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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — VUNESP 2023

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
vu183837
Banca
VUNESP
Órgão
CM Taubaté
Ano
2023
Cargo
CI ( )

Mídias sociais e o desafio de regulamentar sem ferir as

liberdades individuais

 

Nos últimos anos, houve um crescimento exponencial das mídias sociais por meio de aplicativos de conversação, postagens diversas e mensagens de texto. Tudo somado representa cerca de 10 bilhões de usuários no mundo, lembrando que um usuário pode estar em mais de um aplicativo. Com toda essa dimensão, o conteúdo dessas plataformas apresenta vários perfis de usuários, desde aqueles que sempre se submetem às regras do aplicativo até os que ignoram qualquer tipo de regra. A grande questão é como disciplinar o uso das plataformas, garantindo a todos o respeito ao princípio da liberdade de expressão e manifestação do pensamento, sem ferir outros princípios, como proteção da vida, da dignidade humana, da honra.

 

Por princípio, a liberdade de expressão é garantida, mas, como não é absoluta, encontra limites objetivos em condutas criminosas. Assim, quando se fala em regulamentar as mídias sociais, deve-se buscar um difícil equilíbrio. É preciso haver critérios objetivos sobre o que é vedado; não se pode permitir propagação do que é crime, como pedofilia, racismo, tráfico de drogas, enfim, tudo que se tipifica como conduta criminosa. Esta é a parte mais fácil, pois pode constar de forma objetiva numa regulamentação.

 

Mas, como lidar com mentiras, distorções dos fatos, fake news? É tarefa que não mostra facilidade objetiva e não pode ficar sujeita ao subjetivismo dos julgadores.

 

Como distinguir aquele que, de boa-fé, posta uma mentira daquele que posta a mentira com o objetivo de distorcer os fatos e provocar tumulto? A resposta mais próxima de uma solução parece ser esta: a avaliação pelo conjunto da obra de quem postou, monitorando o histórico de postagens.

 

Interessa que esse monitoramento se dê no âmbito privado, sem envolver o Estado. Ou seja, as plataformas devem se autorregulamentar e, ao receber uma denúncia ou capturar postagem inverídica, tomar as providências adequadas, que podem, no limite, sancionar o usuário com a suspensão ou o cancelamento do perfil.

 

E, caso nada se faça, devem tornar-se corresponsáveis pelo conteúdo, em todos os âmbitos. Atualmente, as plataformas não têm nenhuma responsabilidade e podem inclusive ignorar conteúdos inapropriados que muitas vezes geram maior engajamento e tráfego – o que gera maior lucro.

 

(Francisco Gomes Júnior.

Disponível em: https://gazetadopovo.com.br/opinião/artigos. Adaptado)

Leia o texto, para responder à questão.   No último parágrafo do texto, o emprego do travessão sinaliza a introdução de
  1. Aum esclarecimento que justifica os cuidados das plataformas para que não sejam publicadas fake news.
  2. Bum comentário pessoal, explicando o interesse dos usuários na veiculação de notícias de grande repercussão.
  3. Cuma conclusão crítica que sugere o interesse financeiro das plataformas em ignorar conteúdos não apropriados.
  4. Duma explicação detalhando o procedimento adotado pelas plataformas para proibir postagem de conteúdos que constituam crimes.
  5. Eo detalhamento do que seria corresponsabilidade das plataformas em caso de publicações inadequadas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — uma conclusão crítica que sugere o interesse financeiro das plataformas em ignorar conteúdos não apropriados.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Travessão: função de realce e conclusão crítica

Gabarito: letra C. No último parágrafo, o travessão introduz uma conclusão crítica que aponta o interesse financeiro das plataformas em ignorar conteúdos inadequados. A passagem que ancora essa leitura é:

"Atualmente, as plataformas não têm nenhuma responsabilidade e podem inclusive ignorar conteúdos inapropriados que muitas vezes geram maior engajamento e tráfego – o que gera maior lucro."

O trecho após o travessão — "o que gera maior lucro" — não é um mero detalhe: é a consequência avaliativa que o autor extrai do fato de as plataformas poderem ignorar conteúdos. O pronome "o que" retoma toda a ideia anterior (ignorar conteúdos inapropriados gera engajamento e tráfego) e a amarra a um juízo crítico: por trás da omissão das plataformas há um motivo financeiro. É isso que a alternativa C captura com precisão.

O comando da questão

O enunciado pergunta o que o travessão sinaliza — ou seja, qual a função discursiva desse sinal no trecho. Isso não é uma questão de gramática pura (decorar que "travessão isola termo intercalado"); é uma questão de interpretação do efeito de sentido que a pontuação produz. A banca quer que você perceba que o travessão, aqui, não apenas separa um termo acessório — ele destaca uma conclusão que carrega a opinião do autor.

