo no plural com sujeito no singular.

Conclusão

A única alternativa em que a concordância verbal está de acordo com a norma-padrão é a letra A, pois o verbo "fazer" é impessoal e permanece no singular. As demais apresentam erros de concordância: B (haver impessoal no plural), C (sujeito posposto singular com verbo no plural), D (locução verbal com auxiliar no singular para sujeito plural) e E (verbo no plural com sujeito singular).

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar concordância verbal, identifique primeiro o núcleo do sujeito e verifique se o verbo é impessoal. Desconfie de verbos como "haver" e "fazer" quando indicarem existência ou tempo decorrido — eles não têm sujeito e ficam sempre no singular.

Gabarito: letra A

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