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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — VUNESP 2023

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
vu183753
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Peruíbe
Ano
2023
Cargo
Ana Sis (Peruíbe)

A caverna conectada

 

Sócrates explicava: “Imagine que todos os homens vivam em um mundo escuro, fracamente iluminado pelos seus smartphones. Tudo o que sabem das formas vem pela luz das telas. É uma imensa caverna onde só podem contemplar seus aparelhos”.

 

Glauco começava a conceber o ambiente. Pela luz dos aparelhos, passavam imagens refletidas, pequenos vídeos, dancinhas, notícias falsas e trends*. Os moradores da caverna nunca viram o mundo, apenas suas telas iluminadas. Eles foram sendo adestrados a usar o indicador e passar adiante, sem análise. Na caverna, as coisas só existem se postadas.

 

“Que coisa terrível!”, comentava Glauco. “Que vida medonha essas pessoas levariam!” “Sim!”, disse o sábio calvo, “se eles pudessem conversar, não acha que, nomeando as sombras que veem, pensariam nomear seres reais?”. O discípulo consentiu.

 

“Agora imagine, caro, se um deles decidisse desligar o aparelho e saísse para o mundo real. Seria um caminho árduo até lá fora. Em um primeiro instante, os olhos doeriam diante da luz real. Enfim, uma pessoa liberta veria o Sol do real e não mais mensagens com imagens (e um texto com emojis).”

 

O filósofo continuava a incentivar que Glauco navegasse na alegoria. “E se a pessoa que viu o mundo real voltasse para a caverna e começasse a dizer dos objetos concretos, mas não mais do critério do real dado por likes e seguidores? ‘Existe um mundo fora do algoritmo’, diria o ser iluminado. É possível comer sem fotografar e ver o mar sem postar. O que vemos são simulacros, representações. Há algo lá fora!”

 

O jovem Glauco amou a história. Imaginou com o mestre que o ser “iluminado” pelo Sol real seria desacreditado pelos outros habitantes da funda caverna. Sofreria até violência real.

 

Que aula Sócrates tinha dado! Ao se despedir, o rapaz foi até o orientador e pediu uma selfie. Queria publicar no horário que lhe ensinaram a ter mais visualizações. Saiu da casa feliz. “O post sobre a prisão das redes está bombando!”, comentou Glauco, impactado com a sabedoria filosófica daquela república.

 

Melhorou a luz da foto, colocou uma música e pronto! Agora tinha esperança de viralizar nas redes!

 

(Leandro Karnal, O Estado de S.Paulo, 8 de julho de 2022.Adaptado)

 

* Trends: tendências.

As vírgulas na frase – Agora imagine, caro, se um deles decidisse desligar o aparelho e saísse para o mundo real. – foram empregadas pela mesma razão que em:
  1. AGlauco, discípulo de Sócrates, começava a conceber o ambiente.
  2. BGlauco, impactado com a sabedoria filosófica, comentou sobre a prisão das redes.
  3. CPela luz dos aparelhos, passavam imagens refletidas, pequenos vídeos...
  4. DNa caverna, todos os moradores nunca viram o mundo, apenas as coisas postadas.
  5. EA aula que você deu, Sócrates, foi excelente – disse Glauco.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — A aula que você deu, Sócrates, foi excelente – disse Glauco.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vírgula para isolar vocativo: a mesma razão em "Agora imagine, caro, se um deles..."

Gabarito: letra E. As vírgulas em "Agora imagine, caro, se um deles decidisse desligar o aparelho e saísse para o mundo real" isolam um vocativo — o chamamento "caro" (forma de tratamento dirigida ao interlocutor, Glauco). A alternativa que repete exatamente essa função é a E: "A aula que você deu, Sócrates, foi excelente" — aqui "Sócrates" também é vocativo, isolado por vírgulas. A pista decisiva é a função sintática do termo isolado: vocativo é o chamamento, e não pode ser confundido com aposto (explicação) nem com adjunto adverbial deslocado (circunstância).

