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Questão de Português — Colocação Pronominal — VUNESP 2023

PortuguêsColocação Pronominal
Código
vu183929
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Itapevi
Ano
2023
Cargo
Cont ( )

Os jornais

 

Meu amigo lança fora, alegremente, o jornal que está lendo e diz:

 

– Chega! Houve um desastre de trem na França, um acidente de mina na Inglaterra, um surto de peste na Índia. Você acredita nisso que os jornais dizem? Será o mundo assim, uma bola confusa, onde acontecem unicamente desastres e desgraças? Não! Os jornais é que falsificam a imagem do mundo. Veja por exemplo aqui: em um subúrbio, um sapateiro matou a mulher que o traía. Eu não afirmo que isso seja mentira. Mas acontece que o jornal escolhe os fatos que noticia. O jornal quer fatos que sejam notícias, que tenham conteúdo jornalístico. Vejamos a história desse crime “Durante os três primeiros anos o casal viveu imensamente feliz…” Você sabia disso? O jornal nunca publica uma nota assim:

 

“Anteontem, cerca de 21 horas, na rua Arlinda, o sapateiro Augusto Ramos, de 28 anos, casado com a senhora Deolinda Brito Ramos, 23 anos de idade, aproveitou-se de um momento em que sua consorte erguia os braços para segurar uma lâmpada para abraçá-la alegremente, dando-lhe beijos na face, culminando em um beijo na orelha esquerda.

 

Em vista disso, a senhora em questão voltou-se para o seu marido, murmurando as seguintes palavras: ‘Meu amor’, ao que ele retorquiu: ‘Deolinda’.”

 

E meu amigo:

 

– Se um repórter redigir essas notas e levá-las a um secretário de redação, será chamado de louco. Porque os jornais noticiam tudo, tudo, menos uma coisa tão banal de que ninguém se lembra: a vida…

 

(Rubem Braga. A borboleta Amarela. 10a ed. – Rio de Janeiro: Record, 1998. Excerto adaptado)

Considere o seguinte trecho redigido com base no texto:

 

            do momento em que sua esposa erguia os braços para segurar uma lâmpada, o Sr. Arlindo            na face, atitude essa que ainda             o privilégio de ouvir a mulher murmurar as seguintes palavras: “Meu amor”, ao que ele retorquiu: “Deolinda”.

 

Em conformidade com a norma-padrão da língua, as lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:

  1. AAproveitando-se … lhe beijou … rendeu-o
  2. BSe aproveitando … a beijou … rendeu-lhe
  3. CSe aproveitando … beijou-a … lhe rendeu
  4. DAproveitando-se … beijou-lhe … o rendeu
  5. EAproveitando-se … beijou-a … lhe rendeu
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Aproveitando-se … beijou-a … lhe rendeu

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação Pronominal e Regência: a posição e a função do pronome

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que respeita, ao mesmo tempo, a regência dos verbos (transitivo direto exige o/a; transitivo indireto exige lhe) e a colocação pronominal (com gerúndio precedido de preposição, usa-se próclise; com infinitivo, a ênclise é facultativa). No trecho, o verbo beijar é transitivo direto — exige beijou-a — e o verbo render é transitivo indireto — exige lhe rendeu. As demais alternativas trocam esses pronomes ou erram a posição.

O comando: o que a banca pede

A questão não pede interpretação do texto de Rubem Braga; pede reescritura com correção gramatical. O enunciado apresenta um trecho adaptado com três lacunas e exige que você preencha cada uma com a forma adequada segundo a norma-padrão. Isso significa que você deve analisar, para cada lacuna:

  1. A regência do verbo — se o verbo é transitivo direto (pede objeto direto, sem preposição) ou transitivo indireto (pede objeto indireto, com preposição).

  2. A colocação do pronome — se deve ficar antes (próclise), depois (ênclise) ou no meio (mesóclise) do verbo, conforme as regras de atração.

O texto: o que importa para a questão

O texto-base narra a cena do sapateiro que abraça a esposa. O trecho reescrito na questão mantém o sentido: “do momento em que sua esposa erguia os braços para segurar uma lâmpada, o Sr. Arlindo __ na face, atitude essa que ainda __ o privilégio de ouvir a mulher murmurar as seguintes palavras: ‘Meu amor’, ao que ele retorquiu: ‘Deolinda’.”

Observe que o sujeito é o Sr. Arlindo (o sapateiro). Ele beija a esposa (verbo beijar — quem beija, beija alguém → objeto direto) e rende a ela o privilégio (verbo render no sentido de “proporcionar” — quem rende, rende algo a alguém → objeto indireto). Essas relações sintáticas são a chave para escolher entre o/a e lhe.

A técnica: regência e colocação em três passos

1ª lacuna — “Aproveitando-se” ou “Se aproveitando”?

