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Questão de Português — Colocação Pronominal — VUNESP 2023

PortuguêsColocação Pronominal
Código
vu183788
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2023
Cargo
Esc ( )

Barbárie nas redes sociais

 

A covardia e a barbárie dos recentes ataques a escolas no País jogaram luz sobre a violência que se propaga na internete sobre o papel das redes sociais na incitação a esse tipo de crime. Uma amostra do tamanho do problema acaba de ser divulgada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública: em poucos dias, a recém-lançada Operação Escola Segura solicitou a exclusão de 431 contas do Twitter que continham palavras-chave – as chamadas hashtags – relacionadas a ataques contra escolas em diferentes localidades do Brasil. Foram feitos pedidos também à plataforma TikTok para que retirasse do ar três perfis cujo conteúdo relacionado ao tema buscava espalhar medo na população.

 

Infelizmente, tais contas são apenas a ponta do iceberg – e as redes sociais abrigam um volume infinitamente maior de grupos que se valem do mundo virtual para estimular a prática de atentados em estabelecimentos de ensino. Não surpreende, portanto, que as atenções se voltem para as plataformas digitais e para a sua responsabilidade no sentido de impedir a propagação de crimes. Sem dúvida, essas empresas têm muito a fazer, e se engana quem pensa que a internet é terra sem lei.

 

No Brasil, o Marco Civil da Internet define direitos e obrigações para usuários e provedores. Eis uma realidade que não pode passar despercebida: por mais que aperfeiçoamentos legislativos sejam sempre bem-vindos, o País dispõe de um marco legal sobre o tema – e é a partir dele que as redes sociais devem pautar sua atuação.

 

O uso da internet e de redes sociais em ataques a escolas, assim como em outros crimes bárbaros, é fenômeno global – um triste sinal dos tempos que precisa ser combatido com rigor e redobrado empenho também no mundo virtual. Eis uma tarefa para múltiplos atores, desafio que requer a ação do governo e da sociedade. Evidentemente, parte importante dessa responsabilidade cabe às plataformas, que podem e devem agir mais.

(Opinião. Em: https://www.estadao.com.br/opinião, 12.04.2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.

 

Assinale a alternativa em que o enunciado atende à norma- padrão de colocação pronominal.

  1. AParte importante da responsabilidade sobre as mensagens evidentemente se estende às plataformas, que podem e devem agir mais.
  2. BSe engana quem pensa que a internet é terra sem lei, pois as plataformas têm responsabilidade na propagação de crimes.
  3. CA sociedade não surpreende-se com o fato de as atenções se voltarem para as plataformas digitais e para a sua responsabilidade.
  4. DA covardia e a barbárie dos recentes ataques a escolas no País jogaram luz sobre a violência que tem propagado-se na internet.
  5. EPor mais que promovam-se aperfeiçoamentos legislativos sempre bem-vindos, o País dispõe de um marco legal sobre o tema.
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GabaritoA — Parte importante da responsabilidade sobre as mensagens evidentemente se estende às plataformas, que podem e devem agir mais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação pronominal: próclise obrigatória após advérbio

Gabarito: letra A. A única alternativa que atende à norma-padrão é a A, porque nela o pronome oblíquo átono "se" aparece em próclise (antes do verbo), corretamente atraído pelo advérbio "evidentemente". As demais alternativas violam a norma: ou usam ênclise indevidamente após palavra atrativa (B, C, D), ou usam próclise indevidamente após conjunção subordinativa (E). A regra que decide a questão é a da próclise obrigatória quando há palavra atrativa antes do verbo, como se vê no trecho do texto: "as atenções se voltem para as plataformas digitais" — em que o pronome "se" é atraído pela conjunção "que".

O comando

A questão pede que se assinale a alternativa em que o enunciado atende à norma-padrão de colocação pronominal. Isso significa que não estamos diante de uma questão de interpretação de texto, mas de gramática normativa aplicada a trechos que parafraseiam o texto-base. O foco é a posição do pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, lhes) em relação ao verbo: antes (próclise), no meio (mesóclise) ou depois (ênclise).

A regra que decide

A próclise é obrigatória quando há palavras atrativas antes do verbo. As principais são:

  • Advérbios (não, nunca, sempre, evidentemente, também...)

  • Pronomes indefinidos (alguém, ninguém, tudo, nada...)

