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Questão de Português — Crase — VUNESP 2023

PortuguêsCrase
Código
vu183724
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Sorocaba
Ano
2023
Cargo
Arqueo (Sorocaba)

Esforço global

 

Em Seul, na Coreia do Sul, as latas de lixo pesam automaticamente a quantidade de comida ali jogada. Em Londres, mercados pararam de colocar datas de validade em frutas e legumes para diminuir a confusão sobre o que ainda pode ser consumido. A Califórnia agora exige que os supermercados distribuam – e não joguem fora – produtos que não foram vendidos, mas que estão bons para o consumo.

 

Esses são exemplos de uma ampla gama de esforços que está sendo realizada mundialmente para enfrentar dois problemas urgentes: a fome e as mudanças climáticas.

 

Em todo o mundo, o desperdício de alimentos é responsável por 8% a 10% das emissões globais de gases de efeito estufa, pelo menos o dobro das emissões da aviação. De acordo com estimativas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, são alimentos suficientes para mais de 1 bilhão de pessoas.

 

Todas essas iniciativas apontam para uma desconexão no sistema global moderno: muitos alimentos são produzidos, mas não consumidos, mesmo enquanto pessoas passam fome.

 

Jogar fora as safras que foram plantadas, regadas, colhidas, embaladas e transportadas é um problema relativamente novo na história da humanidade. Durante séculos, as pessoas usaram tudo o que podiam: o caule de uma bananeira, cascas de vegetais, uma cenoura que crescia retorcida no subsolo. Hoje, 31% dos alimentos cultivados, transportados ou vendidos são desperdiçados.

 

Para Dana Gunders, diretora da ReFED, Ong focada na redução do desperdício de alimentos, “É melhor não produzir o que você sabe que não será consumido. Para fazer isso, é preciso redesenhar os sistemas. O que não é tão fácil quanto jogar sobras em uma caixa de compostagem”.

 

(Somini Sengupta. https://www.estadao.com.br/sustentabilidade/ por-dentro-do-esforco-global-para-manter-alimentos-perfeitamenteconsumiveis- fora-do-lixao/ Tradução de Lívia Bueloni Gonçalves. Publicado em 22.10.2022. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.

   

O sinal indicativo de crase está corretamente empregado na alternativa que completa o seguinte trecho:

 

Há instituições da sociedade civil que se opõem

  1. Aà logística inadequada aplicada na produção de alimentos.
  2. Bà uma discrepância evidente no sistema alimentar mundial.
  3. Cà cidades que não investem na distribuição racional dos alimentos.
  4. Dà enfrentar o descarte de alimentos apenas por meio da compostagem.
  5. Eà toda e qualquer negligência no reaproveitamento dos alimentos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — à logística inadequada aplicada na produção de alimentos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: quando a preposição encontra o artigo

Gabarito: letra A. A crase é correta em "à logística inadequada" porque o verbo "opor-se" exige a preposição a (quem se opõe, opõe-se a algo) e o termo seguinte, "logística", é um substantivo feminino que admite o artigo a — logo, temos a fusão a + a = à. As demais alternativas falham porque o termo seguinte não admite o artigo feminino (verbo, pronome indefinido, palavra masculina) ou porque o uso de "à" antes de "uma" é proibido.

O comando

A questão pede que você complete o trecho "Há instituições da sociedade civil que se opõem" com a alternativa em que o sinal indicativo de crase está corretamente empregado. Isso significa que você deve verificar, em cada opção, se a crase é obrigatória, facultativa ou proibida — e isso depende de dois fatores: a regência do verbo (que exige a preposição a) e a presença do artigo feminino antes do substantivo.