O verbo aproveitar no sentido de “valer-se de” é pronominal: aproveitar-se. A forma correta é Aproveitando-se, com o pronome enclítico (depois do verbo). Por quê? Porque o verbo está no gerúndio e, embora haja uma preposição de antes (“do momento”), a regra geral é: com gerúndio, se não houver palavra atrativa, usa-se ênclise. A forma Se aproveitando é considerada inadequada na norma-padrão — o pronome não pode iniciar o gerúndio sem atrativo. Portanto, eliminamos as alternativas B e C.

2ª lacuna — “beijou-a” ou “beijou-lhe”?

O verbo beijar é transitivo direto: beija-se alguém. O pronome adequado para objeto direto é o/a (aqui, a, referindo-se à esposa). A forma beijou-lhe está errada, pois lhe é objeto indireto. Assim, eliminamos as alternativas A e D.

3ª lacuna — “rendeu-o” ou “lhe rendeu”?

O verbo render no sentido de “proporcionar, dar” é transitivo direto e indireto: rende-se algo a alguém. No trecho, o objeto direto é “o privilégio” e o objeto indireto é “a ela” (a esposa). Portanto, o pronome deve ser lhe (objeto indireto). A forma rendeu-o está errada, pois o é objeto direto. Além disso, a colocação: com verbo no pretérito perfeito, sem palavra atrativa, usa-se ênclise — mas aqui a banca optou pela próclise lhe rendeu, que é aceitável? Não: a próclise só é obrigatória com palavras atrativas. No entanto, a alternativa E traz lhe rendeu, e a banca a considera correta. Por quê? Porque, embora a ênclise fosse a mais comum, a próclise com lhe antes do verbo no pretérito perfeito, sem atrativo, é facultativa em alguns usos? Não — na norma-padrão, sem atrativo, a ênclise é a regra. Mas a banca VUNESP, em questões de preenchimento de lacunas, costuma aceitar a próclise quando o pronome é lhe e o verbo está no pretérito perfeito, desde que não haja palavra atrativa? Vamos verificar: a alternativa E é a única que acerta as duas primeiras lacunas e usa lhe na terceira. A alternativa D usa o rendeu, que está errado pela regência. Portanto, a E é a melhor, mesmo que a colocação lhe rendeu seja discutível — mas a banca a considera correta, pois a próclise com lhe antes de verbo no pretérito perfeito, embora não obrigatória, é admitida em registros formais? Na verdade, a gramática tradicional exige ênclise: rendeu-lhe. No entanto, a banca pode ter considerado que a próclise é aceitável porque há uma oração subordinada anterior? Não há. Mas a alternativa E é a única que não erra a regência, e a banca a deu como gabarito. Portanto, devemos aceitar que, nesse contexto, a próclise lhe rendeu é tolerada pela banca, talvez por influência da língua falada culta. O importante é que as outras alternativas têm erros claros de regência ou de colocação.

Análise das alternativas

Colocação pronominal
  • 1Gerúndio
    • Sem atrativo → ênclise
      • Aproveitando-se
      • Se aproveitando
  • 2Pretérito perfeito
    • Sem atrativo → ênclise
      • beijou-a
      • a beijou
  • 3Regência
    • Transitivo direto → o/a
      • beijou-a
      • beijou-lhe
    • Transitivo indireto → lhe
      • lhe rendeu
      • o rendeu
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Aproveitando-se … lhe beijou … rendeu-o

Erro de regência: beijou-lhe — o verbo beijar é transitivo direto, exige a, não lhe. Além disso, rendeu-o — o verbo render no sentido de “proporcionar” exige objeto indireto, logo lhe. A alternativa erra nas duas últimas lacunas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Se aproveitando … a beijou … rendeu-lhe

Erro de colocação: Se aproveitando — com gerúndio, sem palavra atrativa, o pronome deve ser enclítico: Aproveitando-se. A forma Se aproveitando é considerada inadequada na norma-padrão. Além disso, a beijou — com verbo no pretérito perfeito, sem atrativo, o pronome deve ser enclítico: beijou-a. A próclise aqui não é aceitável.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Se aproveitando … beijou-a … lhe rendeu

Erro de colocação na primeira lacuna: Se aproveitando — o mesmo problema da B. As demais estão corretas, mas a primeira invalida a alternativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Aproveitando-se … beijou-lhe … o rendeu

Erro de regência nas duas últimas lacunas: beijou-lhe (deveria ser beijou-a) e o rendeu (deveria ser lhe rendeu). A primeira está correta, mas as outras não.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Aproveitando-se … beijou-a … lhe rendeu

  • Aproveitando-se: ênclise correta no gerúndio.

  • beijou-a: objeto direto com pronome a — correto.

  • lhe rendeu: objeto indireto com lhe — correto. A colocação lhe rendeu (próclise) é aceita pela banca, embora a ênclise rendeu-lhe também fosse possível; o importante é que a regência está certa.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de preenchimento de lacunas, identifique primeiro a regência de cada verbo (direto ou indireto) e depois a colocação do pronome. Se o verbo pede objeto direto, use o/a; se pede indireto, use lhe. Isso elimina a maioria das alternativas.

Gabarito: letra E

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