Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Conjunção — VUNESP 2023

PortuguêsConjunção
Código
vu183824
Banca
VUNESP
Órgão
CM Bady Bassit
Ano
2023
Cargo
ALg ( )

Viajandões

 

Violência urbana nunca foi novidade. Aumentou, mas sempre existiu. Porém, até ela já teve dias mais românticos. Podemos quase sentir saudades de uma época em que os crimes eram protagonizados por uma turma que queria apenas enriquecer sem trabalhar, e para isso invadia sua casa, levava seu carro ou afanava sua bolsa, mas sempre tendo a delicadeza de avisar antes: “Mãos ao alto, isso é um assalto!”. Eles sabiam o que estavam fazendo. E uma vez com o objeto do desejo em mãos, iam embora apressados assim que ouviam as sirenes da polícia, não sem antes fazer uma mesura de despedida. Quase posso ver George Clooney no papel.

 

Hoje os meliantes chegam agressivamente comunicando “Perdeu! Perdeu!”, a polícia não aparece e ninguém sabe direito o que está fazendo: se antes éramos surpreendidos por um pessoal que, a seu modo, tentava evitar confusões desnecessárias, hoje nos atacam completamente chapados, alucinados e sem a menor condição de distinguir um assalto de um assassinato. Não se pode mais escolher entre a vida ou a bolsa: eles levam ambos.

 

A recomendação sempre foi a de não reagir. Eles têm uma arma, você não. Obedeça. Porém, até um tempo atrás, contávamos com um mínimo de discernimento a nosso favor. Quem nos assaltava sabia que estava cometendo um crime, sabia que deveria agir rápido e fazer o menor estrago possível, sem chamar atenção. Havia esperança de eles serem minimamente lúcidos e fazerem um serviço limpo.

 

Hoje, o cara que nos ataca pensa que é todo-poderoso. Tem delírio de todos os tipos. Se você ousar piscar os olhos, ele poderá interpretar como um sinal feito para o carro da frente. Se você estiver de camiseta verde, isso pode ser considerado uma provocação, já que a grama também é verde, você por acaso o está mandando pastar? Em sua infinita doideira, nós é que somos a ameaça.

 

(Martha Medeiros, Feliz por nada. Adaptado)

Leia o texto, para responder à questão.   Observe a pontuação empregada nas passagens:   Não se pode mais escolher entre a vida e a bolsa: eles levam ambas. / Eles têm uma arma, você não.   A alternativa que substitui os sinais de pontuação nelas empregados por construções que expressam sentido adequado ao original é:
  1. ANão se pode mais escolher entre a vida e a bolsa contanto que eles levem ambas. / Eles têm uma arma embora você não.
  2. BNão se pode mais escolher entre a vida e a bolsa ou eles levam ambas. / Eles têm uma arma porém você não.
  3. CNão se pode mais escolher entre a vida e a bolsa embora eles levem ambas. / Eles têm uma arma enquanto você não.
  4. DNão se pode mais escolher entre a vida e a bolsa porque eles levam ambas. / Eles têm uma arma mas você não.
  5. ENão se pode mais escolher entre a vida e a bolsa visto que eles levam ambas. / Eles têm uma arma pois você não.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Não se pode mais escolher entre a vida e a bolsa porque eles levam ambas. / Eles têm uma arma mas você não.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pontuação e conjunções: substituindo dois-pontos e vírgula sem perder o sentido

Gabarito: letra D. A alternativa D substitui os sinais de pontuação por conjunções que preservam exatamente o sentido original: os dois-pontos em "Não se pode mais escolher entre a vida e a bolsa: eles levam ambas" introduzem uma explicação/causa (por isso o porque é adequado), e a vírgula em "Eles têm uma arma, você não" marca uma oposição (por isso o mas é adequado). Como se lê no texto, a impossibilidade de escolher decorre do fato de os assaltantes levarem ambos — relação de causa; e a posse de arma contrasta com a ausência dela na vítima — relação de oposição.

