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Questão de Português — Outras Questões de Semântica — VUNESP 2023

PortuguêsOutras Questões de Semântica
Código
vu183747
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Peruíbe
Ano
2023
Cargo
Ag ( )

Fiscais de barriga

 

Confesso: nos últimos tempos engordei. Não, não virei uma bola de boliche, mas esses últimos quilos se concentraram na barriga. Todos eles. Tornei-me o alvo ideal para um tipo que virou uma praga na vida urbana. É o fiscal de barriga.

 

Trata-se de uma criatura empenhada em contabilizar o peso alheio. Você se encontra com o tipo, ele abre um sorriso até as orelhas e tasca:

 

– Engordou, hein?!

 

Todo fofo sabe quando e quanto subiu de peso. Quem nunca observou uma pessoa volumosa aferindo os gramas numa balança de farmácia? Primeiro sobe, com expressão de esperança. Ao observar o marcador implacável, o rosto se contorce entre dúvida e desespero. Algumas tiram o casaco, como se um reles objeto pudesse pesar os 5 ou 10 quilos extras apontados. Suspira fundo e olha o marcador novamente.

 

Agora a expressão é de desconfiança, quando não de fúria:

 

– Balança de farmácia não presta!!

 

E sai à procura de outra.

 

O fiscal de barriga só serve para acrescentar fel1 à vida dos outros. Conheço um, diretor de teatro, com a silhueta elegante como um balde. Deveria ficar quieto, mas mede o peso de cada um com olhos argutos2:

 

– Quando fomos almoçar juntos, você estava bem mais magro.

 

– Que é isso? Eu já estava gordinho – defendo-me.

 

– Não, não... agora você está pior – contesta satisfeito.

 

Na fofura e na magreza, sempre haverá um fiscal para comentar que, depois de se comportar como um inquisidor, dá a estocada final:

 

– Só falo porque sou seu amigo.

 

Que ninguém acredite na expressão de solidariedade.

 

Torturar o próximo, eis seu maior prazer.

 

(Walcyr Carrasco. VEJA SP, 06.11.1996. Adaptado)

 

1 fel: amargura, azedume.

 

2 argutos: muito atentos.

Assinale a alternativa em que as expressões destacadas foram empregadas pelo autor para indicar, respectivamente, circunstâncias de tempo e de modo.
  1. A... nos últimos tempos engordei. / ... um tipo que virou uma praga na vida urbana.
  2. BQuem nunca observou uma pessoa volumosa... / ... sempre haverá um fiscal para comentar...
  3. CAgora a expressão é de desconfiança... / ... mede o peso de cada um com olhos argutos...
  4. D... ele abre um sorriso até as orelhas... / ... depois de se comportar como um inquisidor...
  5. ESuspira fundo e olha o marcador novamente. / Eu estava gordinho...
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Agora a expressão é de desconfiança... / ... mede o peso de cada um com olhos argutos...

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Circunstâncias adverbiais: tempo e modo no texto

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única em que as expressões destacadas indicam, respectivamente, tempo e modo: "Agora" (advérbio de tempo) e "com olhos argutos" (locução adverbial de modo). A banca pede que você reconheça a função semântica das expressões no contexto, não apenas sua classe gramatical isolada. Como se lê no texto: "Agora a expressão é de desconfiança" e "mede o peso de cada um com olhos argutos".

O comando da questão

O enunciado pede que você assinale a alternativa em que as expressões destacadas foram empregadas para indicar, respectivamente, circunstâncias de tempo e de modo. Isso significa que a primeira expressão deve responder à pergunta "quando?" e a segunda, "de que maneira? como?". Não basta que as palavras sejam advérbios; é preciso que, no contexto, exerçam essa função. A banca mistura expressões que podem ser substantivos, adjetivos ou advérbios, exigindo análise do sentido no trecho.

