Questão de Português — Questões Variadas de Classe de Palavras — VUNESP 2023
Português›Questões Variadas de Classe de Palavras
Código
vu183822
Banca
VUNESP
Órgão
CM Bady Bassit
Ano
2023
Cargo
ALg ( )
Viajandões
Violência urbana nunca foi novidade. Aumentou, mas sempre existiu. Porém, até ela já teve dias mais românticos. Podemos quase sentir saudades de uma época em que os crimes eram protagonizados por uma turma que queria apenas enriquecer sem trabalhar, e para isso invadia sua casa, levava seu carro ou afanava sua bolsa, mas sempre tendo a delicadeza de avisar antes: “Mãos ao alto, isso é um assalto!”. Eles sabiam o que estavam fazendo. E uma vez com o objeto do desejo em mãos, iam embora apressados assim que ouviam as sirenes da polícia, não sem antes fazer uma mesura de despedida. Quase posso ver George Clooney no papel.
Hoje os meliantes chegam agressivamente comunicando “Perdeu! Perdeu!”, a polícia não aparece e ninguém sabe direito o que está fazendo: se antes éramos surpreendidos por um pessoal que, a seu modo, tentava evitar confusões desnecessárias, hoje nos atacam completamente chapados, alucinados e sem a menor condição de distinguir um assalto de um assassinato. Não se pode mais escolher entre a vida ou a bolsa: eles levam ambos.
A recomendação sempre foi a de não reagir. Eles têm uma arma, você não. Obedeça. Porém, até um tempo atrás, contávamos com um mínimo de discernimento a nosso favor. Quem nos assaltava sabia que estava cometendo um crime, sabia que deveria agir rápido e fazer o menor estrago possível, sem chamar atenção. Havia esperança de eles serem minimamente lúcidos e fazerem um serviço limpo.
Hoje, o cara que nos ataca pensa que é todo-poderoso. Tem delírio de todos os tipos. Se você ousar piscar os olhos, ele poderá interpretar como um sinal feito para o carro da frente. Se você estiver de camiseta verde, isso pode ser considerado uma provocação, já que a grama também é verde, você por acaso o está mandando pastar? Em sua infinita doideira, nós é que somos a ameaça.
(Martha Medeiros, Feliz por nada. Adaptado)
Leia o texto, para responder à questão. Os termos “até”, “quase” e “por”, destacados no primeiro parágrafo expressam, correta e respectivamente, as noções de
Adistância, qualificação e autoria.
Bdireção, quantidade e causa.
Cinclusão, aproximação e agente.
Dlimite, diferença e dependência.
Etempo, distância e objetivo.
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GabaritoC — inclusão, aproximação e agente.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Valor semântico de "até", "quase" e "por" no primeiro parágrafo
Gabarito: letra C. No primeiro parágrafo, "até" expressa inclusão ("até ela já teve dias mais românticos" = inclusive ela), "quase" expressa aproximação ("quase posso sentir saudades" = por pouco, aproximadamente) e "por" expressa agente ("crimes eram protagonizados por uma turma" = agente da passiva). A alternativa C é a única que capta esses três valores no contexto.
O comando da questão
A questão pede que você identifique a noção (o valor semântico) que cada termo destacado assume no contexto do primeiro parágrafo. Não se trata de decorar o sentido isolado da palavra, mas de observar como ela funciona na frase. Palavras como "até", "quase" e "por" são polissêmicas — têm vários sentidos possíveis — e o contexto é que decide qual deles se aplica. Por isso, a técnica é: leia o trecho em que a palavra aparece e pergunte: que relação ela estabelece entre as ideias?
O texto e a localização da resposta
O texto de Martha Medeiros compara a violência urbana de antigamente com a de hoje. No primeiro parágrafo, a autora diz que a violência "sempre existiu", mas que "até ela já teve dias mais românticos". O "até" aqui tem valor de inclusão: inclui a violência no grupo de coisas que já foram melhores. Em seguida, "Podemos quase sentir saudades" — o "quase" indica que a sensação de saudade é aproximada, não plena. Por fim, "crimes eram protagonizados por uma turma" — o "por" introduz o agente da ação verbal, ou seja, quem pratica o crime.
"Podemos quase sentir saudades de uma época em que os crimes eram protagonizados por uma turma que queria apenas enriquecer sem trabalhar"
Nesse trecho, "quase" modifica o verbo "sentir", indicando que a saudade é quase sentida, mas não totalmente; "por" liga o verbo "protagonizados" (particípio) ao agente "uma turma".
A técnica que decide
Para cada termo, teste a substituição por um sinônimo e veja se o sentido se mantém:
até → "inclusive": "inclusive ela já teve dias mais românticos" — mantém o sentido. Logo, inclusão.
quase → "por pouco", "aproximadamente": "por pouco podemos sentir saudades" — mantém. Logo, aproximação.
por → "por meio de", "através de"? Não. Aqui, "por" introduz quem pratica a ação: "protagonizados por uma turma". É o agente da passiva.
A pegadinha da banca está em oferecer valores que são possíveis em outros contextos (direção, causa, tempo), mas que não se aplicam a este trecho. O candidato que não volta ao texto escolhe um valor plausível, mas errado.
Valor semântico no contexto: "até" (Inclusão, Substituição: "inclusive"); "quase" (Aproximação, Substituição: "por pouco"); "por" (Agente da passiva, Quem pratica a ação)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Distância, qualificação e autoria. O "até" não indica distância espacial ou temporal aqui; "quase" não qualifica (não atribui qualidade a um substantivo, apenas aproxima uma quantidade ou intensidade); "por" não indica autoria no sentido de "criador", mas sim agente da passiva. A alternativa troca os valores semânticos por outros que não estão no contexto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Direção, quantidade e causa. "Até" pode indicar direção em "fui até a praia", mas aqui não há movimento; "quase" não expressa quantidade exata, e sim aproximação; "por" não indica causa (como em "morreu por amor"), mas agente. A alternativa confunde os valores possíveis com os efetivamente usados.
Alternativa C — ✅ Correta
Inclusão, aproximação e agente. Exatamente os valores que o contexto exige. "Até" inclui a violência no rol de coisas que já foram melhores; "quase" aproxima a sensação de saudade; "por" introduz o agente da passiva. A alternativa é a única que acerta os três.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Limite, diferença e dependência. "Até" pode indicar limite em "até aqui", mas não neste trecho; "quase" não expressa diferença; "por" não expressa dependência. A alternativa inventa valores que não têm apoio no texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Tempo, distância e objetivo. "Até" não indica tempo aqui (como em "até amanhã"); "quase" não indica distância; "por" não indica objetivo (como em "lutar por justiça"). A alternativa usa valores de outros contextos, sem ancoragem no primeiro parágrafo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a polissemia: cada termo tem vários sentidos possíveis, e o candidato que não volta ao texto escolhe um valor plausível, mas errado. O "até" de inclusão, o "quase" de aproximação e o "por" de agente só se confirmam no contexto do primeiro parágrafo.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar o valor semântico de uma palavra, substitua-a por um sinônimo e veja se o sentido se mantém. Se a troca alterar o sentido, o valor não é o correto.