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Questão de Português — Conjunção — VUNESP 2023

PortuguêsConjunção
Código
vu183666
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Piracicaba
Ano
2023
Cargo
Aux (Piracicaba)

Esqueça o julgamento dos outros

 

Grande parte das pessoas se frustra por supervalorizar a opinião alheia, por tomar decisões importantes baseadas no que os outros dizem, por se importar demais com os comentários paralelos. Muitas vezes, a dificuldade dessa turma não é a falta de dinheiro, conhecimento ou oportunidade, mas porque consideram a posição de terceiros mais que a própria e permitem que estranhos, que conhecem 1% da sua realidade, influenciem as suas escolhas. Não aceite que o ponto de vista de quem o entende superficialmente se sobreponha ao seu.

 

Não é o medo de falhar e se decepcionar que preocupa alguns profissionais, mas o medo de falhar e decepcionar os outros, de errar e frustrar os que os cercam. A humanidade dá muita bola para o julgamento externo. Crescemos em uma estrutura social que valoriza as aparências. Logo, muita gente acaba dedicando horas preciosas(a) do seu dia a fim de emitir críticas(b) rasas a seu respeito.

 

Procure se afastar desses barulhos que vêm de longe.

 

A empresa que eu e meu sócio criamos cresceu de um jeito não convencional para os padrões da indústria financeira. Na época, fomos criticados, chamados de “garotos” e por aí vai. Porém, não dávamos bola para isso.(c)

 

Nosso combustível era o aumento de investidores todo mês, o número cada vez maior de escritórios, a satisfação dos clientes… Essa era a matéria-prima que alimentava as nossas iniciativas. Se tivéssemos nos distraído com o blá-blá-blá(d) dos outros, alguém maior e com bem mais recursos poderia ter nos engolido. Profissionais que têm a incapacidade de reagir com ações, reagem com palavras.

 

O progresso só desconforta quem está parado. Você pode ser o indivíduo mais legal que existe, mas, se estiver progredindo,(e) terá difamadores. Nada pode ser mais decepcionante do que guiar seus planos com base no juízo de pessoas que pouco o conhecem. Essa turma não entende o seu contexto de vida, não sabe que diabos ocorre em sua casa, não faz ideia dos problemas que você enfrenta. Se você acredita no que faz, trabalha com ética e está crescendo, siga firme com suas convicções. Mantenha suas estratégias em linha com as suas verdades. Ao atingir esse nível de confiança e comprometimento com você mesmo, coisas incríveis podem acontecer.

 

(Maurício Benvenutti, O Estado de S.Paulo, 7 de setembro de 2022. Adaptado)

A palavra ou expressão em destaque expressa relação de sentido de condição na alternativa:
  1. A Logo, muita gente acaba dedicando horas preciosas…
  2. B… acaba dedicando horas preciosas do seu dia a fim de emitir críticas…
  3. CPorém, não dávamos bola para isso.
  4. DSe tivéssemos nos distraído com o blá-blá-blá…
  5. EVocê pode ser o indivíduo mais legal que existe, mas, se estiver progredindo…
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Se tivéssemos nos distraído com o blá-blá-blá…

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Orações subordinadas adverbiais: a condicional "se"

Gabarito: letra D. A única alternativa em que a expressão destacada instaura relação de condição é a D, pois a conjunção "se" introduz uma oração subordinada adverbial condicional: a distração com o "blá-blá-blá" dos outros é a hipótese da qual decorreria a consequência de ser "engolido" por um concorrente maior. Como se lê no 4º parágrafo: "Se tivéssemos nos distraído com o blá-blá-blá dos outros, alguém maior e com bem mais recursos poderia ter nos engolido". As demais alternativas expressam outras relações: conclusão (A), finalidade (B), oposição (C) e concessão (E).

O comando pede que você identifique a relação de sentido expressa pela palavra ou expressão em destaque. Isso é uma questão de semântica dos conectivos: não basta reconhecer a classe gramatical (conjunção, locução conjuntiva, advérbio), é preciso captar o valor lógico que o conectivo estabelece entre as orações ou ideias no contexto. A banca VUNESP adora cobrar isso: ela destaca um conectivo e pergunta qual relação ele expressa — condição, causa, consequência, finalidade, oposição, concessão, etc.

