Carolina Maria de Jesus: quem foi a escritora que denunciou a fome no país
A intimidade com a fome e a discriminação sentida na pele deixaram marcas na obra de uma das mais importantes escritoras negras da literatura brasileira. Mulher negra, mãe solo e moradora de uma comunidade pobre, Carolina Maria de Jesus nunca deixou de retratar em seus livros problemas sociais e de atribuir culpas a governantes do país já no início do século passado.
Sua voz ativa e atenta lhe conferiu relevância não apenas literária, mas também na política. Em um momento em que metade da população brasileira se encontra em insegurança alimentar, Ecoa conta um pouco da história inspiradora dessa escritora mineira, nascida na cidade Sacramento em 14 de março de 1914.
A fome sempre aparece nos textos da escritora. O professor mineiro Warley de Souza, especialista em literatura, conta que o jornalista Audálio Dantas, que apresentou Carolina para o mundo, chegou a comentar sobre isso declarando, à época, que a fome aparecia nos textos com “uma frequência irritante”.
É que Carolina sentiu a fome na pele e levou seus desabafos e críticas aos governos para dentro de suas narrativas, demonstrando profunda consciência social. Criticou bastante o governo da época.
Carolina Maria de Jesus não se casou. Levou a vida com toda a independência, fazendo da literatura seu lugar de prazer e indignação. E assim viveu até 1977. A escritora morreu no dia 13 de fevereiro, no bairro de Parelheiros, na cidade de São Paulo.
(Ed Rodrigues. Em https://www.uol.com.br/ecoa, 08.11.2022. Adaptado)
Texto
Assinale a alternativa em que o emprego do acento indicativo da crase atende à norma-padrão.
ACarolina Maria de Jesus saiu de Sacramento e veio à São Paulo, onde viveu até 1977.
BCarolina Maria de Jesus dava à fome espaço em suas obras, pois sofrera com ela.
CFome, desabafos e críticas ao governo eram temas comuns à narrativas de Carolina.
DA voz ativa e atenta de Carolina conferiu à ela relevância na literatura brasileira.
EO termo à que Warley de Souza se refere é fome, que incomodava Audálio Dantas.
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GabaritoB — Carolina Maria de Jesus dava à fome espaço em suas obras, pois sofrera com ela.
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Crase: quando o acento grave é obrigatório, facultativo ou proibido
Gabarito: letra B. A alternativa B é a única em que o acento grave indica corretamente a fusão da preposição a (exigida pelo verbo dar: quem dá, dá algo a alguém) com o artigo feminino a que antecede o substantivo fome. Nas demais, ou falta a preposição, ou o acento é usado diante de palavra que não admite artigo feminino (pronome pessoal, palavra masculina, verbo). A regra que decide é simples: crase = preposição a + artigo a; se um dos dois não existir, não há crase.
O comando
A questão pede que você identifique a alternativa em que o emprego do acento indicativo da crase atende à norma-padrão. Isso é uma tarefa de gramática normativa aplicada: você não precisa interpretar o texto, mas sim verificar, em cada frase, se a crase foi usada corretamente. O texto serve apenas como contexto — as frases das alternativas são reescrituras de trechos dele, mas o que importa é a estrutura sintática de cada uma.
A técnica: o teste da troca
Para saber se há crase, use o teste da troca: substitua a palavra feminina por uma masculina equivalente. Se na troca aparecer ao (preposição a + artigo o), então há crase; se aparecer apenas a (preposição sem artigo), não há. Exemplo: Vou à escola → Vou ao colégio (apareceu ao, logo há crase). Vou a São Paulo → Vou a Brasília (não aparece ao, logo não há crase, pois São Paulo é palavra masculina e não admite artigo feminino).
Aplicando à alternativa B: Carolina dava à fome espaço em suas obras. O verbo dar exige preposição a (quem dá, dá algo a alguém). O substantivo fome é feminino e admite artigo a. Logo: a + a = à. Confirme com o teste: dava ao problema (apareceu ao). Crase correta.
As alternativas
Crase (preposição a + artigo a): Obrigatória (Verbo exige preposição a, Substantivo feminino admite artigo, Ex.: dava à fome); Proibida (Antes de pronome pessoal (à ela), Antes de palavra masculina (à São Paulo), Antes de verbo); Facultativa (Antes de pronome possessivo feminino, Antes de nome próprio feminino); Teste da troca (Apareceu "ao" → há crase, Apareceu só "a" → não há crase)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: crase antes de palavra masculina. Em veio à São Paulo, o termo São Paulo é um topônimo masculino (não se diz a São Paulo, mas o São Paulo). Não há artigo feminino, logo não há crase. O correto seria veio a São Paulo (apenas preposição). A banca explora a confusão comum entre nomes de cidades: alguns aceitam crase (ex.: vou à Bahia), mas São Paulo não.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Crase obrigatória: preposição + artigo. Como explicado, dar exige preposição a e fome admite artigo a: dava à fome. O teste da troca confirma: dava ao problema. A frase está perfeita.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: crase antes de palavra no plural sem artigo. Em comuns à narrativas, o substantivo narrativas está no plural, mas o artigo que o acompanha seria as (feminino plural). A forma correta seria comuns às narrativas (preposição a + artigo as). A alternativa usa à (singular) diante de palavra plural, o que é um erro de concordância. O teste: comuns aos textos (apareceu aos, logo deveria ser às).
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: crase antes de pronome pessoal do caso reto. Em conferiu à ela, o termo ela é pronome pessoal, que não admite artigo. Não há artigo feminino, logo não há crase. O correto é conferiu a ela (apenas preposição). Regra: nunca há crase antes de pronome pessoal do caso reto (eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: crase antes de pronome relativo sem preposição. Em o termo à que Warley se refere, o pronome relativo que retoma termo (palavra masculina). O verbo referir-se exige preposição a, mas o antecedente é masculino, então a forma correta seria ao qual (e não à que). Além disso, à que só seria possível se o antecedente fosse feminino e houvesse preposição (ex.: a questão à que me referi). Aqui, o correto é o termo a que Warley se refere (sem crase, pois termo é masculino).
Fechamento
A questão testa o domínio das três situações clássicas: crase obrigatória (preposição + artigo), crase proibida (antes de pronome pessoal, palavra masculina, verbo) e a necessidade de concordância (plural). A alternativa B é a única que reúne os dois elementos necessários: verbo com regência que exige a e substantivo feminino que admite artigo a. Para não errar, sempre faça o teste da troca e desconfie de crase antes de pronomes e palavras masculinas.