Quem escreve tem sua lista de temores associados à atividadeb. A ideia que teima em escapar, a frustrante busca pela palavra exata, a incerteza sobre a adequação do tom, a tela vazia, onde um cursor piscando lembra que a passagem do tempo é insensível a prazos editoriaisd. Mas o maior medo é não ser lido ou, pior, ser lido com indiferença.
Elogios não são apenas uma questão de gentileza. Eles podem fazer a diferença entre o êxito e o fracasso de um aspirante a profissional.aNão falo daquelas palavras protocolaresc, mas da expressão de uma avaliação genuína, que procura no detalhe o motivo para reconhecer o engenho e a arte de quem escreveu. Menciono escrita por ser algo com que, até por conta desta coluna, já estou hoje mais acostumada. Mas o estímulo é algo decisivo para pretendentes a qualquer atividade, sobretudo os jovens, muitos deles talentosos e inseguros.
Às vezes subestimamos o poder do estímulo. Costumamos refletir sobre o que fazer para mudar nossa vida, mas esquecemos de estimular quem está ao nosso redor. Uma ajuda concreta ou uma palavra certeira têm o poder de renovar energias, encorajar, dar a confiança necessária para que um amigo, um colega, um parente, persista em seu objetivo.
Encorajar é também fazer alguém encarar suas dificuldadese. Uma vez superado o obstáculo, não há limites para o crescimento pessoal. Apoiar alguém é uma forma de cultivar talentos, não de criá-los. Quando estendemos a mão não plantamos a semente da motivação, mas premiamos a força de vontade que há no outro. É uma via de mão dupla. Afinal, ao estimular alguém, construímos nosso próprio legado.
(Lucila Diniz. Veja, 03.02.2022. Adaptado)
Leia o texto, para responder à questão. A alternativa que, nos colchetes, reescreve a passagem do texto empregando o sinal indicativo de crase de acordo com a norma-padrão é:
A… fracasso de um aspirante a profissional [fracasso de quem aspira à assumir uma profissão]
B… temores associados à atividade [temores que se associam à alguma atividade]
D… insensível a prazos editoriais [sem sensibilidade à certos prazos editoriais]
E… fazer alguém encarar suas dificuldades [fazer alguém ficar cara à cara com suas dificuldades]
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GabaritoC — Não falo daquelas palavras protocolares… [Não me refiro àquelas palavras protocolares]
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Crase: quando a preposição encontra o pronome demonstrativo
Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que emprega corretamente o sinal indicativo de crase, pois o verbo "referir-se" exige a preposição a (quem se refere, refere-se a algo) e o termo seguinte, "aquelas", é um pronome demonstrativo feminino que admite o artigo a — resultando na fusão a + a = à. Como se lê no 2º parágrafo do texto: "Não falo daquelas palavras protocolares", que a alternativa reescreve como "Não me refiro àquelas palavras protocolares".
O comando da questão
O enunciado pede que você identifique a reescritura que emprega a crase de acordo com a norma-padrão. Isso significa que você deve analisar cada reescritura e verificar se o uso do acento grave é obrigatório, facultativo ou proibido naquele contexto específico. Não se trata de interpretação de texto, mas de aplicação da regra de crase em reescrituras de trechos do texto-base.
A regra que decide a questão
A crase é a fusão da preposição a com o artigo feminino a ou com o a inicial de pronomes demonstrativos (aquele, aquela, aquilo) e relativos (a qual, as quais). Para que haja crase, é necessário que o termo regente exija a preposição a e que o termo regido admita o artigo feminino a.
No caso da alternativa C, o verbo "referir-se" é transitivo indireto e exige a preposição a. O pronome demonstrativo "aquelas" é formado pelo a + quelas, e admite o artigo a (dizemos "as aquelas palavras"? Não, mas o pronome demonstrativo aquele/aquela/aquelas já contém o a inicial que se funde com a preposição). Assim, temos a + aquelas = àquelas, com crase obrigatória.
A pegadinha da banca
A banca adora misturar casos de crase obrigatória com casos de crase proibida. Nas alternativas A, B, D e E, a crase é proibida porque:
A) "à assumir" — antes de verbo (assumir), a crase é proibida.
B) "à alguma" — antes de pronome indefinido (alguma), a crase é proibida.
D) "à certos" — antes de palavra masculina (certos), a crase é proibida.
E) "cara à cara" — em locuções com palavras repetidas, a crase é proibida.
Análise das alternativas
Crase: fusão a + a
1Obrigatória
Antes de palavra feminina que admite artigo
Antes de pronome demonstrativo (aquele, aquela, aquilo)
Antes de pronome relativo (a qual, as quais)
2Proibida
Antes de verbo
Antes de pronome indefinido (alguma, certa)
Antes de palavra masculina
Em locuções com palavras repetidas (cara a cara)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A reescritura "fracasso de quem aspira à assumir uma profissão" está errada porque a crase é proibida antes de verbo. O verbo "assumir" não admite artigo feminino, e a preposição a exigida por "aspirar" (quem aspira, aspira a algo) não se funde com artigo, pois não há artigo antes de verbo. Portanto, o correto seria "aspira a assumir", sem crase.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A reescritura "temores que se associam à alguma atividade" está errada porque a crase é proibida antes de pronome indefinido. O pronome "alguma" não admite artigo feminino, e a preposição a exigida por "associar-se" (quem se associa, associa-se a algo) não se funde com artigo. O correto seria "a alguma atividade", sem crase.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A reescritura "Não me refiro àquelas palavras protocolares" está correta porque o verbo "referir-se" exige a preposição a (quem se refere, refere-se a algo) e o pronome demonstrativo "aquelas" admite a fusão com a preposição, resultando em àquelas. Como no texto original: "Não falo daquelas palavras protocolares", a reescritura mantém o sentido e aplica a crase corretamente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A reescritura "sem sensibilidade à certos prazos editoriais" está errada porque a crase é proibida antes de palavra masculina. O termo "certos" é um pronome indefinido masculino, e não admite artigo feminino. O correto seria "a certos prazos", sem crase.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A reescritura "fazer alguém ficar cara à cara com suas dificuldades" está errada porque a crase é proibida em locuções com palavras repetidas. A expressão "cara a cara" é uma locução adverbial formada por palavras repetidas, e a norma-padrão proíbe o acento grave nesse caso. O correto seria "cara a cara", sem crase.
Conclusão
A única alternativa que emprega a crase de acordo com a norma-padrão é a letra C. As demais cometem o erro de usar crase em contextos proibidos: antes de verbo (A), antes de pronome indefinido (B), antes de palavra masculina (D) e em locuções com palavras repetidas (E).
PEGA ESSA DICA!
Para resolver questões de crase em reescritura, verifique sempre se o termo seguinte admite o artigo feminino a. Se for verbo, pronome indefinido, palavra masculina ou locução com palavras repetidas, a crase é proibida. Se for pronome demonstrativo (aquele, aquela, aquilo) ou substantivo feminino que admite artigo, a crase pode ser obrigatória.