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Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — VUNESP 2023

PortuguêsRegência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
vu183766
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2023
Cargo
Esc ( )

Infeliz Aniversário

 

A Branca de Neve de Disney fez 80 anos, com direito a chamada na primeira página de um jornalão e farta matéria crítica lá dentro. Curiosamente, as críticas não eram à versão Disney cujo aniversário se comemorava, mas à personagem em si, cuja data natalícia não se comemora porque pode estar no começo do século XVII, quando escrita pelo italiano Gianbattista Basile, ou nas versões orais que se perdem na névoa do tempo.

 

É um velho vício este de querer atualizar, podar, limpar, meter em moldes ideológicos as antigas narrativas que nos foram entregues pela tradição. A justificativa é sempre a mesma, proteger as inocentes criancinhas de verdades que poderiam traumatizá-las. A verdade é sempre outra, impingir às criancinhas as diretrizes sociais em voga no momento.

 

E no momento, a crítica mais frequente aos contos de fadas é a abundância de princesas suspirosas à espera do príncipe. Mas a que “contos de fadas” se refere? Nos 212 contos recolhidos pelos irmãos Grimm, há muito mais do que princesas suspirosas. Nos dois volumes de “The virago book on fairy tales”, em que a inglesa Angela Carter registrou contos do mundo inteiro, não se ouvem suspiros. Nem suspiram princesas entre as mulheres que correm com os lobos, de Pinkola Estés.

 

As princesas belas e indefesas que agora estão sendo criticadas foram uma cuidadosa e progressiva escolha social. Escolha de educadores, pais, autores de antologias, editores. Escolha doméstica, feita cada noite à beira da cama. Garimpo determinado selecionando, entre tantas narrativas, aquelas mais convenientes para firmar no imaginário infantil o modelo feminino que a sociedade queria impor.

 

Não por acaso Disney escolheu Branca de Neve para seu primeiro longa-metragem de animação. O custo era altíssimo, não poderia haver erro. E, para garantir açúcar e êxito, acrescentou o beijo.

 

Os contos maravilhosos, ou contos de fadas, atravessaram séculos, superaram inúmeras modificações sociais, venceram incontáveis ataques. Venceram justamente pela densidade do seu conteúdo, pela riqueza simbólica com que retratam nossas vidas, nossas humanas inquietações. Querer, mais uma vez, sujeitá-los aos conceitos de ensino mais rasteiros, às interpretações mais primárias, é pura manipulação, descrença no poder do imaginário.

 

(https://www.marinacolasanti.com/. Adaptado)

Texto

   

Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de regência nominal e verbal.

  1. AA imposição a um modelo feminino veio sendo construído ao longo do tempo, visando pela dominância de um comportamento.
  2. BA crítica que se faz às princesas suspirosas provavelmente se respalda no anseio das pessoas pela oposição a um comportamento.
  3. COs contos de fadas que nos referimos continuamente vieram em nossas vidas pela tradição, que a origem foge de nosso conhecimento.
  4. DEducadores, pais, autores de antologias e editores são responsáveis das escolhas das histórias que hoje se fazem críticas.
  5. EAs pessoas têm a pretensão que os contos sejam atualizados e colocados em moldes, pois aspiram por limpeza ideológica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — A crítica que se faz às princesas suspirosas provavelmente se respalda no anseio das pessoas pela oposição a um comportamento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência Nominal e Verbal: a norma-padrão em jogo

Gabarito: letra B. A única alternativa que atende à norma-padrão de regência é a B, pois emprega corretamente as regências de "crítica que se faz a" (regência nominal com a preposição a) e de "respalda-se em" (regência verbal com a preposição em), além de "anseio por" e "oposição a". As demais alternativas apresentam desvios de regência, como se verá na análise de cada uma.

O comando pede que se assinale a alternativa que atende à norma-padrão de regência nominal e verbal. Isso significa que devemos verificar, em cada frase, se os nomes (substantivos, adjetivos) e os verbos estão regendo corretamente seus complementos, ou seja, se a preposição exigida está presente e se o termo regido está na forma adequada. Não se trata de interpretação de texto, mas de conhecimento gramatical aplicado a frases que dialogam com o tema do texto-base.

O texto-base trata da crítica aos contos de fadas e à escolha social de um modelo feminino. As alternativas retomam esse tema, mas o que se avalia é exclusivamente a correção gramatical da regência. Portanto, a técnica de resolução é testar cada frase isoladamente, identificando o verbo ou nome e a preposição que ele exige.

