Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — VUNESP 2023
Português›Significação de Vocábulo e Expressões
Código
vu183652
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Palmas
Ano
2023
Cargo
GM ( )
A rota dos falsários
O primeiro derrame de dinheiro falso no Brasil, em grande
escala, teve como ponto central de distribuição o Rio Grande
do Sul. Isso aconteceu em meados do século XIX. No dia 10
de agosto de 1843, o Ministro da Fazenda Joaquim Francisco
Viana determinou, em ofício reservado, ao presidente do Rio
Grande do Sul, Barão de Caxias, que estabelecesse séria
vigilância sobre as cargas e os passageiros dos navios procedentes de Portugal.
Segundo informações seguras, lá estavam fabricando
dinheiro falso brasileiro em volumes assustadores. E esse
dinheiro estava sendo trazido para o Brasil pelos navios que
atracavam no porto de Rio Grande, evitando assim os rigores da alfândega do Rio de Janeiro.
Diante da delicada situação, as autoridades rio-grandenses trataram de montar um rigoroso esquema de vigilância.
Apesar dos esforços e da dedicação dos agentes fiscais,
nada se descobria nas cargas nem nos passageiros. Por
ordem oficial, os volumes eram abertos a bordo dos navios,
antes mesmo de serem descarregados. E os passageiros,
por sua vez, eram também revistados a bordo, minuciosamente.
Enquanto isso, o dinheiro falso continuava chegando ao
Rio Grande do Sul e daí se espalhando para o resto do Brasil.
Até então os fiscais concentravam as revistas somente nas
cargas sólidas, mas quando resolveram revistar também as
cargas líquidas tiveram uma tremenda surpresa. O dinheiro
falso estava chegando ao porto de Rio Grande dentro de
barris de vinho, acondicionado em latas vedadas com resina
e bem fixadas no fundo dos barris, para evitar que fossem
percebidas quando os barris eram sacudidos.
Apesar de ter sido descoberta a trapaça, os nomes dos
trapaceiros foram mantidos em sigilo, possivelmente para
preservar a imagem de alguns figurões da época. Aliás, um
procedimento ainda em voga nos dias de hoje.
(Eloy Terra, 550 anos: crônicas pitorescas da história do Brasil. Adaptado)
As frases “volumes assustadores” e “rigores da alfândega”, destacadas no parágrafo do texto, significam, correta e respectivamente,
A“massas assustadoras” e “ações empreendedoras da alfândega”.
B“tamanhos assustadores” e “atitudes rudes da alfândega”.
C“quantidades assustadoras” e “ações meticulosas da alfândega”.
D“pacotes assustadores” e “controles temíveis da alfândega”.
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GabaritoC — “quantidades assustadoras” e “ações meticulosas da alfândega”.
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Significação contextual de palavras e expressões
Gabarito: letra C. A questão pede o sentido contextual de "volumes assustadores" e "rigores da alfândega". No texto, "volumes" refere-se à quantidade de dinheiro falso ("fabricando dinheiro falso brasileiro em volumes assustadores"), e "rigores" refere-se à fiscalização rigorosa e minuciosa da alfândega ("evitando assim os rigores da alfândega do Rio de Janeiro"). A alternativa C é a única que capta ambos os sentidos: "quantidades assustadoras" e "ações meticulosas da alfândega".
O comando é de compreensão de vocabulário em contexto: não se pergunta o sentido dicionarizado isolado, mas o sentido que as expressões assumem no texto. Isso muda a resolução: é preciso voltar ao parágrafo e verificar o que o autor quis dizer com cada termo, e não apenas buscar sinônimos soltos.
O texto narra a descoberta de um esquema de falsificação de dinheiro no século XIX. No segundo parágrafo, lê-se:
"Segundo informações seguras, lá estavam fabricando dinheiro falso brasileiro em volumes assustadores."
Aqui, "volumes" não significa "tamanho" nem "pacotes", mas sim a grande quantidade de cédulas falsas produzidas. O termo "assustadores" reforça a ideia de algo em escala alarmante. Já no mesmo parágrafo:
"E esse dinheiro estava sendo trazido para o Brasil pelos navios que atracavam no porto de Rio Grande, evitando assim os rigores da alfândega do Rio de Janeiro."
"Rigores" aqui não é "ações empreendedoras", "atitudes rudes" nem "controles temíveis" (embora "temíveis" seja próximo), mas sim a fiscalização severa, cuidadosa e detalhada — o que o texto confirma no terceiro parágrafo, ao descrever a revista minuciosa de cargas e passageiros. "Meticuloso" é o adjetivo que melhor traduz essa ideia de cuidado extremo na inspeção.
A técnica central é: substitua a expressão por um sinônimo e verifique se o sentido da frase permanece intacto. Se a troca altera o sentido ou soa estranha no contexto, a alternativa está errada. A banca explora justamente os sentidos dicionarizados de "volumes" (tamanho, pacote) e "rigores" (rudeza, temor) para criar distratores.
Erra em "ações empreendedoras da alfândega": o texto não fala de empreendedorismo, mas de fiscalização. Extrapola um sentido que não existe no contexto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erra em "tamanhos assustadores": "volumes" aqui é quantidade, não tamanho físico. E "atitudes rudes" não encontra apoio no texto, que descreve uma fiscalização cuidadosa, não grosseira. Troca o sentido contextual pelo dicionarizado.
Alternativa C — ✅ Correta
"Quantidades assustadoras" capta o sentido de "volumes" como grande montante de dinheiro falso; "ações meticulosas da alfândega" traduz "rigores" como fiscalização minuciosa, confirmada pela descrição das revistas detalhadas. É a única que preserva integralmente o sentido do texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra em "pacotes assustadores": o texto não fala de pacotes, mas de dinheiro em grande quantidade. "Controles temíveis" é parcialmente aceitável, mas o erro em "pacotes" já invalida a alternativa. Troca o sentido contextual por um termo concreto inexistente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora os sentidos dicionarizados de "volumes" (tamanho, pacote) e "rigores" (rudeza, temor) para criar distratores. A chave é sempre voltar ao texto e testar a substituição no contexto.
PEGA ESSA DICA!
Ao resolver questões de significação contextual, grife a expressão no texto e pergunte: "o que ela significa AQUI, nesta frase?" Depois, substitua cada alternativa e veja qual mantém o sentido original.