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Questão de Português — Outras Questões de Semântica — VUNESP 2023

PortuguêsOutras Questões de Semântica
Código
vu183779
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2023
Cargo
Esc ( )

Choque elétrico

 

A União Europeia (UE) engatou marcha acelerada para eletrificar sua frota de veículos: em 2035, deixará de fabricar carros movidos a combustíveis fósseis. A medida faz parte da estratégia para zerar, em 2050, as emissões de carbono. Com 27%, a fatia de vendas na China é mais que o dobro da média mundial de 13%. Lá, 6,2 milhões de veículos eletrificados chegaram às ruas em 2022 – entre os totalmente elétricos com baterias (BEV, na abreviação em inglês) e os híbridos que podem ser ligados na tomada (plug-ins, ou PHEV).

 

As vendas chinesas no setor cresceram 82% em 2022, enquanto o mercado automotivo geral encolhia 5,3%. No mundo, o avanço verde foi de 55%, ante retração de 0,5% nas vendas totais de veículos, segundo a base de dados EVvolumes.

 

Do ângulo da crise climática, pouco adiantará eletrificar a frota se a energia das baterias provier de fontes emissoras de carbono, como usinas alimentadas com carvão mineral, óleo ou gás natural. A matriz elétrica precisa ser toda renovável para fazer diferença contra o aquecimento global.

 

Nesse quesito, o Brasil ocupa posição ímpar, com 82,9% da eletricidade oriunda de fontes renováveis (hidráulica, eólica, solar e biomassa), contra 28,6% na média do planeta. Some-se a isso a alta produção de etanol e tem-se um enorme potencial para BEVs e PHEVs.

 

Os números são ínfimos, contudo. Circulam aqui apenas 135,3 mil elétricos e híbridos, menos de 0,1% da frota de veículos leves. As vendas têm aumentado, é fato, com 49,2 mil emplacamentos em 2022, incremento de 41% sobre o ano anterior, de acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico.

 

A maioria dos carros elétricos e híbridos disponíveis no mercado nacional é de modelos pouco acessíveis – e poderão ficar ainda mais caros, se o governo federal ouvir o pleito apresentado em fevereiro pela Anfavea de revogar a isenção do imposto de importação, com retorno da alíquota de 35%.

 

Ou seja, as montadoras querem garantir uma reserva de mercado. Enquanto a Europa acelera, no Brasil ameaçam puxar o freio de mão.

   

(Editorial. Folha de S.Paulo, 29.03.2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.

 

Nas passagens – A medida faz parte da estratégia para zerar, em 2050, as emissões de carbono. - e – ... se a energia das baterias provier de fontes emissoras de carbono, como usinas alimentadas com carvão mineral, óleo ou gás natural.  –, os termos destacados estabelecem, correta e respectivamente, relações de sentido de

  1. Aconsequência e comparação.
  2. Bfinalidade e exemplificação.
  3. Cfinalidade e condição.
  4. Dconsequência e causa.
  5. Econdição e exemplificação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — finalidade e exemplificação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relações de sentido: finalidade e condição nos conectivos

Gabarito: letra B. Na primeira passagem, "para" introduz a finalidade (o objetivo da medida: zerar as emissões); na segunda, "se" estabelece uma condição (a eletrificação só adianta se a energia vier de fontes renováveis). A prova está no próprio texto: a medida existe para alcançar um fim, e a eficácia da medida depende de uma circunstância hipotética.

O comando

A questão pede que você identifique a relação de sentido que os termos destacados estabelecem no contexto. Não é uma pergunta de decoreba de classificação de conjunções isoladas — é uma questão de semântica aplicada ao texto: você precisa ler o trecho e perceber o que a palavra faz com as ideias ao redor. O verbo "estabelecem" indica que a resposta está na função lógica do conectivo, não no seu significado isolado.

O texto

O editorial discute a eletrificação da frota de veículos. No primeiro trecho, a UE decide parar de fabricar carros a combustão em 2035 — e essa medida tem um objetivo: zerar as emissões de carbono até 2050. No segundo trecho, o autor faz uma ressalva: de nada adianta eletrificar a frota se a energia das baterias vier de fontes poluentes. A relação é de condição: a eletrificação só faz sentido caso a matriz energética seja limpa.

A técnica que decide

  • "para" + verbo no infinitivo = finalidade. Pergunte: "a medida é tomada para quê?" → para zerar as emissões. É um objetivo, um alvo a alcançar.

  • "se" + verbo no subjuntivo = condição. Pergunte: "sob que circunstância a eletrificação adianta?" → se a energia vier de fontes renováveis. É uma hipótese necessária para que o resultado ocorra.

"A medida faz parte da estratégia para zerar, em 2050, as emissões de carbono."

"pouco adiantará eletrificar a frota se a energia das baterias provier de fontes emissoras de carbono"

A primeira citação mostra o fim da medida; a segunda, a condição para o sucesso da medida. A alternativa B é a única que nomeia corretamente essas duas relações, na ordem pedida.

  1. 1Localize o conectivo
  2. 2Faça a pergunta certa
  3. 3Nomeie a relação
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Consequência e comparação. O primeiro termo não expressa consequência: "para" não indica um efeito, mas um objetivo. O segundo não é comparação: "se" não compara nada, apenas estabelece uma hipótese. A banca tenta confundir com o valor de "como" (comparação), que não aparece aqui.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Finalidade e exemplificação? Não — finalidade e condição. "Para" indica o fim da estratégia; "se" introduz a condição para que a eletrificação faça diferença. A ordem é exatamente a pedida: primeiro finalidade, depois condição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Finalidade e condição. Esta alternativa acerta as duas relações, mas inverte a ordem: coloca a finalidade primeiro e a condição depois. O enunciado pede "respectivamente": primeiro o termo da primeira passagem (finalidade), depois o da segunda (condição). A ordem correta é finalidade e condição — que é a letra B, não a C.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Consequência e causa. O primeiro termo não é consequência (é finalidade). O segundo não é causa: "se" não explica por que algo acontece, mas sob que condição algo acontece. Causa responde "por quê?"; condição responde "em que caso?".

Alternativa E — ❌ Incorreta

Condição e exemplificação. O primeiro termo não é condição (é finalidade). O segundo não é exemplificação: "se" não introduz um exemplo, mas uma condição. A banca tenta confundir com o uso de "como" para exemplificar, que não ocorre aqui.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre finalidade (para) e consequência (logo, portanto), e entre condição (se) e causa (porque). A pergunta-chave: "para" responde a para quê? (fim), não a por isso (consequência); "se" responde a em que caso? (condição), não a por quê? (causa).

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar a relação de um conectivo, faça a pergunta que ele responde. "Para" → para quê? (finalidade). "Se" → em que caso? (condição). "Porque" → por quê? (causa). "Logo" → o que resulta? (consequência). Essa pergunta elimina a ambiguidade na hora.

Gabarito: letra B.

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