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Questão de Português — Questões Mescladas de Sintaxe — VUNESP 2023

PortuguêsQuestões Mescladas de Sintaxe
Código
vu183855
Banca
VUNESP
Órgão
EPC
Ano
2023
Cargo
Rev Tex ( )

Quando falamos em transplante de órgãos, existem dois tipos de doadores: o doador vivo e o doador falecido. No segundo caso, é a família quem autoriza a doação. Mas como funciona o transplante com doador vivo? Esse tipo de doador pode doar um dos rins, parte do fígado, parte dos pulmões ou parte da medula óssea. Nesses casos, a legislação brasileira permite que cônjuges e parentes de até quarto grau sejam doadores. Para pessoas que não são parentes, a doação só é possível com autorização judicial.

 

A exceção é o transplante de medula óssea. Nesse caso, os doadores podem ser buscados no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), no qual pessoas podem se cadastrar voluntariamente para doar. Isso não significa que a pessoa irá doar a medula de fato. Os dados dela ficam registrados, e ela é acionada se houver um paciente compatível precisando do transplante.

 

Um ponto importante é que, idealmente, quem cuida do doador não deve cuidar do receptor. “Porque o médico que está muito envolvido com o receptor tem um grande conflito de interesse na doação”, explica Sandra Vieira, chefe do Programa de Transplante de Fígado Infantil do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. De acordo com a médica, a recomendação é que todos os doadores tenham acompanhamento de um profissional que é chamado de advocate (uma espécie de “defensor”), alguém que será responsável por esclarecer as dúvidas e dar suporte ao doador.

 

(Maiara Ribeiro. Como funciona o transplante de órgãos entre pessoas vivas. Portal Dráuzio Varella. 28 set. 2022. Adaptado)

Texto

   

A respeito dos elementos linguísticos do texto, é correto afirmar que

  1. Aem “Quando falamos em transplante de órgãos...”, no 1o parágrafo, a expressão destacada é complemento nominal.
  2. Bem “...a doação só é possível com autorização judicial”, no 1o parágrafo, a expressão destacada é adjunto adnominal.
  3. Cem “Os dados dela ficam registrados”, no 2o parágrafo, o vocábulo em destaque é adjunto adverbial de modo.
  4. Dem “ela é acionada se houver um paciente compatível...”, no 2o parágrafo, a expressão destacada é sujeito do verbo “houver”.
  5. Eem “...esclarecer as dúvidas e dar suporte ao doador”, no 3o parágrafo, a expressão em destaque é objeto direto do verbo “dar”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — em “Quando falamos em transplante de órgãos...”, no 1o parágrafo, a expressão destacada é complemento nominal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise sintática de termos destacados: complemento nominal, adjunto adnominal e outros

Gabarito: letra A. A única afirmação correta é a que classifica "de transplante de órgãos" como complemento nominal, pois o substantivo "transplante" é transitivo (quem transplanta, transplanta algo) e o termo preposicionado completa seu sentido, funcionando como paciente da ação. Como se lê no 1º parágrafo: "Quando falamos em transplante de órgãos". As demais alternativas erram ao classificar termos que, na verdade, exercem outra função sintática — a banca troca complemento nominal por adjunto adnominal, adjunto adverbial por adjunto adnominal, sujeito por objeto direto, e objeto direto por objeto indireto.

O comando

A questão pede que você analise a função sintática de termos destacados em trechos do texto. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: você precisa reconhecer, em cada trecho, qual é a função do termo sublinhado. Não é interpretação de sentido, é análise sintática — e a resposta se prova pela estrutura da oração, não pelo conteúdo.

O texto

O texto fala sobre transplante de órgãos entre pessoas vivas. No 1º parágrafo, explica os tipos de doador e as regras de doação. No 2º, trata da exceção da medula óssea e do cadastro no Redome. No 3º, aborda a recomendação de que o doador tenha um "advocate". Para a questão, o que importa é a estrutura sintática de cada trecho citado — não o sentido global.

A técnica que decide

Para classificar um termo, você precisa identificar:

  • Complemento nominal: completa o sentido de um substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio, sempre com preposição. Ex.: "transplante de órgãos" — o substantivo "transplante" pede complemento; "de órgãos" é o paciente (o que é transplantado).

  • Adjunto adnominal: caracteriza o substantivo, indicando posse, qualidade, origem etc., sem completar sentido. Ex.: "a doação judicial" — "judicial" é qualidade, não complemento.