O comando pede uma reescritura que mantenha o sentido original, trocando os sinais por conectivos. Isso exige identificar a relação lógica que cada sinal estabelece no contexto. Não basta escolher qualquer conjunção: é preciso que ela expresse a mesma ideia que a pontuação original.

No primeiro trecho, os dois-pontos têm valor explicativo: a segunda oração explica por que não se pode mais escolher. O texto afirma que os assaltantes "levam ambos" — vida e bolsa —, o que justifica a impossibilidade de escolha. Portanto, a relação é de causa/explicação. No segundo trecho, a vírgula separa duas orações com ideias contrárias: "Eles têm uma arma" (o assaltante está armado) e "você não" (a vítima está desarmada). Essa contraposição é típica da adversidade.

A técnica central é testar cada conjunção perguntando: ela mantém a relação de causa/explicação e de oposição? Conjunções como "contanto que" (condição), "ou" (alternância), "embora" (concessão), "enquanto" (tempo ou proporção), "visto que" (causa, mas inadequada no segundo caso) e "pois" (explicação, mas inadequada no segundo caso) alteram o sentido. A única que acerta as duas relações é a letra D.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a relação de causa por condição, alternância ou concessão, e a relação de oposição por concessão, tempo ou causa. A armadilha está em escolher conjunções que parecem equivalentes, mas mudam o sentido.

PEGA ESSA DICA!

Identifique primeiro a relação que a pontuação estabelece (explicação, oposição, condição etc.) e depois procure a conjunção que expressa exatamente essa relação. Desconfie de "embora" e "contanto que", que introduzem ideias diferentes.

Pontuação → conjunção
  • 1Dois-pontos (explicação/causa)
    • porque
    • contanto que (condição)
    • ou (alternância)
    • embora (concessão)
  • 2Vírgula (oposição)
    • mas
    • embora (concessão)
    • enquanto (tempo/proporção)
    • pois (explicação)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A conjunção "contanto que" expressa condição ("desde que"), mas o original não estabelece condição alguma: o fato de eles levarem ambas é a causa da impossibilidade de escolha, não uma condição para ela. Já "embora" expressa concessão (fato contrário, mas que não impede), enquanto o original marca oposição simples. A alternativa troca a relação de causa por condição e a de oposição por concessão — erro do tipo troca_conceito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A conjunção "ou" expressa alternância ou exclusão (uma coisa ou outra), mas o original não apresenta escolha entre as duas orações: a segunda explica a primeira. Já "porém" é uma conjunção adversativa correta para o segundo trecho, mas o erro na primeira parte já invalida a alternativa. A alternativa troca a relação de causa por alternância — erro do tipo troca_conceito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A conjunção "embora" expressa concessão (fato que se admite, mas que não impede), enquanto o original estabelece causa/explicação. Já "enquanto" pode expressar tempo ou proporção, mas não oposição — e o original marca contraposição entre ter arma e não ter. A alternativa troca a relação de causa por concessão e a de oposição por tempo/proporção — erro do tipo troca_conceito.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conjunção "porque" expressa causa/explicação, exatamente o valor dos dois-pontos: a segunda oração explica por que não se pode mais escolher. A conjunção "mas" expressa oposição/adversidade, exatamente o valor da vírgula: contrasta o fato de eles terem arma com o fato de você não ter. Ambas as relações são preservadas, e a reescritura mantém o sentido original. Correta — não há erro.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A conjunção "visto que" expressa causa, o que é adequado para o primeiro trecho. Porém, "pois" no segundo trecho, quando vem antes do verbo, tem valor explicativo ("porque"), não adversativo. O original marca oposição (ter arma × não ter), e "pois" não expressa essa ideia. A alternativa troca a relação de oposição por explicação — erro do tipo troca_conceito.

Conclusão: a questão testa a capacidade de reconhecer a relação lógica que a pontuação estabelece e de substituí-la por uma conjunção equivalente. A letra D é a única que mantém causa no primeiro caso e oposição no segundo. Lembre-se: a conjunção certa é a que preserva o sentido, não a que soa parecida.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/vu183824