Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Conjunção — VUNESP 2023

PortuguêsConjunção
Código
vu183660
Banca
VUNESP
Órgão
SAME FM
Ano
2023
Cargo
Farm ( )

Meninos e gibis

 

Fomos uma geração de bons meninos. E acreditem: em boa parte por causa dos heróis dos quadrinhos. Éramos viciados em gibis. Nosso ideal do bem pode ser creditado ao Batman & Cia. Os heróis eram o exemplo máximo de bravura, doação e virtude.

 

Gibis abasteciam de ética o vasto campo da fantasia infantil, sem cobrar pela lição. Não era só por exigência da família, da escola ou da religião que os meninos tinham de ser bons e retos: eles queriam ser retos e bons – como os heróis.

 

Viviam o bem na imaginação, porque o bem era a condição do herói. A lei e a ordem eram a regra dentro da qual eles transitavam. Eram o lado certo que combatia o lado errado.

 

Atualmente não sei. Parei de ler gibis, só pego um ou outro da seção nostalgia. Nos anos 70 e 80, ainda surgiram heróis interessantes, mas alguns parecem cheios de ódio, como o Wolverine, ou vítimas confusas sem noção de bem e mal, como o Hulk. Complicou-se a simplicidade do bem. Na televisão, os heróis urram, gritam, destroem, torturam, estridentes como os arqui-inimigos maléficos. Não são simples e afinados com seus dons, como os heróis clássicos, são complexos, dramáticos e ambíguos, como ficou o mundo.

 

E a generosidade e a renúncia? Ah, os heróis antigos abriam mão de necessidades pessoais: atividades particulares, noivas, afetos, bens – tudo ficava em segundo plano. E a modéstia? Muitos tinham uma identidade secreta, não visavam ao aplauso pessoal. Longe deles a pretensão do brilho e a tentação das revistas de celebridades. E a coragem? Nada havia que os intimidasse. Não conheço ninguém assim, mas acalento a expectativa otimista de que essa generosidade um dia se manifeste não em mim (modesto de santidade e preguiçoso de ações), mas em alguém.

 

É difícil avaliar quanto dessas virtudes resistiu dentro de nós, mas as habilidades e os superpoderes certamente convivem conosco no campo dos sonhos e delírios.

 

(Ivan Angelo. https://vejasp.abril.com.br/cidades/meninos-gibis. Adaptado)

Para que haja, respectivamente, relação de causa e de concessão entre as ideias, deve-se reescrever o trecho do parágrafo da seguinte forma: Nosso ideal do bem pode ser creditado ao Batman & Cia,

  1. A... tanto que os heróis eram exemplo máximo de bravura, doação e virtude, mesmo que fossem fictícios.
  2. B... ainda que os heróis fossem exemplo máximo de bravura, doação e virtude, à medida que eram fictícios.
  3. C... uma vez que os heróis eram exemplo máximo de bravura, doação e virtude, embora fossem fictícios.
  4. D... pois os heróis eram exemplo máximo de bravura, doação e virtude, já que eram fictícios.
  5. E... contanto que os heróis fossem exemplo máximo de bravura, doação e virtude, por isso eram fictícios.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — ... uma vez que os heróis eram exemplo máximo de bravura, doação e virtude, embora fossem fictícios.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjunções: causa e concessão na reescritura

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que estabelece, respectivamente, relação de causa e de concessão entre as ideias, usando os conectivos adequados: "uma vez que" (causa) e "embora" (concessão). A passagem original — "Nosso ideal do bem pode ser creditado ao Batman & Cia" — é seguida, no texto, pela justificativa "Os heróis eram o exemplo máximo de bravura, doação e virtude", o que autoriza a relação de causa; a concessão surge do contraste com o fato de serem fictícios, ideia presente no texto quando o autor diz que os heróis eram o "lado certo que combatia o lado errado" na imaginação infantil.

O comando

A questão pede uma reescritura que preserve e explicite duas relações semânticas em sequência: primeiro uma relação de causa (a razão pela qual o ideal do bem pode ser creditado aos heróis) e, depois, uma relação de concessão (uma ressalva, uma ideia que contrasta com a anterior sem anulá-la). O verbo "deve-se reescrever" indica que não basta identificar a relação no texto original — é preciso escolher os conectivos que criam exatamente essas relações na ordem pedida.

