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Questão de Português — Denotação e Conotação — VUNESP 2023

PortuguêsDenotação e Conotação
Código
vu183764
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2023
Cargo
Esc ( )

Infeliz Aniversário

 

A Branca de Neve de Disney fez 80 anos, com direito a chamada na primeira página de um jornalão e farta matéria crítica lá dentro. Curiosamente, as críticas não eram à versão Disney cujo aniversário se comemorava, mas à personagem em si, cuja data natalícia não se comemora porque pode estar no começo do século XVII, quando escrita pelo italiano Gianbattista Basile, ou nas versões orais que se perdem na névoa do tempo.

 

É um velho vício este de querer atualizar, podar, limpar, meter em moldes ideológicos as antigas narrativas que nos foram entregues pela tradição. A justificativa é sempre a mesma, proteger as inocentes criancinhas de verdades que poderiam traumatizá-las. A verdade é sempre outra, impingir às criancinhas as diretrizes sociais em voga no momento.

 

E no momento, a crítica mais frequente aos contos de fadas é a abundância de princesas suspirosas à espera do príncipe. Mas a que “contos de fadas” se refere? Nos 212 contos recolhidos pelos irmãos Grimm, há muito mais do que princesas suspirosas. Nos dois volumes de “The virago book on fairy tales”, em que a inglesa Angela Carter registrou contos do mundo inteiro, não se ouvem suspiros. Nem suspiram princesas entre as mulheres que correm com os lobos, de Pinkola Estés.

 

As princesas belas e indefesas que agora estão sendo criticadas foram uma cuidadosa e progressiva escolha social. Escolha de educadores, pais, autores de antologias, editores. Escolha doméstica, feita cada noite à beira da cama. Garimpo determinado selecionando, entre tantas narrativas, aquelas mais convenientes para firmar no imaginário infantil o modelo feminino que a sociedade queria impor.

 

Não por acaso Disney escolheu Branca de Neve para seu primeiro longa-metragem de animação. O custo era altíssimo, não poderia haver erro. E, para garantir açúcar e êxito, acrescentou o beijo.

 

Os contos maravilhosos, ou contos de fadas, atravessaram séculos, superaram inúmeras modificações sociais, venceram incontáveis ataques. Venceram justamente pela densidade do seu conteúdo, pela riqueza simbólica com que retratam nossas vidas, nossas humanas inquietações. Querer, mais uma vez, sujeitá-los aos conceitos de ensino mais rasteiros, às interpretações mais primárias, é pura manipulação, descrença no poder do imaginário.

 

(https://www.marinacolasanti.com/. Adaptado)

Texto

   

Identifica-se termo empregado em sentido figurado em:

  1. A... as críticas não eram à versão Disney cujo aniversário se comemorava...
  2. B... impingir às criancinhas as diretrizes sociais em voga no momento.
  3. CO custo era altíssimo, não poderia haver erro.
  4. DEscolha de educadores, pais, autores de antologias, editores.
  5. EE, para garantir açúcar e êxito, acrescentou o beijo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — E, para garantir açúcar e êxito, acrescentou o beijo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentido figurado: a metáfora do "açúcar" e do "beijo"

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única em que um termo é empregado em sentido figurado (conotativo): "açúcar" não designa o alimento, mas metaforicamente a doçura, o encanto, o apelo comercial que o beijo acrescentaria à história. Como se lê no 5º parágrafo: "E, para garantir açúcar e êxito, acrescentou o beijo." — aqui, "açúcar" é uma metáfora (comparação implícita) que depende do contexto para ser entendida; fora dele, não faria sentido. As demais alternativas usam palavras em seu sentido próprio, literal (denotativo).

O comando pede que se identifique o termo em sentido figurado — tarefa de compreensão do uso da linguagem, não de inferência. Para resolver, é preciso dominar a distinção central da semântica: denotação é o sentido literal, dicionarizado, que independe do contexto; conotação é o sentido figurado, que só se realiza no contexto e admite interpretações simbólicas. O bizu é: con = contexto. Se a palavra só faz sentido pleno quando interpretada metaforicamente, há conotação.

No texto, o autor critica a "limpeza" ideológica dos contos de fadas e, ao falar da escolha da Disney por Branca de Neve, afirma que a empresa "acrescentou o beijo" para "garantir açúcar e êxito". O beijo é literal (um beijo na história), mas "açúcar" é figurado: não se adiciona açúcar de verdade ao filme; a palavra metaforiza a qualidade adocicada, agradável, comercialmente atraente que o beijo traria. É exatamente o tipo de expressão que a banca costuma cobrar: uma metáfora curta e integrada ao texto.

A técnica para não errar: teste a literalidade. Pergunte: "isso pode ser tomado ao pé da letra?" Se sim, é denotação; se não, é conotação. "Açúcar" não pode ser tomado literalmente no contexto — ninguém coloca açúcar num filme. Já "críticas", "impingir", "custo" e "escolha" são perfeitamente literais: críticas existem, impingir é um ato real, custo é valor, escolha é ato de escolher. A pegadinha da banca está em oferecer expressões que parecem metafóricas (como "impingir", que é um verbo forte) mas que, no contexto, têm sentido próprio.

Sentido figurado (conotação)
  • 1Definição
    • Sentido literal (denotação)
    • Sentido contextual (conotação)
  • 2Teste da literalidade
    • Pode ser ao pé da letra? → denotação
    • Só faz sentido no contexto? → conotação
  • 3Exemplo: "açúcar" (metáfora)
    • Não é o alimento
    • Representa doçura, apelo comercial
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

"... as críticas não eram à versão Disney cujo aniversário se comemorava..."

"Críticas" está em sentido denotativo: são apreciações, comentários negativos — sentido literal, dicionarizado. Não há nenhuma figura de linguagem. A alternativa tangencia o tema ao citar um trecho do texto, mas sem conotação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"... impingir às criancinhas as diretrizes sociais em voga no momento."

"Impingir" significa "fazer aceitar à força, impor" — sentido literal, embora o verbo seja semanticamente forte. Não há metáfora nem qualquer desvio do sentido próprio. A banca pode tentar confundir pelo tom pejorativo, mas isso não caracteriza conotação. Erro: troca de conceito — confundir intensidade semântica com sentido figurado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"O custo era altíssimo, não poderia haver erro."

"Custo" e "altíssimo" estão em sentido denotativo: referem-se ao valor financeiro da produção, que era muito alto. Não há figura. A alternativa é literal e, portanto, não atende ao comando.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Escolha de educadores, pais, autores de antologias, editores."

"Escolha" está em sentido próprio: ato de escolher. A enumeração é literal, sem qualquer recurso expressivo. Erro: fora do escopo — não há conotação alguma.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"E, para garantir açúcar e êxito, acrescentou o beijo."

"Açúcar" é empregado em sentido figurado (conotativo): metaforicamente, representa a doçura, o encanto, o apelo que tornariam o filme bem-sucedido. Não se trata do alimento; é uma metáfora que só se compreende no contexto. O beijo é literal, mas "açúcar" é a palavra-chave que decide a questão. Esta é a única alternativa com conotação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece expressões que parecem metafóricas (como "impingir") mas são literais, e esconde a metáfora real em "açúcar". O candidato que não testa a literalidade cai na armadilha.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar sentido figurado, pergunte: "a palavra pode ser entendida ao pé da letra neste contexto?" Se não puder, é conotação. Desconfie de expressões que, fora do texto, não fariam sentido — essas são as figuradas.

Gabarito: letra E — a única em que o termo "açúcar" é metáfora, exigindo interpretação contextual para ser compreendido.

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