A regra que decide

A crase é a fusão da preposição a com o artigo feminino a (ou com o a inicial de pronomes demonstrativos/relativos). Para saber se há crase, faça o teste:

  1. O verbo exige a preposição a? No caso, "opor-se" é transitivo indireto: quem se opõe, opõe-se a alguma coisa.

  2. O termo seguinte admite o artigo a? Se for um substantivo feminino, sim; se for verbo, pronome indefinido, palavra masculina, ou se já houver outra preposição, não.

Se as duas condições forem verdadeiras, há crase. Se apenas uma for verdadeira, não há.

A pegadinha da banca

A banca explora a confusão entre crase obrigatória e crase proibida. Em "opor-se a", a preposição é exigida, mas a crase só ocorre se o termo seguinte for feminino e admitir artigo. As alternativas B, C, D e E apresentam termos que não admitem o artigo feminino — verbo, pronome indefinido, palavra masculina —, o que torna a crase incorreta.

Análise das alternativas

1Condições
Verbo exige preposição a
Termo seguinte admite artigo a
2Proibida antes de
Verbo (a enfrentar)
Pronome indefinido (a uma)
Palavra masculina (a cidades)
3Teste do "ao"
Trocar por palavra masculina
Faz sentido "ao" → há crase
Não faz sentido → não há crase
Crase: a + a = à
LEVELsoulevel.com.br
Crase: a + a = à: Condições (Verbo exige preposição a, Termo seguinte admite artigo a); Proibida antes de (Verbo (a enfrentar), Pronome indefinido (a uma), Palavra masculina (a cidades)); Teste do "ao" (Trocar por palavra masculina, Faz sentido "ao" → há crase, Não faz sentido → não há crase)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A crase é correta em "à logística inadequada". O verbo "opor-se" exige a preposição a (quem se opõe, opõe-se a algo), e "logística" é um substantivo feminino que admite o artigo a. Temos a fusão a + a = à. A frase completa seria: "Há instituições da sociedade civil que se opõem à logística inadequada aplicada na produção de alimentos."

Alternativa B — ❌ Incorreta

A crase é proibida antes do artigo indefinido "uma". A regra é clara: não há crase diante de "uma", pois o artigo indefinido não admite a fusão com a preposição. A forma correta seria "a uma discrepância". A alternativa extrapola a regra ao aplicar a crase onde ela não é permitida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A crase é proibida antes de palavra masculina. "Cidades" é um substantivo feminino, mas o termo "a cidades" está no plural sem artigo definido — o correto seria "a cidades" (sem crase), pois não há o artigo a definido. A alternativa restringe indevidamente o uso da crase, aplicando-a onde não há a fusão preposição + artigo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A crase é proibida antes de verbo. "Enfrentar" é um verbo no infinitivo, e a regra é categórica: não há crase diante de verbos. A forma correta seria "a enfrentar". A alternativa contradiz a regra ao aplicar a crase onde ela é vedada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A crase é proibida antes de palavra masculina. "Toda" é um pronome indefinido feminino, mas "negligência" é um substantivo feminino que admite artigo. No entanto, a expressão "a toda e qualquer negligência" não admite o artigo definido a antes de "toda" — o correto seria "a toda e qualquer negligência" (sem crase). A alternativa generaliza indevidamente o uso da crase, aplicando-a onde não há a fusão preposição + artigo.

Conclusão

A única alternativa em que a crase é obrigatória e corretamente empregada é a letra A, pois o verbo "opor-se" exige a preposição a e o substantivo feminino "logística" admite o artigo a, formando a fusão à. As demais alternativas falham por aplicar a crase diante de termos que não admitem o artigo feminino — verbo, pronome indefinido, palavra masculina —, o que torna a crase proibida.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar a crase, faça o teste: troque o termo seguinte por uma palavra masculina. Se a construção ficar "ao", há crase; se ficar "ao" sem sentido, não há. Ex.: "opõem-se à logística" → "opõem-se ao sistema" (faz sentido, há crase). "opõem-se a uma discrepância" → "opõem-se a um sistema" (não faz sentido, não há crase).

Gabarito: letra A

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