  • Pronomes relativos (que, quem, onde, cujo...)

  • Conjunções subordinativas (que, se, embora, porque, quando...)

  • Pronomes interrogativos (quem, que, qual...)

  • Em frases optativas (que exprimem desejo: "Que Deus te abençoe!")

Quando não há palavra atrativa, usa-se ênclise (pronome depois do verbo) no início de orações, como em "Trata-se de uma ótima ideia". A mesóclise é usada com verbos no futuro do presente ou futuro do pretérito, desde que não haja palavra atrativa (ex.: "Convidar-me-ão para a festa").

No texto-base, encontramos um exemplo claro de próclise obrigatória:

"as atenções se voltem para as plataformas digitais"

Aqui, o pronome "se" é atraído pela conjunção subordinativa "que" (que introduz a oração "que as atenções se voltem..."). Esse é o mesmo mecanismo que torna a alternativa A correta: o advérbio "evidentemente" atrai o pronome "se" para antes do verbo "estende".

Análise das alternativas

Colocação pronominal
  • 1Próclise (antes do verbo)
    • Palavra atrativa
      • Advérbio (evidentemente)
      • Pronome indefinido
      • Pronome relativo (que)
      • Conjunção subordinativa
      • Pronome interrogativo
      • Frase optativa
  • 2Ênclise (depois do verbo)
    • Início de oração
    • Sem palavra atrativa
  • 3Mesóclise (meio do verbo)
    • Futuro do presente
    • Futuro do pretérito
    • Sem palavra atrativa
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Parte importante da responsabilidade sobre as mensagens evidentemente se estende às plataformas, que podem e devem agir mais."

Aqui, o pronome "se" está em próclise, corretamente atraído pelo advérbio "evidentemente". A norma-padrão exige que, após advérbio, o pronome venha antes do verbo. Não há nenhum fator que obrigue a ênclise, e a próclise é a única colocação aceitável. Portanto, a alternativa está correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Se engana quem pensa que a internet é terra sem lei, pois as plataformas têm responsabilidade na propagação de crimes."

Aqui, o pronome "se" está em ênclise (depois do verbo), mas deveria estar em próclise, pois o verbo "enganar" é pronominal e, no início de oração, sem palavra atrativa, a ênclise seria correta. No entanto, a oração começa com o verbo, e a norma-padrão, nesse caso, permite a ênclise: "Engana-se quem pensa...". A forma "Se engana" é incorreta porque, em início de oração, sem palavra atrativa, a próclise não é permitida. O correto seria "Engana-se quem pensa...". Portanto, a alternativa viola a norma.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"A sociedade não surpreende-se com o fato de as atenções se voltarem para as plataformas digitais e para a sua responsabilidade."

Aqui, o pronome "se" está em ênclise (depois do verbo), mas há uma palavra atrativa antes: o advérbio de negação "não". A norma-padrão exige próclise após palavra negativa: "A sociedade não se surpreende...". Portanto, a alternativa viola a norma.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A covardia e a barbárie dos recentes ataques a escolas no País jogaram luz sobre a violência que tem propagado-se na internet."

Aqui, o pronome "se" está em ênclise (depois do verbo auxiliar "tem"), mas há uma palavra atrativa antes: o pronome relativo "que". A norma-padrão exige próclise após pronome relativo: "que se tem propagado". Portanto, a alternativa viola a norma.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Por mais que promovam-se aperfeiçoamentos legislativos sempre bem-vindos, o País dispõe de um marco legal sobre o tema."

Aqui, o pronome "se" está em ênclise (depois do verbo), mas há uma palavra atrativa antes: a locução conjuntiva subordinativa "por mais que". A norma-padrão exige próclise após conjunção subordinativa: "Por mais que se promovam...". Portanto, a alternativa viola a norma.

Conclusão

A única alternativa que atende à norma-padrão é a A, pois nela o pronome "se" é corretamente atraído pelo advérbio "evidentemente", ficando em próclise. As demais alternativas erram ao usar ênclise após palavra atrativa (B, C, D) ou ao usar próclise indevidamente após conjunção subordinativa (E).

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de colocação pronominal, identifique primeiro se há palavra atrativa antes do verbo. Se houver, a próclise é obrigatória. Se não houver, use ênclise (ou mesóclise, se o verbo estiver no futuro).

Gabarito: letra A

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