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Questão de Português — Questões Variadas de Classe de Palavras — VUNESP 2023

PortuguêsQuestões Variadas de Classe de Palavras
Código
vu183924
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Itapevi
Ano
2023
Cargo
Cont ( )

Jornalismo e objetividade

 

Qual o futuro do jornalismo? Leonard Downie Jr. e Andrew Heyward ensaiam uma resposta em “Beyond Objectivity”.

 

Os autores propõem que a busca pela objetividade deixe de ser uma meta declarada do jornalismo, já que ela claramente não pode ser alcançada. Concordo com o diagnóstico, mas não com a terapêutica. A ideia de que um repórter pudesse ser objetivo ao escrever uma história nunca foi filosoficamente consistente. Não há indivíduo que não tenha manias, preferências ideológicas e vieses. Sempre brinco que o jornalismo é a realização diária de uma impossibilidade teórica.

 

Reluto, porém, em abraçar a tese de que devamos renunciar à objetividade. Penso que tentar alcançá-la, mesmo sabendo que jamais chegaremos lá, nos força a uma disciplina que tende a melhorar a qualidade das reportagens.

 

O repórter que se preocupa em buscar o equilíbrio e considera perspectivas diferentes da sua provavelmente fará um trabalho melhor do que aquele que veste o chapéu do militante e já tem todas as conclusões prontas antes mesmo de começar.

 

O modelo de negócios tem muito a ver com isso. A ideia de objetividade no jornalismo americano foi favorecida pelo fato de que, até há pouco, publicações dependiam mais de anúncios do que da venda de exemplares. Como comerciantes, que são o grosso dos anunciantes, querem ficar bem com todos, os jornais escaparam um pouco das pressões de seu próprio público por algum tipo de alinhamento ideológico.

 

Isso mudou. As empresas agora dependem mais de seus clientes. É só ver que executivos da Fox News cogitaram de esconder dados de seu caprichoso público para não ferir sua suscetibilidade e, assim, não perder audiência.

 

(Hélio Schwartsman. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2023/03/

jornalismo-e-objetividade.shtml. 18.03.2023. Adaptado)

Considere as seguintes passagens:

 

\bullet Concordo com o diagnóstico, mas não com a terapêutica.

 

\bullet … executivos da Fox News cogitaram de esconder dados de seu caprichoso público para não ferir sua suscetibilidade...

 

Os termos destacados nas passagens estabelecem, nos respectivos contextos, relações com sentidos de

  1. Aexplicação e de causa.
  2. Boposição e de finalidade.
  3. Cadição e de comparação.
  4. Dconclusão e de condição.
  5. Econcessão e de consequência.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — oposição e de finalidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relações semânticas dos conectivos "mas" e "para"

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que identifica corretamente as relações estabelecidas pelos termos destacados: "mas" expressa oposição (adversidade) e "para" expressa finalidade (intenção). Como se lê no texto-base, no trecho "Concordo com o diagnóstico, mas não com a terapêutica", o "mas" contrapõe duas ideias — concordar com o diagnóstico e discordar da terapêutica; já em "...executivos da Fox News cogitaram de esconder dados de seu caprichoso público para não ferir sua suscetibilidade", o "para" introduz a finalidade da ação de esconder dados.

O comando pede que você identifique a relação de sentido que os termos destacados estabelecem nos respectivos contextos. Isso é uma questão de semântica dos conectivos: não basta saber a classe gramatical (conjunção, preposição), é preciso captar o valor semântico que cada um assume na frase. A banca VUNESP adora esse tipo de cobrança, pois testa se você lê o conectivo em função do contexto, e não de forma isolada.

No texto, o autor discute a objetividade no jornalismo. Ele concorda com o diagnóstico de que a objetividade é inalcançável, mas não concorda com a proposta de abandoná-la. Essa contraposição é marcada pelo "mas", que é uma conjunção adversativa — estabelece oposição entre duas orações. Já no segundo trecho, a ação de "esconder dados" tem um propósito claro: "não ferir a suscetibilidade" do público. O "para" é uma preposição que introduz uma oração subordinada adverbial final — indica a finalidade, o objetivo da ação.

A técnica para resolver: troque o conectivo por outro equivalente e veja se o sentido se mantém. "Mas" pode ser substituído por "porém", "contudo", "todavia" — todos adversativos. "Para" pode ser substituído por "a fim de" — finalidade. Se a troca preserva o sentido, você confirmou a relação. Essa é a prova prática que separa a resposta certa das armadilhas.

Conectivos e seus sentidos
  • 1"mas"
    • Oposição (adversidade)
    • Substituível por: porém, contudo, todavia
    • ⛔ Não confundir com concessão ("embora")
  • 2"para"
    • Finalidade (objetivo)
    • Substituível por: a fim de
    • ⛔ Não confundir com causa ("porque")
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A afirma que as relações são de explicação e causa. O "mas" não explica nada; ele opõe ideias. E o "para" não indica causa (motivo), mas finalidade (objetivo). A banca tenta confundir finalidade com causa, mas são relações distintas: causa responde a "por quê?" (motivo que gera o fato), finalidade responde a "para quê?" (intenção). No trecho, "para não ferir" é o objetivo, não a causa.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B é a correta. O "mas" em "Concordo com o diagnóstico, mas não com a terapêutica" estabelece oposição entre concordar e não concordar. O "para" em "...esconder dados... para não ferir sua suscetibilidade" estabelece finalidade — a ação de esconder tem o propósito de não ferir. Ambas as relações estão claras no contexto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C fala em adição e comparação. O "mas" não soma ideias; ele as contrapõe. E o "para" não compara nada; ele indica finalidade. A banca tenta atrair quem confunde "mas" com "e" (adição) e "para" com "como" (comparação), mas o contexto não autoriza nenhuma dessas leituras.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D fala em conclusão e condição. O "mas" não conclui; ele opõe. E o "para" não estabelece condição ("se... então"); ele indica finalidade. A banca tenta confundir com conectivos conclusivos ("portanto") e condicionais ("se"), mas nenhum deles aparece no trecho.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E fala em concessão e consequência. O "mas" é adversativo, não concessivo — a concessão seria marcada por "embora", "ainda que", e expressa uma ressalva, não uma oposição direta. E o "para" não indica consequência (efeito); indica finalidade. A banca tenta confundir oposição com concessão, mas são relações distintas: na concessão, há uma quebra de expectativa; na adversidade, há contraposição de ideias.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "mas" (oposição) e "embora" (concessão), e entre "para" (finalidade) e "porque" (causa). Fique atento: "mas" é adversativo; "embora" é concessivo. "Para" é final; "porque" é causal.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar a relação de um conectivo, substitua-o por um equivalente e veja se o sentido se mantém. "Mas" → "porém" (oposição); "para" → "a fim de" (finalidade). Se a troca funcionar, você acertou.

Gabarito: letra B — a única que reconhece, no contexto, a oposição do "mas" e a finalidade do "para".

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