  • Adjunto adverbial: indica circunstância (tempo, modo, lugar etc.). Ex.: "Os dados dela" — "dela" é posse, não modo.

  • Sujeito: termo sobre o qual se declara algo; concorda com o verbo. Ex.: "um paciente compatível" é sujeito de "houver" (verbo haver no sentido de existir).

  • Objeto direto: complemento verbal sem preposição. Ex.: "dar suporte" — "suporte" é objeto direto, mas a alternativa diz que é objeto direto do verbo "dar" — na verdade, "ao doador" é objeto indireto.

A pegadinha central está em confundir complemento nominal com adjunto adnominal. A diferença: o complemento nominal é paciente (recebe a ação), o adjunto adnominal é agente ou característica. Em "transplante de órgãos", os órgãos são o que é transplantado — paciente — logo, complemento nominal.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Quando falamos em transplante de órgãos..."

O termo "de órgãos" completa o sentido do substantivo transplante. Quem transplanta, transplanta algo — os órgãos são o paciente da ação. Por isso, é complemento nominal. A alternativa está correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"...a doação só é possível com autorização judicial"

A expressão destacada é "autorização judicial" — e "judicial" é adjunto adnominal (caracteriza "autorização"). Mas a alternativa diz que a expressão destacada é adjunto adnominal — e ela é, de fato, adjunto adnominal? Não: a expressão destacada é "autorização judicial" como um todo, e o núcleo é "autorização". O termo "judicial" é adjunto adnominal, mas a expressão inteira funciona como complemento nominal de "possível"? Não — "possível" é adjetivo, e "com autorização judicial" é adjunto adverbial de meio (indica o meio pelo qual a doação é possível). A alternativa erra ao classificar como adjunto adnominal — na verdade, é adjunto adverbial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Os dados dela ficam registrados"

O vocábulo "dela" é um pronome possessivo — indica posse (os dados dela = os dados da pessoa). Não é adjunto adverbial de modo. A alternativa erra ao classificá-lo como adjunto adverbial de modo. Na verdade, "dela" é adjunto adnominal (indica posse).

Alternativa D — ❌ Incorreta

"ela é acionada se houver um paciente compatível..."

A expressão "um paciente compatível" é o sujeito do verbo "houver" (no sentido de existir). O verbo haver, quando significa "existir", é impessoal e tem sujeito. A alternativa diz que é sujeito — e está correta? Não: a alternativa diz que é sujeito do verbo "houver" — e é exatamente isso. Mas a alternativa está marcada como incorreta? Vamos reler: a alternativa D diz "a expressão destacada é sujeito do verbo 'houver'". Isso é verdadeiro! Então por que está incorreta? Porque a banca considera que "um paciente compatível" é objeto direto do verbo haver? Não — o verbo haver no sentido de existir é impessoal e tem sujeito. A alternativa D está correta? Mas o gabarito é A. Vamos analisar com cuidado: na oração "se houver um paciente compatível", o verbo "houver" é impessoal (não tem sujeito) e "um paciente compatível" é objeto direto. Isso é uma pegadinha clássica: o verbo haver, quando significa "existir", é impessoal e o termo que o segue é objeto direto, não sujeito. Portanto, a alternativa D está incorreta — ela troca objeto direto por sujeito.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"...esclarecer as dúvidas e dar suporte ao doador"

A expressão destacada é "suporte ao doador". O verbo "dar" é transitivo direto e indireto: "dar algo a alguém". "Suporte" é objeto direto; "ao doador" é objeto indireto. A alternativa diz que a expressão é objeto direto do verbo "dar" — mas a expressão inteira "suporte ao doador" contém objeto direto e indireto. Se a expressão destacada for apenas "suporte", é objeto direto; se for "ao doador", é objeto indireto. A alternativa está incorreta porque classifica como objeto direto algo que, na verdade, é objeto indireto (ou mistura os dois).

Conclusão

A única alternativa inteiramente correta é a A. As demais erram ao classificar termos: B troca adjunto adverbial por adjunto adnominal, C troca adjunto adnominal por adjunto adverbial, D troca objeto direto por sujeito (pegadinha do verbo haver), e E troca objeto indireto por objeto direto. Dica: para não errar, identifique primeiro o núcleo do termo destacado e a transitividade do verbo ou substantivo — isso define a função.

Gabarito: letra A

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