O texto é um artigo de opinião de Maurício Benvenutti sobre a importância de não se deixar guiar pelo julgamento alheio. A tese central é que devemos seguir nossas próprias convicções, ignorando críticas superficiais de quem pouco nos conhece. O autor usa a própria experiência como empresário para ilustrar: foi criticado, mas não se importou, e o sucesso veio dos resultados, não das opiniões. O trecho da alternativa D está no 4º parágrafo, onde ele faz uma hipótese contrafactual (irreal): se tivessem se distraído com as críticas, teriam sido engolidos pela concorrência.

A técnica para resolver é direta: teste cada conectivo substituindo-o por outro de valor conhecido. A condicional "se" pode ser substituída por "caso", "contanto que", "desde que" — todas introduzem uma hipótese. Veja: "Caso tivéssemos nos distraído..." mantém o sentido. Já "Logo" (A) indica conclusão (equivale a "portanto"); "a fim de" (B) indica finalidade (equivale a "para"); "Porém" (C) indica oposição (equivale a "mas"); e o "mas" da E, combinado com "se", cria uma estrutura concessiva (equivale a "ainda que", "embora").

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca a condicional "se" em duas alternativas (D e E), mas em E o "se" está dentro de uma oração concessiva introduzida por "mas". A relação principal é de concessão (quebra de expectativa), não de condição. Quem marca E confunde a oração subordinada com a relação global do período.

1Conclusão
Logo, portanto, por conseguinte
2Finalidade
A fim de, para
3Oposição
Porém, mas, contudo, todavia
4Condição
Se, caso, contanto que, desde que
5Concessão
Embora, ainda que, mesmo que
Conectivos e relações de sentido
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Conectivos e relações de sentido: Conclusão (Logo, portanto, por conseguinte); Finalidade (A fim de, para); Oposição (Porém, mas, contudo, todavia); Condição (Se, caso, contanto que, desde que); Concessão (Embora, ainda que, mesmo que)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Logo, muita gente acaba dedicando horas preciosas..."

A palavra "Logo" expressa conclusão: introduz uma consequência do que foi dito antes (a supervalorização da opinião alheia leva a dedicar horas a críticas rasas). Equivale a "portanto", "por conseguinte". Não há hipótese ou condição alguma. Erro: troca de conceito — confunde conclusão com condição.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"...acaba dedicando horas preciosas do seu dia a fim de emitir críticas..."

A locução "a fim de" expressa finalidade: indica o objetivo da ação de dedicar horas (emitir críticas). Equivale a "para". Não há relação de condição. Erro: troca de conceito — confunde finalidade com condição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Porém, não dávamos bola para isso."

A conjunção "Porém" expressa oposição/adversidade: contrapõe a ideia de terem sido criticados à atitude de não se importarem. Equivale a "mas", "contudo", "todavia". Não há condição. Erro: troca de conceito — confunde oposição com condição.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Se tivéssemos nos distraído com o blá-blá-blá dos outros, alguém maior e com bem mais recursos poderia ter nos engolido."

A conjunção "Se" introduz uma oração subordinada adverbial condicional: a distração é a hipótese (condição) da qual decorreria a consequência de serem engolidos. O verbo no pretérito mais-que-perfeito composto do subjuntivo ("tivéssemos distraído") marca uma condição irreal (não realizada). Substitua por "caso": "Caso tivéssemos nos distraído..." — o sentido condicional fica evidente. É a única alternativa em que a relação é genuinamente de condição.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Você pode ser o indivíduo mais legal que existe, mas, se estiver progredindo, terá difamadores."

Aqui o "se" também introduz uma condição ("se estiver progredindo" = "caso esteja progredindo"), mas a relação global do período é de concessão, marcada pelo "mas": a ideia de ser "o indivíduo mais legal" é contraposta à de ter difamadores. O "mas" estabelece uma quebra de expectativa — mesmo sendo legal, terá difamadores. A banca pede a relação expressa pela expressão em destaque como um todo, e o destaque inclui o "mas". Portanto, a relação predominante é concessiva, não condicional. Erro: troca de conceito — confunde concessão com condição.

Conclusão: a questão testa o reconhecimento do valor semântico dos conectivos. A regra de ouro: substitua o conectivo por outro de valor conhecido — se "se" vira "caso", é condição; se "logo" vira "portanto", é conclusão; se "a fim de" vira "para", é finalidade; se "porém" vira "mas", é oposição; se "mas" vira "embora", é concessão. A única que resiste ao teste da condicional é a D.

Gabarito: letra D

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