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Questão de Português — Conjunção — VUNESP 2023

PortuguêsConjunção
Código
vu183627
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Marília
Ano
2023
Cargo
Prof ( )

Carolina Maria de Jesus: quem foi a escritora que denunciou a fome no país

 

A intimidade com a fome e a discriminação sentida na pele deixaram marcas na obra de uma das mais importantes escritoras negras da literatura brasileira. Mulher negra, mãe solo e moradora de uma comunidade pobre, Carolina Maria de Jesus nunca deixou de retratar em seus livros problemas sociais e de atribuir culpas a governantes do país já no início do século passado.

 

Sua voz ativa e atenta lhe conferiu relevância não apenas literária, mas também na política. Em um momento em que metade da população brasileira se encontra em insegurança alimentar, Ecoa conta um pouco da história inspiradora dessa escritora mineira, nascida na cidade Sacramento em 14 de março de 1914.

 

A fome sempre aparece nos textos da escritora. O professor mineiro Warley de Souza, especialista em literatura, conta que o jornalista Audálio Dantas, que apresentou Carolina para o mundo, chegou a comentar sobre isso declarando, à época, que a fome aparecia nos textos com “uma frequência irritante”.

 

É que Carolina sentiu a fome na pele e levou seus desabafos e críticas aos governos para dentro de suas narrativas, demonstrando profunda consciência social. Criticou bastante o governo da época.

 

Carolina Maria de Jesus não se casou. Levou a vida com toda a independência, fazendo da literatura seu lugar de prazer e indignação. E assim viveu até 1977. A escritora morreu no dia 13 de fevereiro, no bairro de Parelheiros, na cidade de São Paulo.

 

(Ed Rodrigues. Em https://www.uol.com.br/ecoa, 08.11.2022. Adaptado)

Texto

   

Em relação às informações precedentes, o trecho que inicia o 4o parágrafo – É que Carolina sentiu a fome na pele e levou seus desabafos e críticas aos governos para dentro de suas narrativas… – serve-lhes como

  1. Adigressão.
  2. Bcontraponto.
  3. Cconsequência.
  4. Djustificativa.
  5. Econclusão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — justificativa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A função do trecho “É que Carolina sentiu a fome na pele…”

Gabarito: letra D. O trecho que inicia o 4º parágrafo funciona como justificativa para o que foi dito antes: ele explica o porquê de a fome aparecer com “frequência irritante” nos textos de Carolina. A pista decisiva é o conectivo “É que”, que introduz uma explicação/causa — e não uma consequência, conclusão ou oposição. Como se lê no 3º parágrafo, o jornalista Audálio Dantas comentou que a fome aparecia nos textos com “uma frequência irritante”; o 4º parágrafo responde a esse dado com a razão: Carolina sentiu a fome na pele.

O comando: o que a banca pede

A questão pergunta qual função o trecho exerce em relação às informações anteriores. Isso é uma questão de coesão sequencial e de relações semânticas entre ideias: você precisa identificar o valor lógico que o conectivo e o conteúdo do trecho estabelecem com o parágrafo anterior. Não se trata de interpretar o texto em si, mas de perceber como as partes se conectam — se o trecho explica, contradiz, conclui, etc.

O texto: onde mora a resposta

O 3º parágrafo afirma:

“A fome sempre aparece nos textos da escritora. O professor mineiro Warley de Souza, especialista em literatura, conta que o jornalista Audálio Dantas, que apresentou Carolina para o mundo, chegou a comentar sobre isso declarando, à época, que a fome aparecia nos textos com ‘uma frequência irritante’.”

O 4º parágrafo começa com “É que Carolina sentiu a fome na pele…”. A expressão “É que” é um conectivo que introduz uma explicação — ela responde à pergunta implícita “por que a fome aparece com tanta frequência?”. A resposta é: porque Carolina sentiu a fome na pele e levou essa experiência para suas narrativas. Ou seja, o trecho justifica a afirmação anterior, dando a causa do fenômeno observado.

A técnica: como distinguir justificativa de consequência

A pegadinha central está em confundir causa com consequência. Veja a diferença:

  • Causa/justificativa: explica o porquê de algo. Ex.: “A fome aparece com frequência porque Carolina sentiu fome na pele.”

  • Consequência: é o resultado de algo. Ex.: “Carolina sentiu fome na pele; por isso, a fome aparece com frequência.”

No texto, a ordem é: primeiro se afirma que a fome aparece com frequência; depois se explica por que isso acontece. O trecho do 4º parágrafo é a causa (a experiência de Carolina) que explica o efeito (a frequência da fome nos textos). Portanto, é uma justificativa, não uma consequência.

Outra pista: o conectivo “É que” é típico de explicação. Compare com outros conectivos que indicariam consequência: “por isso”, “portanto”, “logo”. Se o texto dissesse “Carolina sentiu fome na pele; por isso, a fome aparece com frequência”, aí sim seria consequência. Mas a ordem é inversa: primeiro o efeito, depois a causa.

Análise das alternativas

  1. 1Efeito: fome aparece com frequência
  2. 2Causa: Carolina sentiu na pele
  3. 3Conectivo "É que" = explicação
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Digressão é um desvio do assunto principal, uma fuga do tema. O trecho não se afasta do assunto; pelo contrário, ele apro funda a explicação sobre a fome nos textos de Carolina. Não há desvio, há continuidade temática com acréscimo de uma justificativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Contraponto é uma ideia que se opõe à anterior, uma quebra de expectativa. O trecho não contradiz nada do que foi dito; ele confirma e explica a afirmação anterior. Não há oposição, há causa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Consequência seria o resultado de uma ação anterior. Aqui, o trecho não é o efeito; ele é a causa que explica o efeito (a frequência da fome). A relação está invertida: o texto apresenta primeiro o efeito e depois a causa. Se fosse consequência, o trecho diria “por isso a fome aparece com frequência”, mas ele diz “É que Carolina sentiu a fome na pele” — ou seja, a razão.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O trecho justifica a afirmação anterior. O conectivo “É que” introduz uma explicação, e o conteúdo (“Carolina sentiu a fome na pele”) é a causa que explica por que a fome aparece com “frequência irritante” nos textos. A passagem que prova:

“É que Carolina sentiu a fome na pele e levou seus desabafos e críticas aos governos para dentro de suas narrativas, demonstrando profunda consciência social.”

Essa frase responde ao “porquê” da observação do 3º parágrafo. É uma justificativa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Conclusão é o fechamento de um raciocínio, geralmente após uma sequência de argumentos. O trecho não encerra uma linha de raciocínio; ele abre uma explicação para o que foi dito. Além disso, o texto continua depois com mais informações sobre a vida de Carolina, o que reforça que o trecho não é conclusivo.

Fechamento

A regra de ouro: pergunte-se “o trecho explica o porquê ou apresenta o resultado?”. Se explica o porquê, é justificativa/causa; se apresenta o resultado, é consequência. Aqui, o trecho responde ao “porquê” da frequência da fome — logo, justificativa.

Gabarito: letra D

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