A regência é a relação de subordinação entre um termo regente (verbo ou nome) e seu complemento, que pode ou não ser introduzido por preposição. A norma-padrão fixa quais preposições cada verbo e cada nome exigem. Por exemplo, o verbo "aspirar" no sentido de "desejar" rege a preposição "a" (aspirar a algo), e não "por". Já o verbo "visar" no sentido de "objetivar" rege a preposição "a" (visar a algo), e não "por". O nome "crítica" exige a preposição "a" (crítica a algo/alguém). O verbo "referir-se" exige a preposição "a" (referir-se a algo). O nome "responsável" exige a preposição "por" (responsável por algo). O nome "pretensão" exige a preposição "de" (pretensão de algo).

A pegadinha central da banca é oferecer frases que parecem corretas porque usam palavras do texto, mas que contêm desvios de regência sutis, como a troca de uma preposição por outra ou o uso de uma preposição onde não deveria haver. A alternativa B é a única que não apresenta nenhum desses desvios.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre regências semelhantes, como "visar a" (objetivar) e "visar por" (inexistente), "aspirar a" (desejar) e "aspirar por" (inexistente), "responsável por" e "responsável de" (incorreto). A alternativa B foge dessa armadilha ao usar corretamente "crítica a", "respalda-se em", "anseio por" e "oposição a".

Alternativa A — ❌ Incorreta

A frase apresenta dois desvios de regência. O verbo "visar", no sentido de "objetivar, ter em vista", rege a preposição "a", e não "por". O correto seria "visando à dominância" ou "visando a dominância" (sem crase, pois "dominância" é palavra feminina, mas o "a" é preposição e não admite artigo definido "a" — na verdade, "dominância" admite artigo, então seria "visando à dominância"). Além disso, o particípio "construído" deveria concordar com "modelo" (masculino singular), o que ocorre, mas a regência de "imposição" exige a preposição "de" (imposição de algo), e não "a" (imposição a algo). O correto seria "A imposição de um modelo feminino". Portanto, a alternativa erra na regência de "visar" (visar a, não visar por) e na regência de "imposição" (imposição de, não imposição a).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A frase está correta quanto à regência. O nome "crítica" rege a preposição "a" (crítica a algo/alguém), e o pronome relativo "que" retoma "crítica" como objeto indireto, exigindo a preposição "a" antes do pronome: "A crítica que se faz às princesas suspirosas" (a + as = às). O verbo "respalda-se" rege a preposição "em" (respaldar-se em algo). O nome "anseio" rege a preposição "por" (anseio por algo). O nome "oposição" rege a preposição "a" (oposição a algo). Todas as regências estão de acordo com a norma-padrão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A frase apresenta desvio de regência no verbo "referir-se", que exige a preposição "a" (referir-se a algo). O correto seria "Os contos de fadas a que nos referimos continuamente". A forma "que nos referimos" está incorreta, pois o verbo "referir-se" pede a preposição "a" antes do pronome relativo. Além disso, a regência de "foge" está correta (fugir a algo), mas o desvio principal é o do verbo "referir-se". Portanto, a alternativa erra na regência de "referir-se".

Alternativa D — ❌ Incorreta

A frase apresenta desvio de regência no nome "responsáveis", que exige a preposição "por" (responsáveis por algo), e não "de". O correto seria "são responsáveis pelas escolhas". Além disso, a regência de "críticas" está correta (críticas a algo), mas o desvio principal é o do nome "responsáveis". Portanto, a alternativa erra na regência de "responsáveis".

Alternativa E — ❌ Incorreta

A frase apresenta desvio de regência no nome "pretensão", que exige a preposição "de" (pretensão de algo), e não "que". O correto seria "têm a pretensão de que os contos sejam atualizados". Além disso, o verbo "aspiram", no sentido de "desejar", rege a preposição "a" (aspiram a algo), e não "por". O correto seria "aspiram a limpeza ideológica". Portanto, a alternativa erra na regência de "pretensão" e na regência de "aspirar".

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de regência, identifique o termo regente (verbo ou nome) e pergunte "o quê?" ou "a quê?" para descobrir a preposição exigida. Desconfie de preposições trocadas, como "por" no lugar de "a", e de nomes que pedem preposição diferente da usada.

Gabarito: letra B. A única alternativa que atende à norma-padrão de regência nominal e verbal é a B, pois todas as regências estão corretas: "crítica a", "respalda-se em", "anseio por" e "oposição a". As demais apresentam desvios de regência, como "visar por", "referir-se que", "responsável de" e "aspirar por".

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