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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — VUNESP 2023

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
vu183721
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Sorocaba
Ano
2023
Cargo
Arqueo (Sorocaba)

Quando eu tinha a tua idade

 

Ai, Senhor, não nos deixe cair na tentação de dizer ao nosso filho ou à nossa filha qualquer coisa que comece com “Quando eu tinha a tua idade...”

 

Dificilmente haverá, nas sempre difíceis relações entre pais e filhos, frase mais perigosa. Para começar, ela alarga o gap entre as gerações, este fosso que separa adultos de crianças ou adolescentes, e cuja largura, nesta era de rápidas transformações, se mede em anos-luz. No entanto, os pais a usam, é uma coisa automática. Olhamos o quarto desarrumado e observamos: “Quando eu tinha a tua idade, fazia a cama sozinho”. Examinamos a redação feita para a escola e sacudimos a cabeça: “Quando eu tinha a tua idade, não cometia esses erros de ortografia. E a minha letra era muito melhor”.

 

Sim, a nossa letra era melhor. Sim, íamos sozinhos até o centro da cidade. Sim, aos dez anos já trabalhávamos e sustentávamos toda a família. Sim, éramos mais cultos, mais politizados, mais atentos. Conhecíamos toda a obra de Balzac, entoávamos todas as sinfonias de Beethoven. Éramos o máximo.

 

Mas éramos mesmo? Se entrássemos na máquina do tempo e recuássemos algumas décadas, será que teríamos a mesma impressão? Sim, íamos até o centro da cidade, mas a cidade era menor, mais fácil de ser percorrida. Sim, trabalhávamos – mas havia outra alternativa?

 

Cada geração recorre às habilidades de que necessita. Sabíamos usar um martelo ou consertar um abajur, mas eles dedilham um computador com a destreza de um virtuose. Nós jogávamos futebol na várzea, mas agora que a febre imobiliária acabou com os terrenos baldios, os garotos fazem prodígios com o skate nuns poucos metros quadrados.

 

Bem, mas então não podemos falar aos nossos filhos sobre a nossa infância? Longe disso. Há uma coisa que podemos compartilhar com eles; os sonhos que tivemos, e que, na maioria irrealizados (ai, as limitações da condição humana), jazem intactos, num cantinho da nossa alma. São estes sonhos que devemos mobilizar como testemunhas de nosso diálogo com os jovens.

 

Fale a uma criança sobre aquilo que você esperava ser; fale de suas fantasias:

 

– Quando eu tinha a tua idade, meu filho, eu era criança como tu. E era bom.

 

(Coleção melhores crônicas: Moacyr Scliar. Org. Luís Augusto Fischer. Global Editora. Adaptado)

Leia a crônica de Moacyr Scliar para responder a questão.     Assinale a alternativa correta quanto à norma-padrão de concordância verbal e nominal.
  1. ANão importa os sonhos fracassados, pois eles fazem parte da existência de todos os seres humanos.
  2. BConvencida da promoção constante do diálogo com os filhos, é assim que os familiares devem agir.
  3. CIr sozinho até o centro da cidade e ter uma letra bonita eram aptidões que pertence ao passado.
  4. DDeve haver pais que ainda insistem em exigir dos filhos um comportamento idêntico ao que tiveram.
  5. EAs gerações precisam enfrentar, por elas mesmos, os desafios que lhes são impostos ao longo do tempo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Deve haver pais que ainda insistem em exigir dos filhos um comportamento idêntico ao que tiveram.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal e nominal: o verbo "haver" impessoal e a concordância dos determinantes

Gabarito: letra D. A única alternativa correta quanto à norma-padrão é a que emprega "Deve haver" no singular, pois o verbo haver no sentido de existir é impessoal e invariável, formando locução verbal com o auxiliar deve, que também fica no singular. As demais alternativas apresentam erros de concordância verbal ou nominal, como se prova a seguir.

O comando da questão

O enunciado pede a alternativa correta quanto à norma-padrão de concordância verbal e nominal. Isso significa que devemos analisar cada frase isoladamente, verificando se o verbo concorda com o sujeito (concordância verbal) e se os determinantes (artigos, adjetivos, pronomes) concordam com os substantivos a que se referem (concordância nominal). Não se trata de interpretação de texto, mas de aplicação de regras gramaticais — o texto-base serve apenas de contexto temático.

