Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — VUNESP 2023
Português›Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
vu183694
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Sertãozinho SP
Ano
2023
Cargo
Arqt (Sertãozinho)
Ausências Alienígenas
O comando militar dos EUA voltou a divulgar não haver evidência de que sejam extraterrestres os tais objetos voadores não identificados (óvnis, em português, ou UFOs, em inglês) – que seus investigadores preferem chamar de fenômenos aéreos não identificados (UAPs, na língua estrangeira).
Para tentar dirimir as dúvidas remanescentes, o Pentágono se deu ao trabalho de abrir um Escritório de Resolução de Anomalias de Todos os Domínios (AARO). Seis meses depois, deu-se a primeira entrevista coletiva para tratar dos UAPs.
Sean Kirkpatrick, diretor do órgão, permaneceu fiel à lógica truísta ao admitir não ter como descartar a possibilidade de vida extraterrestre. Tudo que se pode fazer, argumentou, é manter uma atitude científica diante da questão.
Pragmáticos, os militares concentram sua atenção em ocorrências suspeitamente próximas de suas instalações. Fazem isso com base na hipótese menos improvável de que os artefatos a sobrevoar as bases sejam russos, chineses e mesmo americanos (guiados por outras agências governamentais), e não naves intergalácticas.
Em 2021, o governo anunciou ter mais de 140 casos registrados. Um deles era um balão meteorológico em queda, enquanto os demais seguiam inexplicáveis – tendo em vista as trajetórias, os dados de radares e as tecnologias conhecidas.
Depois desse primeiro relatório, centenas de outros episódios teriam chegado ao conhecimento do AARO. Passarão pelo mesmo processo rigoroso de escrutínio, mas os crédulos não se darão por satisfeitos – afinal, como professava o agente Fox Mulder na série de TV Arquivo X, eles querem acreditar.
Estariam melhor se aderissem a outra máxima científica: hipóteses extraordinárias exigem provas extraordinárias. Até agora, ETs só se comunicam com humanos nas telas de cinema. Como há quem acredite até na inoculação de chips por vacinas, a fábula alienígena segue em propulsão fantástica.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 24.12.2022. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão. A regência verbal e o emprego do acento indicativo da crase estão em conformidade com a norma-padrão com o enunciado reescrito do texto em:
AAo se referirem à possíveis evidências de extraterrestres, o comando militar dos EUA prefere usar a expressão UAPs do que a expressão UFOs.
BAinda que as situações duvidosas sejam verificadas uma à uma pelos militares, os crédulos discordarão com os resultados aferidos.
CO comando militar dos EUA comunicou à todos os cidadãos de que não há evidência que sejam extraterrestres os objetos voadores não identificados.
DOs militares concentram a atenção em ocorrências suspeitas próximas às instalações em que atuam e anseiam pela resolução dos enigmas.
EQuanto à possibilidade de vida extraterrestre, Sean Kirkpatrick argumentou de que é preciso manter uma atitude científica diante da questão.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — Os militares concentram a atenção em ocorrências suspeitas próximas às instalações em que atuam e anseiam pela resolução dos enigmas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Regência verbal e crase: a reescrita que respeita a norma-padrão
Gabarito: letra D. A alternativa correta é a única em que a regência verbal e o emprego da crase estão plenamente de acordo com a norma-padrão. Em "Os militares concentram a atenção em ocorrências suspeitas próximas às instalações em que atuam e anseiam pela resolução dos enigmas", o verbo concentrar rege a preposição em (concentrar algo em algo), o adjetivo próximas exige a preposição a, que se funde com o artigo as de "instalações", formando a crase às, e o verbo ansiar rege a preposição por, que se funde com o artigo a de "resolução", formando pela. A passagem do texto que sustenta essa reescrita é: "Pragmáticos, os militares concentram sua atenção em ocorrências suspeitamente próximas de suas instalações."
O comando pede que se identifique a reescrita de um trecho do texto em que a regência verbal e o emprego da crase estejam corretos. Isso significa que cada alternativa deve ser testada em dois pontos: (1) se o verbo ou nome rege a preposição adequada e (2) se a crase foi empregada (ou omitida) corretamente. A questão não pede interpretação de sentido, mas sim o domínio da norma culta aplicada a uma reescrita. É uma questão de gramática normativa, e a resposta se prova pela aplicação das regras de regência e crase, não por dedução sobre o conteúdo do texto.
