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Questão de Português — Crase — VUNESP 2023

PortuguêsCrase
Código
vu183886
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Araçatuba
Ano
2023
Cargo
AEsc (Araçatuba)

A comadre Beth Carvalho

 

O jogador de futebol Alcir Portella deixou a quadra do Cacique de Ramos, achou um orelhão, que por sorte estava funcionando e ligou para Beth Carvalho: “Tudo bem, comadre? Queria que você desse um pulo aqui na rua Uranos para conhecer um negócio. Ninguém vai pedir para você cantar nada. Tem uma comida de que você vai gostar. Vamos jogar um buraco...”.

 

Alcir queria que Beth conferisse uma reunião informal, sempre às quartas-feiras, uma pelada entre amigos, uma galinhada com cerveja e depois uma roda de samba intimista, com o pessoal tocando banjo, tantã e repique de mão, cantando e improvisando versos debaixo de uma enorme tamarineira.

 

Ali nasceu, em meados dos anos 1970, o que mais tarde o mercado fonográfico batizaria de “pagode carioca”, tendo à frente o grupo Fundo de Quintal e os compositores e cantores Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Jorge Aragão, Almir Guineto, Luiz Carlos da Vila, Jovelina Pérola Negra. Mas era muito mais do que isso, verdadeira revolução no gênero.

 

O historiador e sambista Nei Lopes afirma: “O movimento que surgiu no Cacique de Ramos tem o mesmo peso da revolução da bossa nova. E vai além, porque inovou reverenciando a tradição, trazendo para os holofotes a arte e a inteligência do partido alto”.

 

Beth não saiu mais do Cacique, a ponto de Bira, o presidente do clube e do bloco de embalo, sugerir a construção na quadra de um banheiro feminino, que se chamaria Beth Carvalho. A cantora, educadamente, recusou a homenagem.

 

Mas levou aquela vitalidade sonora para seu disco de 1978, “De Pé no Chão”, cuja história acaba de ser contada em um livro recém-lançado do jornalista Leonardo Bruno.

 

(Alvaro Costa e Silva, A comadre Beth Carvalho. https://www.folha.uol.com.br, 09.12.2022. Adaptado)

O sinal indicativo da crase está empregado em conformidade com a norma-padrão em:
  1. AA história do pagode chega à todos no livro do jornalista Leonardo Bruno.
  2. BÀ partir de meados de 1970, formou-se o que se chamaria de pagode carioca.
  3. CBeth Carvalho opôs-se à construção de um banheiro que levasse o seu nome.
  4. DAlcir Portella era amigo de Beth Carvalho e se referia à ela como comadre.
  5. EBeth Carvalho levou a vitalidade sonora à suas músicas de “De Pé no Chão”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Beth Carvalho opôs-se à construção de um banheiro que levasse o seu nome.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: a fusão da preposição "a" com o artigo feminino

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única em que o acento grave é obrigatório e correto, pois o verbo opôs-se exige a preposição a (quem se opõe, opõe-se a algo) e o substantivo feminino construção admite o artigo a — fusão que gera a crase: opôs-se à construção. As demais alternativas erram por usar crase diante de pronome pessoal, palavra masculina, verbo ou pronome indefinido, casos em que a crase é proibida.

O comando: norma-padrão da crase

A questão pede que você identifique a única frase em que o acento grave está em conformidade com a norma-padrão. Isso significa que você deve aplicar as regras de crase — não interpretar o texto, mas julgar a correção gramatical de cada construção. O texto-base serve apenas como contexto; a decisão é puramente gramatical.

A técnica: o teste dos dois "as"

A crase é a fusão da preposição a com o artigo feminino a (ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos e relativos). Para saber se há crase, faça o teste: troque a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer ao, há crase; se aparecer apenas ao sem artigo, não há. Exemplo: opôs-se à construçãoopôs-se ao projeto (apareceu "ao", logo há crase).

Aplicando o teste em cada alternativa:

Alternativa

Teste com palavra masculina

Resultado

A) chega à todos

chega a todos (sem "ao")

❌ sem crase

B) À partir

a partir (verbo)

❌ sem crase

C) opôs-se à construção

opôs-se ao projeto

✅ com crase

D) referia à ela

referia a ela (pronome)

❌ sem crase

E) levou à suas músicas

levou a suas músicas (possessivo)

❌ sem crase

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

A crase é proibida antes de palavra masculina. "Todos" é pronome indefinido masculino, portanto não admite artigo feminino. O correto seria: chega a todos. A banca tenta confundir com a ideia de "chegar a algum lugar", mas aqui o complemento é masculino.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A crase é proibida antes de verbo. "A partir" é uma locução verbal (verbo partir no infinitivo), e não há artigo feminino. O correto é: A partir de meados de 1970. A banca explora a confusão com locuções adverbiais femininas como "à noite", mas "a partir" é verbo.

Alternativa C — ✅ Correta

A crase é obrigatória porque há a fusão da preposição a (exigida pelo verbo opôs-se) com o artigo feminino a (que precede o substantivo construção). O teste confirma: opôs-se ao projeto (masculino) → aparece "ao", logo há crase. Esta é a única alternativa em conformidade com a norma-padrão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A crase é proibida antes de pronome pessoal do caso reto (ela, ele, eu, tu). O correto é: se referia a ela. A banca tenta confundir com o uso de pronomes demonstrativos (àquele, àquela), que admitem crase, mas "ela" é pronome pessoal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A crase é facultativa antes de pronome possessivo feminino (minha, sua, nossa). No entanto, a alternativa usa "suas" sem crase, o que é aceitável, mas a crase também seria aceitável. O problema é que a banca pede a forma obrigatória e correta; aqui, a ausência de crase é correta, mas a presença seria facultativa. Como a questão pede "em conformidade com a norma-padrão", a forma sem crase é aceitável, mas não é a única correta — e a banca considera a alternativa incorreta porque a crase não é obrigatória. Na verdade, a alternativa E está correta sem crase, mas a banca a considera incorreta porque a crase seria facultativa e a frase poderia ser escrita de ambas as formas. No entanto, a norma-padrão aceita "levou a suas músicas" sem crase, então a alternativa E é gramaticalmente aceitável. Mas a banca a considera incorreta porque a crase é facultativa e a forma sem crase é correta, mas a questão pede a forma com crase obrigatória. Portanto, a alternativa E é incorreta porque a crase não é obrigatória, e a banca espera que você identifique a única em que a crase é obrigatória e correta.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de crase, sempre faça o teste da troca por palavra masculina. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "a", não há. Isso resolve a maioria dos casos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura casos de crase proibida (antes de masculino, verbo, pronome pessoal) com casos facultativos (antes de possessivo), tentando confundir o candidato. A única alternativa com crase obrigatória é a C.

Gabarito: letra C.

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