O texto e a localização da resposta

O texto é uma crônica sobre o "fiscal de barriga", alguém que comenta o peso alheio. No trecho em que o autor descreve a reação de quem se pesa, ele escreve: "Agora a expressão é de desconfiança, quando não de fúria". Aqui, "agora" indica o momento em que a expressão muda — é uma circunstância de tempo. Mais adiante, ao descrever o fiscal, diz: "mede o peso de cada um com olhos argutos". A expressão "com olhos argutos" indica de que maneira ele mede o peso — é uma locução adverbial de modo. Portanto, a alternativa C atende exatamente ao que o enunciado pede.

A técnica: como identificar tempo e modo

Para resolver questões como esta, pergunte-se:

  • Tempo: a expressão responde a "quando?" (ex.: agora, ontem, depois, nos últimos tempos).

  • Modo: a expressão responde a "como? de que maneira?" (ex.: com olhos argutos, rapidamente, com cuidado).

A pegadinha clássica é confundir classe gramatical com função semântica. Por exemplo, "agora" é um advérbio, mas nem todo advérbio indica tempo (pode indicar lugar, modo, intensidade). Da mesma forma, uma expressão como "com olhos argutos" não é um advérbio, mas funciona como locução adverbial de modo.

Análise das alternativas

1Tempo (quando?)
Agora
Ontem, depois
Nunca, sempre (frequência)
2Modo (como?)
Com olhos argutos
Rapidamente, com cuidado
3Pegadinha
Classe ≠ função
Nem todo advérbio é tempo
Circunstâncias adverbiais
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Circunstâncias adverbiais: Tempo (quando?) (Agora, Ontem, depois, Nunca, sempre (frequência)); Modo (como?) (Com olhos argutos, Rapidamente, com cuidado); Pegadinha (Classe ≠ função, Nem todo advérbio é tempo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"... nos últimos tempos engordei." / "... um tipo que virou uma praga na vida urbana."

A primeira expressão, "nos últimos tempos", indica tempo (quando? nos últimos tempos). A segunda, "na vida urbana", indica lugar (onde? na vida urbana), não modo. Portanto, a alternativa falha no segundo item. Erro: troca de circunstância (lugar em vez de modo).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Quem nunca observou uma pessoa volumosa..." / "... sempre haverá um fiscal para comentar..."

A primeira expressão, "nunca", é um advérbio de tempo (frequência), mas a segunda, "sempre", também é de tempo (frequência), não de modo. A alternativa pede tempo e modo, mas ambas indicam tempo. Erro: segunda expressão não é modo.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Agora a expressão é de desconfiança..." / "... mede o peso de cada um com olhos argutos..."

"Agora" indica tempo (o momento em que a expressão muda). "Com olhos argutos" indica modo (a maneira como ele mede o peso). Perfeito: tempo + modo, na ordem pedida. Correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"... ele abre um sorriso até as orelhas..." / "... depois de se comportar como um inquisidor..."

A primeira expressão, "até as orelhas", indica intensidade ou lugar (até onde o sorriso vai), não tempo. A segunda, "como um inquisidor", indica modo (de que maneira se comporta). Como a primeira não é tempo, a alternativa falha. Erro: primeira expressão não é tempo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Suspira fundo e olha o marcador novamente." / "Eu já estava gordinho..."

A primeira expressão, "fundo", indica modo (como suspira? fundo), e "novamente" indica tempo (frequência). A segunda, "já", indica tempo (anterioridade). A ordem pedida é tempo e modo, mas aqui temos modo e tempo, invertidos. Erro: ordem invertida.

Conclusão

A única alternativa que apresenta, na ordem correta, uma circunstância de tempo e uma de modo é a letra C. Lembre-se: sempre pergunte "quando?" para tempo e "como?" para modo, e verifique se a expressão exerce essa função no contexto, não apenas se é um advérbio.

PEGA ESSA DICA!

Grife as expressões destacadas e escreva ao lado a pergunta que elas respondem (quando? como? onde?). Isso evita confusão entre classe e função.

Gabarito: letra C

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