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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — VUNESP 2023

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
vu183681
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Sertãozinho SP
Ano
2023
Cargo
Moto (Pref Sertãozinho)

Primeira Classe

 

Durante anos, o homem teve um sonho: queria viajar de avião na primeira classe. Na classe econômica ele, executivo de uma empresa multinacional, era um passageiro habitual; e, quando via a aeromoça fechar a cortina da primeira classe, quando ficava imaginando os belos pratos e bebidas que lá serviam, mordia-se de raiva. Talvez por causa disso trabalhava incansavelmente; subiu na vida, chegou a um cargo de chefia que, entre outras coisas, dava-lhe direito à primeira classe nos voos.

 

E assim um dia ele embarcou de Nova Déli, onde acabara de concluir um importante negócio, para Londres. Seu lugar era na primeira classe: o sonho enfim realizado. Tudo era exatamente como tinha imaginado: coquetéis de excelente qualidade, um jantar que em qualquer lugar seria considerado um banquete. Para cúmulo da sorte, o lugar a seu lado estava vazio.

 

No meio da noite acordou, e, para sua surpresa, constatou que o lugar estava ocupado. No primeiro momento achou que se tratava de um intruso; mas logo em seguida deu-se conta de que algo anormal estava ocorrendo: várias pessoas estavam ali, no corredor, chorando e se lamentando. Explicável: a passageira a seu lado estava morta. A tripulação optara por colocá-la na primeira classe exatamente porque naquela parte do avião havia menos gente.

 

Sua primeira reação foi exigir que removessem imediatamente o cadáver. Mas não podia fazer uma coisa dessas; seria muita crueldade. Por outro lado, ter um corpo morto a seu lado horrorizava-o. Não havendo outros lugares vagos na primeira classe, só lhe restava uma alternativa: levantou-se e foi para a classe econômica, para o lugar onde a morta até há pouco tinha ocupado.

 

Ali ficou, sem poder dormir, porque depois que se experimenta a primeira classe, nada mais serve. Finalmente o avião pousou, e ele, arrasado, dirigiu-se para a saída, onde o esperavam os parentes da falecida para agradecer-lhe. Disse um deles, que se identificou como filho da senhora: “Minha mãe sempre quis viajar de primeira classe. Só conseguiu depois de morta, e isto graças à sua compreensão. Deus recompensará”.

 

Que tem seu lugar garantido no céu, isso ele sabe. Só espera chegar lá viajando de primeira classe. E sem óbitos durante o voo.

 

(Moacyr Scliar. Histórias que os jornais não contam.Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.     Na passagem – ... várias pessoas estavam ali, no corredor, chorando e se lamentando. Explicável: a passageira a seu lado estava morta. – (3º parágrafo), os dois-pontos foram empregados para
  1. Adar início à fala de alguém.
  2. Bseparar uma enumeração.
  3. Cdar destaque a uma palavra nova.
  4. Dmarcar uma interrupção da frase.
  5. Eesclarecer uma ideia anterior.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — esclarecer uma ideia anterior.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso dos dois-pontos: esclarecimento de ideia anterior

Gabarito: letra E. No trecho “Explicável: a passageira a seu lado estava morta”, os dois-pontos foram empregados para esclarecer uma ideia anterior — a palavra “Explicável” anuncia que o que vem depois é a explicação do que foi dito antes. A passagem que ancora essa leitura é a própria estrutura do período: o termo “Explicável” funciona como um resumo do que se vai esclarecer, e os dois-pontos introduzem exatamente esse esclarecimento.

“Explicável: a passageira a seu lado estava morta.”

Aqui, os dois-pontos antecedem uma explicação: o que torna o fato “explicável” é a informação de que a passageira estava morta. Essa é a função clássica do sinal — anunciar um esclarecimento do que vem antes dele, como em “Ela revelou o motivo: estava sem dinheiro”.