O texto

O autor defende que os gibis formaram uma geração boa porque os heróis eram modelos de virtude. No trecho citado, a relação lógica é: os heróis eram exemplo de bravura, doação e virtudepor isso o ideal do bem pode ser creditado a eles. A informação de que eram fictícios é um dado que o próprio texto traz ("Viviam o bem na imaginação"), mas que contrasta com a influência real que tiveram — é exatamente esse contraste que a concessão expressa.

A técnica: causa × concessão

  • Causa: o conectivo introduz o motivo do fato da oração principal. Conectivos típicos: porque, pois, uma vez que, já que, como, visto que.

  • Concessão: o conectivo introduz uma ressalva, um fato que poderia impedir a realização do fato principal, mas não o impede. Conectivos típicos: embora, ainda que, mesmo que, conquanto, se bem que.

A pegadinha central é inverter a ordem ou trocar os conectivos — por exemplo, usar um conectivo concessivo onde deveria haver um causal, ou vice-versa. A banca também explora a troca de vocábulo que muda sutilmente o sentido, como "contanto que" (condição) no lugar de "embora" (concessão).

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura conectivos de relações diferentes (causa, concessão, condição, consequência) e inverte a ordem pedida. A alternativa C é a única que usa, na ordem certa, um conectivo causal (uma vez que) e um concessivo (embora).

1Causa
porque, pois
uma vez que, já que
como, visto que
2Concessão
embora, conquanto
ainda que, mesmo que
se bem que
3Condição
contanto que
desde que, caso
4Consequência
tanto que
por isso
Conectivos
LEVELsoulevel.com.br
Conectivos: Causa (porque, pois, uma vez que, já que, como, visto que); Concessão (embora, conquanto, ainda que, mesmo que, se bem que); Condição (contanto que, desde que, caso); Consequência (tanto que, por isso)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"... tanto que os heróis eram exemplo máximo de bravura, doação e virtude, mesmo que fossem fictícios."

O erro está no primeiro conectivo: "tanto que" estabelece relação de consequência (a segunda oração é o efeito da primeira), não de causa. Além disso, a ordem pedida é causa → concessão; aqui temos consequência → concessão. Erro: troca de relação semântica (consequência no lugar de causa).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"... ainda que os heróis fossem exemplo máximo de bravura, doação e virtude, à medida que eram fictícios."

Aqui a ordem está invertida: o primeiro conectivo ("ainda que") é de concessão, e o segundo ("à medida que") é de proporção (ou causa, em alguns usos), não de concessão. O comando pede causa primeiro, concessão depois. Erro: inversão da ordem das relações.

Alternativa C — ✅ Correta

"... uma vez que os heróis eram exemplo máximo de bravura, doação e virtude, embora fossem fictícios."

"Uma vez que" introduz a causa (o motivo de o ideal do bem ser creditado aos heróis), e "embora" introduz a concessão (a ressalva de que eram fictícios, o que não impede a influência). A ordem e as relações estão exatamente como pedido. Correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"... pois os heróis eram exemplo máximo de bravura, doação e virtude, já que eram fictícios."

O primeiro conectivo ("pois") é de causa, o que está correto. Porém, o segundo ("já que") também é de causa, não de concessão. A relação de concessão exige um conectivo que expresse contraste/ressalva (como embora), não uma segunda causa. Erro: segundo conectivo com valor causal, não concessivo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"... contanto que os heróis fossem exemplo máximo de bravura, doação e virtude, por isso eram fictícios."

"Contanto que" é conectivo de condição (não de causa), e "por isso" é de consequência (não de concessão). Nenhuma das duas relações pedidas é estabelecida. Erro: uso de conectivos de condição e consequência, além de inverter a lógica ("por isso eram fictícios" não faz sentido como consequência).

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar, identifique a ordem pedida no comando ("respectivamente") e teste cada conectivo: uma vez que/pois/já que = causa; embora/ainda que/mesmo que = concessão; contanto que = condição; tanto que/por isso = consequência.

Gabarito: letra C.

Link permanente: /questoes/vu183660