O comando pede que você identifique a mesma razão do emprego das vírgulas — ou seja, a mesma função sintática do termo isolado. Não basta a frase ter vírgulas; é preciso reconhecer o que elas isolam. No trecho do texto, "caro" é um vocativo: é o chamamento que Sócrates faz a Glauco, seu interlocutor. O vocativo é um termo independente da oração — não exerce função de sujeito, objeto ou adjunto; serve apenas para invocar ou chamar a pessoa a quem se fala. Por isso, vem sempre isolado por vírgulas (ou travessões, ou parênteses).

A técnica para resolver: identifique o termo isolado pelas vírgulas e classifique-o sintaticamente. Pergunte: esse termo é um chamamento (vocativo)? É uma explicação sobre um substantivo (aposto)? É uma circunstância de tempo, lugar, modo etc. (adjunto adverbial)? No trecho do enunciado, "caro" não explica nada nem indica circunstância — é puro chamamento. Na alternativa E, "Sócrates" também é chamamento: Glauco se dirige diretamente ao mestre. É a mesma função.

A armadilha central da banca é trocar o vocativo por aposto (alternativas A e B) ou por adjunto adverbial deslocado (alternativas C e D). O aposto é um termo que explica ou especifica um substantivo — pode ser retirado sem prejuízo da estrutura, mas não é um chamamento. O adjunto adverbial deslocado indica uma circunstância e, quando vem no início da frase, pede vírgula — mas não é vocativo. Veja cada alternativa:

Termo isolado por vírgulas
  • 1Vocativo (chamamento)
    • "Agora imagine, caro, ..."
    • "A aula que você deu, Sócrates, ..." (E)
  • 2Aposto explicativo
    • "Glauco, discípulo de Sócrates, ..." (A)
    • "Glauco, impactado com a sabedoria, ..." (B)
  • 3Adjunto adverbial deslocado
    • "Pela luz dos aparelhos, ..." (C)
    • "Na caverna, ..." (D)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Glauco, discípulo de Sócrates, começava a conceber o ambiente." Aqui as vírgulas isolam "discípulo de Sócrates", que é um aposto explicativo — um termo que explica quem é Glauco. Não é um chamamento. O aposto poderia ser retirado sem prejuízo da estrutura: "Glauco começava a conceber o ambiente." A função é diferente da do vocativo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Glauco, impactado com a sabedoria filosófica, comentou sobre a prisão das redes." Aqui as vírgulas isolam "impactado com a sabedoria filosófica", que é um aposto (ou predicativo do sujeito deslocado) — uma característica atribuída a Glauco. Não é um chamamento. O termo isolado explica o estado de Glauco, não o invoca.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Pela luz dos aparelhos, passavam imagens refletidas, pequenos vídeos..." A primeira vírgula separa o adjunto adverbial deslocado "Pela luz dos aparelhos" (circunstância de meio). A segunda vírgula separa termos de uma enumeração ("imagens refletidas, pequenos vídeos"). Nenhuma das duas isola vocativo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Na caverna, todos os moradores nunca viram o mundo, apenas as coisas postadas." A primeira vírgula separa o adjunto adverbial deslocado "Na caverna" (circunstância de lugar). A segunda vírgula marca uma elipse (omissão do verbo "viram") — "apenas as coisas postadas" equivale a "apenas viram as coisas postadas". Não há vocativo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"A aula que você deu, Sócrates, foi excelente – disse Glauco." Aqui as vírgulas isolam "Sócrates", que é um vocativo — o chamamento que Glauco faz ao mestre. Exatamente a mesma função das vírgulas em "Agora imagine, caro, se um deles...", que isolam o vocativo "caro". Em ambos os casos, o termo isolado é um chamamento ao interlocutor, e não uma explicação ou circunstância.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o vocativo por aposto (A e B) e por adjunto adverbial deslocado (C e D). Para não cair, pergunte sempre: o termo isolado é um chamamento? Se sim, é vocativo. Se explica um substantivo, é aposto. Se indica circunstância, é adjunto adverbial.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de pontuação, classifique o termo isolado antes de olhar as alternativas. Vocativo é o único termo que não se integra à oração — ele apenas invoca o interlocutor. Se puder substituir por "ó" (ex.: "ó, caro"), é vocativo.

Gabarito: letra E.

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