A técnica que decide a questão

O ponto central está na concordância do verbo "haver". Quando o verbo haver é empregado no sentido de existir (impessoal), ele não tem sujeito e fica sempre na 3ª pessoa do singular. Em locuções verbais, o verbo auxiliar (deve, pode, vai) também fica no singular, pois concorda com o mesmo sujeito inexistente. É exatamente o que ocorre na alternativa D: "Deve haver pais..." — o haver é impessoal, e o auxiliar deve permanece no singular.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver o verbo haver no sentido de existir, pergunte: "quem existe?" Se a resposta for um substantivo plural, o verbo haver continua no singular, pois não há sujeito. O mesmo vale para o auxiliar em locuções: "deve haver", "pode haver", "vai haver" — sempre no singular.

Concordância verbal
  • 1Verbo "haver" impessoal (existir)
    • Sempre no singular
    • Auxiliar também no singular (deve haver)
  • 2Sujeito posposto
    • "Não importa os sonhos" → importam
  • 3Sujeito relativo "que"
    • "aptidões que pertence" → pertencem
  • 4Concordância nominal
    • Particípio/adjetivo
      • "Convencida... os familiares" → Convencidos
    • Pronome "mesmo"
      • "por elas mesmos" → mesmas
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Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Não importa os sonhos fracassados, pois eles fazem parte da existência de todos os seres humanos."

O verbo "importa" deveria concordar com o sujeito "os sonhos fracassados", que está no plural. O correto seria "Não importam os sonhos fracassados". A banca explora a inversão da ordem (verbo antes do sujeito), o que dificulta a percepção da concordância. Aqui, o sujeito é claro e plural, então o verbo deve ir para o plural.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Convencida da promoção constante do diálogo com os filhos, é assim que os familiares devem agir."

O particípio "Convencida" está no feminino singular, mas o termo a que se refere é "os familiares" (masculino plural). O correto seria "Convencidos". Trata-se de um erro de concordância nominal: o adjetivo/particípio deve concordar em gênero e número com o substantivo a que se refere.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Ir sozinho até o centro da cidade e ter uma letra bonita eram aptidões que pertence ao passado."

O verbo "pertence" está no singular, mas o sujeito é o pronome relativo "que", cujo antecedente é "aptidões" (plural). O correto seria "pertencem". Além disso, há um problema de paralelismo: o sujeito composto "Ir sozinho... e ter uma letra bonita" exige verbo no plural ("eram" já está correto), mas o relativo "que" retoma "aptidões", exigindo também o plural.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Deve haver pais que ainda insistem em exigir dos filhos um comportamento idêntico ao que tiveram."

Aqui, o verbo "haver" é impessoal (sentido de existir), portanto fica no singular. O auxiliar "deve" também fica no singular, formando a locução "Deve haver". O restante da frase está correto: "pais que ainda insistem" — o verbo "insistem" concorda com "pais" (plural); "um comportamento idêntico ao que tiveram" — concordância nominal adequada ("idêntico" concorda com "comportamento").

Alternativa E — ❌ Incorreta

"As gerações precisam enfrentar, por elas mesmos, os desafios que lhes são impostos ao longo do tempo."

O pronome "mesmos" está no masculino, mas o termo a que se refere é "elas" (feminino, referindo-se a "gerações"). O correto seria "por elas mesmas". Trata-se de erro de concordância nominal: o pronome "mesmo" deve concordar em gênero e número com o pronome pessoal a que se refere.

Conclusão

A alternativa D é a única que respeita integralmente a norma-padrão de concordância verbal e nominal. As demais apresentam erros típicos de concordância, seja verbal (A e C) ou nominal (B e E).

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora testar o verbo "haver" impessoal, pois muitos candidatos o confundem com "existir" e flexionam indevidamente. Lembre-se: "haver" no sentido de existir é invariável; "existir" é pessoal e concorda com o sujeito.

Gabarito: letra D

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