Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Questões Mescladas de Sintaxe — VUNESP 2023

PortuguêsQuestões Mescladas de Sintaxe
Código
vu183789
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Pindamonhangaba
Ano
2023
Cargo
Ana (Pref Pinda)

Flor-de-maio

 

Entre tantas notícias do jornal – o crime de Sacopã, o disco voador em Bagé, a nova droga antituberculosa, o andaime que caiu, o homem que matou outro com machado e com foice, o possível aumento do pão – há uma pequenina nota de três linhas, que nem todos os jornais publicaram. É assinada pelo senhor diretor do Jardim Botânico, e diz que a partir do dia 27 vale a pena visitar o Jardim, porque a planta chamada “flor-de-maio” está, efetivamente, em flor.

 

Meu primeiro movimento, ao ler esse delicado convite, foi deixar a mesa da redação e me dirigir ao Jardim Botânico, contemplar a flor e cumprimentar a administração do horto pelo feliz evento. Mas havia ainda muita coisa para ler e escrever, telefonemas a dar, providências a tomar.

 

Suspiro e digo comigo mesmo – que amanhã acordarei cedo e irei. Digo, mas não acredito, ou pelo menos desconfio que esse impulso que tive ao ler a notícia ficará no que foi – um impulso de fazer uma coisa boa e simples, que se perde no meio da pressa e da inquietação dos minutos que voam.

 

No fundo, a minha secreta esperança é de que estas linhas sejam lidas por alguém – uma pessoa melhor do que eu, alguma criatura correta e simples que tire dessa crônica a sua substância, a informação precisa e preciosa: no dia 27 em diante as “flores-de-maio” do Jardim Botânico estão gloriosamente em flor. E que utilize essa informação saindo de casa e indo diretamente ao Jardim Botânico ver a “flor-de-maio”.

 

Ir só, no fim da tarde, ver a “flor-de-maio”; aproveitar a única notícia boa de um dia inteiro de jornal, fazer a coisa mais bela e emocionante de um dia inteiro da cidade imensa. Se entre vós houver essa criatura, e ela souber por mim a notícia, e for, então eu vos direi que nem tudo está perdido; que a humanidade possivelmente ainda poderá ser salva, e que às vezes ainda vale a pena escrever uma crônica.

 

(Rubem Braga. Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1992, Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.     O trecho – No fundo, a minha secreta esperança é de que estas linhas sejam lidas por alguém...– pode ser assim reescrito, em conformidade com a norma -padrão de regência e emprego dos pronomes relativos:
  1. ANo fundo, espero secretamente de que estas linhas sejam lidas por alguém...
  2. BNo fundo, tenho secretamente o desejo cujas estas linhas sejam lidas por alguém...
  3. CNo fundo, secretamente anseio por que estas linhas sejam lidas por alguém...
  4. DNo fundo, tenho secretamente esperanças onde estas linhas sejam lidas por alguém...
  5. ENo fundo, secretamente almejo de que estas linhas sejam lidas por alguém...
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — No fundo, secretamente anseio por que estas linhas sejam lidas por alguém...

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita com regência correta: "anseio por"

Gabarito: letra C. A única reescrita que respeita a regência verbal da norma-padrão é a que usa o verbo "ansiar" com a preposição "por""anseio por que estas linhas sejam lidas" —, pois o verbo "ansiar" rege a preposição "por" (ansiar por algo). As demais alternativas ou usam a preposição indevida "de" com verbos que não a exigem, ou empregam pronome relativo/sentença que quebram a estrutura sintática correta.

O comando pede uma reescritura do trecho original — "No fundo, a minha secreta esperança é de que estas linhas sejam lidas por alguém..." — que mantenha o sentido e esteja em conformidade com a norma-padrão de regência e emprego dos pronomes relativos. Isso significa que a alternativa correta deve: (1) preservar a ideia de "esperar/ansear secretamente"; (2) usar a regência verbal/nominal adequada; (3) não empregar pronome relativo de forma incorreta.

O trecho original usa a construção "esperança é de que" — uma locução com regência nominal (esperança de algo). A reescrita correta pode trocar o substantivo "esperança" por um verbo de sentido equivalente, desde que a regência do verbo escolhido seja respeitada. O verbo "ansiar" pede a preposição "por": "ansiar por algo". Assim, "anseio por que estas linhas sejam lidas" está correto — a preposição "por" introduz a oração subordinada substantiva objetiva indireta.

A pegadinha central da banca é a troca da preposição: verbos como "esperar", "almejar" e "desejar" não exigem a preposição "de" — "espero que", "almejo que", "desejo que" (sem preposição). Já "ansiar" exige "por". As alternativas que usam "de que" com esses verbos cometem erro de regência (o chamado dequeísmo).

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever, teste a regência do verbo escolhido: pergunte "ansiar o quê?" → "ansiar por algo"; "esperar o quê?" → "esperar algo" (sem preposição). Se o verbo não pede preposição, "de que" é erro.

1Transitivos diretos (sem preposição)
Esperar
Almejar
Desejar
2Transitivos indiretos (com preposição)
Ansiar por
3Erro: dequeísmo
"de que" com verbo que não exige
Regência verbal
LEVELsoulevel.com.br
Regência verbal: Transitivos diretos (sem preposição) (Esperar, Almejar, Desejar); Transitivos indiretos (com preposição) (Ansiar por); Erro: dequeísmo ("de que" com verbo que não exige)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: dequeísmo (regência verbal). O verbo "esperar" é transitivo direto: "espero que estas linhas sejam lidas"sem a preposição "de". A forma "espero de que" é um erro clássico de regência, conhecido como dequeísmo. O texto original usa "esperança é de que" (regência nominal correta), mas a reescrita com o verbo "esperar" não admite a preposição.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: pronome relativo inadequado + regência. O pronome relativo "cujas" indica posse e exige que o termo seguinte seja um substantivo ("cujas linhas"), não uma oração completa. A construção "o desejo cujas estas linhas sejam lidas" é agramatical — "cujas" não pode introduzir oração desenvolvida com verbo no subjuntivo. Além disso, "tenho o desejo" pediria "de que" (desejo de que), não "cujas".

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Regência correta do verbo "ansiar". O verbo "ansiar" rege a preposição "por": "ansiar por algo". A oração "anseio por que estas linhas sejam lidas" está correta — a preposição "por" + conjunção "que" introduz a oração subordinada substantiva objetiva indireta. O sentido de "esperança secreta" é preservado (ansiar = desejar intensamente, esperar). A construção "por que" aqui é a preposição "por" seguida da conjunção integrante "que", e não o pronome interrogativo "por que" — o que é permitido na norma-padrão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: pronome relativo "onde" com antecedente não locativo. O pronome relativo "onde" só pode ser usado quando o antecedente indica lugar físico ("a cidade onde moro"). Aqui o antecedente é "esperanças" (abstrato), então "onde" é inadequado — o correto seria "de que" (esperanças de que). Além disso, "tenho esperanças" pede a preposição "de" (esperanças de algo), não "onde".

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: dequeísmo (regência verbal). O verbo "almejar" é transitivo direto: "almejo que estas linhas sejam lidas"sem a preposição "de". A forma "almejo de que" repete o erro de regência da alternativa A. O verbo "almejar" não exige preposição, portanto "de que" é incorreto.

Conclusão: a banca testa a regência verbal — verbos como "esperar" e "almejar" são transitivos diretos (sem preposição), enquanto "ansiar" exige "por". A única alternativa que respeita a norma-padrão é a letra C, que usa corretamente "anseio por que".

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/vu183789