A técnica que decide

O travessão tem dois usos clássicos: (1) isolar termos intercalados (aposto, oração explicativa, expressão intercalada) e (2) marcar mudança de interlocutor em diálogos. Mas há um terceiro uso, menos decorado e muito cobrado em provas: introduzir uma conclusão, um comentário ou uma ênfase que o autor quer destacar. Nesse caso, o travessão funciona como um realce — ele chama a atenção para o que vem depois, que muitas vezes é a avaliação crítica do autor sobre o que foi dito antes.

No trecho, o travessão aparece após "tráfego" e antes de "o que gera maior lucro". O que vem depois do travessão é uma oração que resume e avalia a ideia anterior: as plataformas ignoram conteúdos inapropriados porque isso gera engajamento e tráfego, e isso gera lucro. O autor não está apenas informando; está criticando a postura das plataformas, sugerindo que há um interesse financeiro por trás da omissão. É exatamente isso que a alternativa C diz: "uma conclusão crítica que sugere o interesse financeiro das plataformas em ignorar conteúdos não apropriados".

Análise das alternativas

Travessão
  • 1Usos clássicos
    • Isolar termo intercalado
    • Marcar mudança de interlocutor
  • 2Uso discursivo (cobrado)
    • Introduzir conclusão crítica
    • Realçar avaliação do autor
  • 3No trecho
    • Antes: ignorar conteúdos gera engajamento
    • Depois: "o que gera maior lucro"
    • Efeito: sugere interesse financeiro
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: restringe o alcance. A alternativa diz que o travessão introduz "um esclarecimento que justifica os cuidados das plataformas para que não sejam publicadas fake news". O texto não fala em "cuidados" nem em "justificar" nada; pelo contrário, o trecho após o travessão critica a falta de responsabilidade das plataformas, não justifica cuidados. Além disso, o foco não é "fake news" especificamente, mas "conteúdos inapropriados" em geral. A alternativa restringe o sentido ao falar de fake news e inverte a direção: o travessão não justifica cuidados, aponta a omissão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca o referente. A alternativa fala em "comentário pessoal, explicando o interesse dos usuários na veiculação de notícias de grande repercussão". O texto não menciona "interesse dos usuários" — o interesse é das plataformas (lucro). Além disso, "notícias de grande repercussão" não é o mesmo que "conteúdos inapropriados que geram engajamento". A alternativa troca o sujeito (usuários por plataformas) e tangencia o tema ao falar de repercussão, que não está no texto.

Alternativa C — ✅ Correta

Gabarito. Como vimos, o travessão introduz uma conclusão crítica: o autor afirma que as plataformas podem ignorar conteúdos inapropriados e, em seguida, acrescenta que isso "gera maior lucro". Essa é uma avaliação do autor, não um fato neutro — ele está criticando a postura das plataformas, sugerindo que o interesse financeiro está por trás da omissão. A alternativa C captura exatamente isso: "uma conclusão crítica que sugere o interesse financeiro das plataformas em ignorar conteúdos não apropriados".

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: foge ao escopo. A alternativa diz que o travessão introduz "uma explicação detalhando o procedimento adotado pelas plataformas para proibir postagem de conteúdos que constituam crimes". O texto não fala em "procedimento" nem em "proibir" — pelo contrário, diz que as plataformas podem ignorar conteúdos inapropriados. Além disso, o trecho após o travessão não detalha procedimento algum; é uma conclusão sobre lucro. A alternativa contradiz o texto ao falar em "proibir" quando o texto fala em "ignorar".

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca o referente. A alternativa diz que o travessão introduz "o detalhamento do que seria corresponsabilidade das plataformas em caso de publicações inadequadas". O texto fala em corresponsabilidade no parágrafo anterior ("devem tornar-se corresponsáveis pelo conteúdo"), mas o trecho após o travessão não detalha essa corresponsabilidade — ele fala do lucro gerado pelo engajamento. A alternativa confunde o referente: o travessão não retoma a corresponsabilidade, mas a ideia de ignorar conteúdos e gerar lucro.

Conclusão

A questão exige que você vá além da função sintática do travessão e perceba seu valor discursivo: ele destaca uma conclusão crítica do autor. A alternativa C é a única que captura esse sentido, pois fala em "conclusão crítica" e "interesse financeiro", exatamente o que o trecho "o que gera maior lucro" expressa. As demais alternativas ou restringem o alcance, ou trocam o referente, ou contradizem o texto.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar um travessão, pergunte-se: o que vem depois dele é um termo acessório (aposto, explicação) ou uma conclusão/avaliação? Se for uma avaliação, o travessão está funcionando como realce de uma opinião do autor — e a questão vai cobrar exatamente isso.

Gabarito: letra C.

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