O texto-base trata da posição do comando militar dos EUA sobre os óvnis/UAPs. O trecho que interessa para a questão é o 4º parágrafo, que afirma que os militares, de forma pragmática, concentram sua atenção em ocorrências suspeitas próximas de suas instalações. A alternativa D reescreve exatamente essa ideia, e é nessa reescrita que devemos verificar a correção gramatical.
A técnica para resolver é testar cada alternativa em três frentes: regência do verbo (qual preposição ele exige?), regência do nome (qual preposição o adjetivo/substantivo exige?) e crase (há fusão de preposição + artigo? O termo seguinte admite artigo?). Vamos aplicar isso a cada alternativa.
Verbo/Nome
Regência correta
Erro nas alternativas
Preferir
algo a algo
A: "do que"
Discordar
de algo
B: "com"
Comunicar
algo a alguém
C: "de que"
Argumentar
que
E: "de que"
Concentrar
algo em algo
D: correta
Próximo
a algo
D: correta (crase)
Ansiar
por algo
D: correta
Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está na regência do verbo preferir. Na norma-padrão, o verbo preferir é transitivo direto e indireto, regendo a preposição a, e não a locução "do que". O correto seria: "prefere usar a expressão UAPs a usar a expressão UFOs" ou "prefere a expressão UAPs à expressão UFOs". A construção "prefere X do que Y" é considerada um desvio de regência, pois o verbo não admite a comparação com "do que". Além disso, a alternativa apresenta outro problema: "à possíveis evidências" — a crase é indevida, pois possíveis é um adjetivo plural que não admite o artigo as (não se diz "as possíveis evidências" com crase antes de palavra no plural sem artigo). O correto seria "a possíveis evidências". Erro: troca de regência (preferir) e crase indevida.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa apresenta dois problemas. Primeiro, a expressão "uma à uma" está com crase indevida: a locução é "uma a uma", sem crase, pois não há fusão de preposição com artigo (o "a" é preposição e "uma" é numeral, não admite artigo). Segundo, a regência do verbo discordar está errada: o verbo discordar rege a preposição de (discordar de algo/alguém), e não a preposição com. O correto seria "discordarão dos resultados aferidos". Erro: crase indevida em locução e regência verbal incorreta (discordar de).
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa apresenta dois desvios. Primeiro, a crase em "à todos" é indevida: todos é um pronome indefinido que não admite artigo, portanto não há fusão de preposição com artigo; o correto é "a todos". Segundo, a regência do verbo comunicar está errada: o verbo comunicar é transitivo direto e indireto, regendo a preposição a (comunicar algo a alguém), e não a preposição de. O correto seria "comunicou a todos os cidadãos que não há evidência" (sem o "de"). Erro: crase indevida e regência verbal incorreta (comunicar algo a alguém).
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta em todos os pontos. O verbo concentrar é transitivo direto e indireto, regendo a preposição em (concentrar a atenção em algo), e a alternativa usa "concentram a atenção em ocorrências". O adjetivo próximas rege a preposição a (próximo a algo), e a alternativa usa "próximas às instalações" — aqui há a fusão da preposição a com o artigo as de "instalações", formando a crase às, que está correta. O verbo ansiar rege a preposição por (ansiar por algo), e a alternativa usa "anseiam pela resolução" — novamente, a fusão da preposição por com o artigo a de "resolução" forma pela, que está correto. A reescrita mantém o sentido do texto original: "Pragmáticos, os militares concentram sua atenção em ocorrências suspeitamente próximas de suas instalações." Correta: regência e crase em conformidade com a norma-padrão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa apresenta um erro de regência. O verbo argumentar é transitivo indireto, regendo a preposição que (argumentar que algo), e não a preposição de. O correto seria "argumentou que é preciso manter uma atitude científica". A crase em "Quanto à possibilidade" está correta, pois há a fusão da preposição a (exigida pela locução "quanto a") com o artigo a de "possibilidade". No entanto, o erro de regência do verbo argumentar torna a alternativa incorreta. Erro: regência verbal incorreta (argumentar que).
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura erros de regência verbal (preferir, discordar, comunicar, argumentar) com erros de crase (antes de palavra que não admite artigo, como "possíveis", "todos", "uma"). A alternativa D é a única que acerta os dois pontos simultaneamente.
PEGA ESSA DICA!
Ao testar uma reescrita, verifique primeiro a regência do verbo (qual preposição ele exige?) e depois a crase (há fusão de preposição + artigo? O termo seguinte admite artigo?). Se o termo seguinte for pronome indefinido, numeral ou palavra no plural sem artigo, a crase é indevida.