O comando da questão

A questão pede que você identifique a função discursiva dos dois-pontos no trecho destacado. Não se trata de decorar regra isolada, mas de observar o efeito que o sinal produz no texto: o que ele faz com a informação que vem antes e com a que vem depois. Esse é o modo de cobrança típico de pontuação em prova — menos “quando se usa” e mais “para que serve aqui”.

A técnica que decide

Os dois-pontos têm quatro usos principais: introduzir enumeração, anteceder citação, marcar fala de personagem e anteceder explicação/esclarecimento. A chave é testar cada alternativa perguntando: o que vem depois do sinal faz o quê com o que veio antes?

  • Se depois vier uma lista → enumeração.

  • Se vier uma fala → discurso direto.

  • Se vier uma citação → citação literal.

  • Se vier uma explicação → esclarecimento.

No trecho, depois dos dois-pontos vem “a passageira a seu lado estava morta” — isso explica por que o fato era “explicável”. Não há lista, não há fala, não há citação. A função é, portanto, esclarecer uma ideia anterior.

Análise das alternativas

Dois-pontos
  • 1Funções
    • Introduzir enumeração
    • Anteceder citação
    • Marcar fala (discurso direto)
    • Anteceder explicação/esclarecimento
  • 2Teste decisivo
    • O que vem depois faz o quê com o antes?
      • Lista → enumeração
      • Fala → discurso direto
      • Citação → citação literal
      • Explicação → esclarecimento
  • 3No trecho
    • "Explicável: a passageira estava morta"
    • Não é lista
    • Não é fala
    • Não é citação
    • É explicação da ideia anterior
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Dar início à fala de alguém. Os dois-pontos podem introduzir fala em discurso direto (ex.: “Ele gritou: — Saia daqui!”), mas no trecho não há mudança de locutor nem verbo de elocução (como “disse”, “perguntou”). O que segue o sinal é uma constatação do narrador, não a fala de uma personagem. A alternativa extrapola uma função possível do sinal para um contexto que não a autoriza.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Separar uma enumeração. Enumeração é uma sequência de itens coordenados (ex.: “Comprei: pão, queijo e vinho”). No trecho, depois dos dois-pontos há uma única oração — “a passageira a seu lado estava morta” — e não uma lista de elementos. A alternativa troca o conceito: confunde “explicação” com “enumeração”, que são funções distintas do sinal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Dar destaque a uma palavra nova. Os dois-pontos não têm essa função. Quem destaca palavras ou expressões são aspas, travessão ou parênteses. No trecho, a palavra “Explicável” não é uma palavra nova nem está sendo destacada; ela é o termo que anuncia a explicação. A alternativa tangencia o tema, atribuindo ao sinal um papel que ele não exerce.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Marcar uma interrupção da frase. Interrupção é função das reticências (ex.: “Eu queria dizer...”). Os dois-pontos, no trecho, não interrompem o fluxo; eles conectam uma ideia à sua explicação. A alternativa contradiz a função do sinal no contexto, pois o que há é continuidade lógica, não pausa abrupta.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esclarecer uma ideia anterior. O termo “Explicável” resume o que será dito, e os dois-pontos introduzem a explicação: a passageira estava morta. Essa é a função clássica do sinal — anteceder um esclarecimento do que veio antes. A passagem confirma:

“Explicável: a passageira a seu lado estava morta.”

A palavra “Explicável” só faz sentido se o que vem depois for a explicação — e é exatamente isso que os dois-pontos sinalizam.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as funções dos dois-pontos. A alternativa B (enumeração) é a mais sedutora, pois o sinal frequentemente introduz listas — mas aqui não há lista, há explicação. Teste sempre: o que vem depois é uma lista ou uma justificativa?

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de pontuação, pergunte-se qual é a relação semântica entre o que vem antes e o que vem depois do sinal. Se for causa/justificativa, é explicação; se for sequência de itens, é enumeração.

Gabarito: letra E.

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