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Questão de Português — Conjunção — VUNESP 2023

PortuguêsConjunção
Código
vu183755
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2023
Cargo
Esc ( )

Cidadania e Justiça

 

A cidadania, na lição do professor Dalmo de Abreu Dallari, expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo do seu povo.

 

Colocar o bem comum em primeiro lugar e atuar para a sua manutenção é dever de todo cidadão responsável. É por meio da cidadania que conseguimos assegurar nossos direitos civis, políticos e sociais.

 

Ser cidadão é pertencer a um país e exercer seus direitos e deveres.

 

Cidadão é, pois, o natural de uma cidade, sujeito de direitos políticos e que, ao exercê-los, intervém no governo. O fato de ser cidadão propicia a cidadania, que é a condição jurídica que podem ostentar as pessoas físicas e que, por expressar o vínculo entre o Estado e seus membros, implica submissão à autoridade e ao exercício de direito.

 

O cidadão é membro ativo de uma sociedade política independente. A cidadania se diferencia da nacionalidade porque esta supõe a qualidade de pertencer a uma nação, enquanto o conceito de cidadania pressupõe a condição de ser membro ativo do Estado. A nacionalidade é um fato natural e a cidadania obedece a um verdadeiro contrato.

 

A cidadania é qualidade e um direito do cidadão.

 

Na Roma Antiga, o cidadão constituía uma categoria superior do homem livre.

 

(Ruy Martins Altenfelder da Silva. Em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 08.03.2023. Adaptado)

Texto

   

Considere as passagens do quarto parágrafo:

  • Cidadão é, pois, o natural de uma cidade, sujeito de direitos políticos e que, ao exercê-los, intervém no governo.
  • O fato de ser cidadão propicia a cidadania, que é a condição jurídica que podem ostentar as pessoas físicas e que, por expressar o vínculo entre o Estado e seus membros, implica submissão à autoridade e ao exercício de direito.
 

Os trechos destacados expressam, correta e respectivamente, relações de sentido de:

  1. Aconclusão e causa.
  2. Bexplicação e restrição.
  3. Cconclusão e comparação.
  4. Dexplicação e finalidade.
  5. Eadversidade e causa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — conclusão e causa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relações de sentido: "pois" e "por" no texto

Gabarito: letra A. No primeiro trecho, o "pois" aparece deslocado após o verbo ("Cidadão é, pois, o natural de uma cidade") — nessa posição, ele é conjunção coordenativa conclusiva, equivalente a "portanto". No segundo trecho, a preposição "por" em "por expressar o vínculo entre o Estado e seus membros" introduz uma causa — o motivo pelo qual a cidadania "implica submissão à autoridade". Logo, as relações são, respectivamente, conclusão e causa.

O comando

A questão pede que você identifique a relação de sentido que os conectivos destacados estabelecem no contexto. Isso é diferente de pedir a classe gramatical: aqui, o que importa é o valor semântico — o que o conectivo expressa naquela construção específica. Conectivos são polissêmicos: o mesmo "pois" pode ser conclusivo ou explicativo, e a posição na frase decide.

O texto

O autor define cidadão e cidadania. No primeiro trecho, após definir o cidadão, ele usa "pois" para concluir a definição: "Cidadão é, pois, o natural de uma cidade..." — ou seja, "sendo assim", "portanto". No segundo, explica que a cidadania "implica submissão à autoridade" porque expressa o vínculo entre Estado e membros — aí está a causa.

A técnica: como reconhecer o valor do "pois"

  • "Pois" entre vírgulas, após o verboconclusivo (equivale a "portanto", "por isso"). Ex.: "Ele estudou, pois, muito." = "Ele estudou, portanto, muito."

  • "Pois" no início da oração, após pausaexplicativo (equivale a "porque", "visto que"). Ex.: "Ele estudou, pois quer passar." = "Ele estudou, porque quer passar."

No trecho, "é, pois," está exatamente na primeira situação: deslocado, entre vírgulas, após o verbo "é". Portanto, conclusão.

A técnica: "por" + verbo no infinitivo

A preposição "por" seguida de infinitivo pode indicar causa (motivo) ou finalidade (objetivo). Para distinguir, pergunte: "isso acontece por causa de quê?" ou "isso acontece para quê?". No trecho:

"...implica submissão à autoridade e ao exercício de direito" por expressar o vínculo entre o Estado e seus membros

A submissão é consequência de expressar o vínculo — é o motivo, a causa. Não é finalidade, pois não se diz que a cidadania existe "para" expressar o vínculo; ela expressa e, por isso, gera a submissão.

Análise das alternativas

1Após o verbo, entre vírgulas
Conclusivo (portanto)
2Início da oração
Explicativo (porque)
3"Por" + infinitivo
Causa (motivo)
Finalidade (para)
"Pois" (polissemia)
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"Pois" (polissemia): Após o verbo, entre vírgulas (Conclusivo (portanto)); Início da oração (Explicativo (porque)); "Por" + infinitivo (Causa (motivo), Finalidade (para))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Conclusão e causa. O "pois" deslocado após o verbo é conclusivo ("portanto"); o "por" + infinitivo expressa causa ("porque expressa o vínculo"). Perfeito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Explicação e restrição. O "pois" aqui não é explicativo — ele não introduz uma justificativa, mas uma conclusão. E "por" não restringe nada; ele explica o motivo. A banca tenta confundir o "pois" explicativo (que ocorre em outra posição) com o conclusivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Conclusão e comparação. Acerta o primeiro, mas erra o segundo: "por" não estabelece comparação alguma. Não há termo comparativo (como, tal qual) no trecho.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Explicação e finalidade. Erra o primeiro (não é explicação) e erra o segundo: "por" aqui é causal, não final. Se fosse finalidade, seria "para expressar". A troca de causa por finalidade é clássica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Adversidade e causa. O "pois" não tem valor de oposição ("mas", "porém"). Não há contraste entre as ideias; há uma conclusão lógica. O segundo está certo, mas o primeiro invalida a alternativa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na polissemia do "pois" e na confusão entre causa e finalidade. Decore a regra de ouro: "pois" após o verbo = conclusão; "pois" no início = explicação. E para "por", pergunte sempre: é motivo (causa) ou objetivo (finalidade)?

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o valor de um conectivo, substitua por um sinônimo e veja se o sentido permanece. "Cidadão é, portanto, o natural de uma cidade" — funciona. "...implica submissão porque expressa o vínculo" — funciona. Se a substituição mantém o sentido, você achou a relação.

Gabarito: letra A — conclusão e causa, exatamente como o texto autoriza.

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