Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — VUNESP 2023
Português›Concordância (Verbal e Nominal)
Código
vu183930
Banca
VUNESP
Órgão
CM SBO
Ano
2023
Cargo
Ag Adm ( )
Leia a tira.
(André Dahmer. Chamam de internet. www.geekfail.net. 04.03.2015)
Assinale a alternativa em que se interpreta corretamente a tira e que está de acordo com a norma-padrão de concordância da língua portuguesa.
AAs pessoas não podem ser consideradas réus, pois nunca houve leis na internet.
BPor estarem na internet, as pessoas julgam poderem fazerem o que bem entendem.
CInternautas acreditam que a internet os isentam de culpa e que estão livres para julgar.
DO julgamento emitido na internet é prática corriqueira, mas não se assumem culpas.
EA existência de um lugar com juízes e sem réus desconcertam até os que já foram julgados.
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GabaritoD — O julgamento emitido na internet é prática corriqueira, mas não se assumem culpas.
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Concordância verbal e nominal na interpretação da tira
Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que interpreta corretamente a tira e respeita a norma-padrão de concordância. A tira de André Dahmer critica a postura de quem julga os outros na internet sem assumir as próprias culpas — exatamente o que a letra D expressa: "O julgamento emitido na internet é prática corriqueira, mas não se assumem culpas". A concordância está correta porque o sujeito de "assumem" é "culpas" (plural), e o pronome "se" funciona como partícula apassivadora, exigindo a concordância com o sujeito paciente.
O comando da questão
O enunciado pede duas coisas simultaneamente: (1) que a alternativa interprete corretamente a tira e (2) que esteja de acordo com a norma-padrão de concordância. Isso significa que a alternativa correta precisa acertar tanto no conteúdo (o que a tira quer dizer) quanto na forma (a gramática). Uma alternativa que interprete bem mas erre a concordância, ou que acerte a concordância mas interprete mal, está errada. É uma questão de dupla checagem: primeiro o sentido, depois a gramática.
O que a tira diz
A tira mostra um tribunal da internet: há juízes (as pessoas que julgam), mas não há réus (ninguém assume o papel de acusado). A crítica é clara: todos querem julgar, ninguém quer ser julgado. As pessoas se sentem no direito de emitir veredictos sobre os outros, mas não se reconhecem como passíveis de julgamento. A letra D capta exatamente essa ideia: o julgamento é corriqueiro, mas ninguém assume a culpa.
A técnica de concordância que decide
Na letra D, a oração "não se assumem culpas" é um caso de voz passiva sintética (ou pronominal). O pronome "se" é partícula apassivadora, e o verbo concorda com o sujeito paciente. Para identificar o sujeito, pergunte: "o que não se assume?" Resposta: "culpas". Como "culpas" está no plural, o verbo "assumem" também deve estar no plural. Se o sujeito fosse singular, o verbo ficaria no singular: "não se assume a culpa". Essa é a regra: na passiva sintética, o verbo concorda com o sujeito (que é o termo que sofre a ação).
Análise das alternativas
Voz passiva sintética
1Estrutura
Verbo + se + sujeito paciente
2Concordância
Verbo concorda com o sujeito
"Não se assumem culpas" (plural)
"Não se assume a culpa" (singular)
3Como identificar
Perguntar "o quê?" ao verbo
Resposta = sujeito
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro de interpretação e de concordância. A tira não diz que "nunca houve leis na internet"; ela critica a postura de quem julga sem se submeter ao julgamento. Além disso, "réus" é um adjetivo que deveria concordar com "pessoas" (feminino plural): o correto seria "ré" ou "réus"? Na verdade, "réu" é um substantivo de dois gêneros, mas no feminino seria "ré". A frase "As pessoas não podem ser consideradas réus" está errada: o correto é "consideradas ré" (ou "consideradas culpadas"). A alternativa extrapola o conteúdo da tira e ainda erra a concordância nominal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro de concordância verbal. A frase "julgam poderem fazerem o que bem entendem" tem um erro clássico: após o verbo "julgam", o infinitivo "poder" deve ficar no singular (infinitivo impessoal), e o verbo "fazer" também deve ficar no infinitivo impessoal: "julgam poder fazer". O correto seria "julgam poder fazer o que bem entendem". Além disso, a interpretação é parcial: a tira não diz que as pessoas "julgam poder fazer" qualquer coisa, mas que julgam os outros sem assumir culpas. A alternativa troca o foco da crítica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro de concordância verbal. A frase "a internet os isentam de culpa" está errada: o sujeito é "a internet" (singular), então o verbo deve ficar no singular: "a internet os isenta". O pronome "os" é objeto direto, e o verbo concorda com o sujeito, não com o objeto. A interpretação também é parcial: a tira não diz que a internet isenta ninguém, mas que as pessoas se sentem no direito de julgar. A alternativa confunde o sujeito da oração.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Interpretação correta e concordância correta. A tira mostra que o julgamento na internet é comum ("prática corriqueira"), mas ninguém assume as culpas ("não se assumem culpas"). A concordância está perfeita: "culpas" é o sujeito da passiva sintética, e o verbo "assumem" concorda no plural. A alternativa é uma paráfrase fiel da crítica da tira.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro de concordância verbal. A frase "A existência de um lugar com juízes e sem réus desconcertam" está errada: o sujeito é "A existência" (singular), então o verbo deve ficar no singular: "desconcerta". O núcleo do sujeito é "existência", não "juízes" ou "réus". A interpretação também é estranha: a tira não fala de "um lugar com juízes e sem réus" que desconcerta alguém; ela critica a postura de quem julga sem ser julgado. A alternativa erra a concordância e tangencia o sentido.
Conclusão
A questão exige dupla checagem: interpretar a tira e verificar a concordância. A letra D é a única que acerta as duas coisas. Para questões assim, lembre-se: na voz passiva sintética, o verbo concorda com o sujeito paciente; e o núcleo do sujeito é o termo que decide a concordância verbal.
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar concordância, sublinhe o verbo e pergunte "quem?" ou "o quê?" para achar o sujeito. Se o sujeito for singular, o verbo fica no singular; se plural, no plural. Cuidado com sujeitos compostos e com a passiva sintética.