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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — VUNESP 2023

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
vu183932
Banca
VUNESP
Órgão
CM SBO
Ano
2023
Cargo
Ag Adm ( )

O carro do Beto tinha duas portas. A do passageiro não abria, então, a rota de entrada para todos era pelo lado do motorista. O banco do motorista não levantava para quem ia sentar atrás. Acomodar três pessoas exigia uma certa ginástica. Não era o veículo ideal para uma fuga de emergência, mas era o que tínhamos e, mais que isso, era o que garantia nossa liberdade e nossas infinitas possibilidades. Com ele, São Paulo era pequena para nós.

 

Eu tinha 16 anos, o Beto e a Solange um pouco mais do que eu. Eu acabara de voltar de um ano de intercâmbio em uma cidade no interior dos Estados Unidos e estava achando tudo muito moderno naquela São Paulo dos anos 80. O que levei comigo e trouxe de volta foi a trilha sonora: a discografia completa da Rita Lee. O programa daquele fim de semana seria uma homenagem a ela.

 

Pela lista telefônica, tinha descoberto o endereço do pai dela e decidi deixar uma frase pichada no muro da casa dele na Vila Mariana. Beto e Solange toparam na hora.

 

Tudo aconteceria de madrugada. Eles ficariam dentro do carro com o motor ligado. Eu desceria com o spray, escreveria a frase na parede, me jogaria pela janela carro adentro, o Beto acelerava e a gente se mandava. Os medos eram muitos. E foi com o coração aos pulos de terror e emoção que escrevi no muro branco: “Rita, pra você, a agilidade do gato e o brilho da estrela”. Minha mensagem adolescente de amor por Rita Lee estava registrada para toda a cidade ver.

 

Trinta e sete anos depois, fui com uns amigos ver uma exposição sobre a Rita Lee. Logo na entrada do museu, uma parede pintada de azul trazia a estampa da minha frase, letra por letra (acrescentaram as letras esses no “das estrelas”). Foi como se um raio tivesse me atingido na cabeça. A sensação me pareceu ter sido a mesma de quando escrevi no muro naquela madrugada: pernas bambas, coração acelerado, mãos tremendo. A minha frase na parede do museu!

 

Uma das monitoras da exposição quis saber o que acontecia. Eu contei a história. Ela se espantou, já que a exposição não trazia nenhuma explicação sobre a origem daquela frase. Não me importava: ela era minha e estava lá.

 

Deparei-me outras vezes com o meu grafite. O dia do museu, porém, foi o mais emocionante. Não era só uma menção, era uma reprodução.

 

(Ana Ribeiro. Frase que pichei para Rita Lee reapareceu 37 anos depois em exposição. www1.folha.uol.com.br, 19.02.2022. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.     No trecho “Não me importava: ela era minha e estava lá” (6o parágrafo), os dois-pontos foram empregados para introduzir, em relação à informação que os antecede,
  1. Auma síntese.
  2. Buma explicação.
  3. Cuma ressalva.
  4. Duma correção.
  5. Euma citação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — uma explicação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso dos dois-pontos: a função de explicar no trecho

Gabarito: letra B. No trecho “Não me importava: ela era minha e estava lá”, os dois-pontos introduzem uma explicação — o que vem depois do sinal esclarece o motivo da afirmação anterior. A passagem que prova isso é a própria estrutura do período: a oração “ela era minha e estava lá” responde ao “porquê” de o narrador não se importar com a falta de explicação na exposição.

“Não me importava: ela era minha e estava lá”

Aqui, o trecho após os dois-pontos justifica a declaração “Não me importava”. O narrador não se importava porque a frase era dele e estava exposta. Essa relação de causa/justificativa é o traço típico da função explicativa dos dois-pontos, que anunciam um esclarecimento do que foi dito antes.

O comando da questão

A questão pede que você identifique a função discursiva dos dois-pontos no trecho específico. Não se trata de decorar regras isoladas, mas de ler o efeito de sentido que o sinal produz naquele contexto. A pergunta é: que relação o trecho após os dois-pontos estabelece com o trecho anterior? A resposta está na semântica da frase, não na gramática pura.

A técnica que decide

Os dois-pontos têm três usos clássicos: introduzir enumeração, introduzir citação e introduzir explicação/esclarecimento. Para decidir entre eles, pergunte: o que vem depois do sinal faz o quê em relação ao que veio antes?

  • Se lista itens → enumeração.

  • Se transcreve fala/texto alheio → citação.

  • Se esclarece, justifica ou detalha o que foi dito → explicação.

No trecho, “ela era minha e estava lá” não lista nada, não cita ninguém — explica por que o narrador não se importava. É a mesma estrutura de “Ela só queria isto: ser aprovada no concurso”, em que o trecho após os dois-pontos esclarece o conteúdo da afirmação anterior.

1Funções clássicas
Enumeração (lista itens)
Citação (transcreve fala)
Explicação (esclarece/justifica)
2Como decidir
Lista itens → enumeração
Transcreve fala → citação
Esclarece/justifica → explicação
3Teste prático
Substituir por "porque" ou "isto é"
Faz sentido → explicação
Dois-pontos
LEVELsoulevel.com.br
Dois-pontos: Funções clássicas (Enumeração (lista itens), Citação (transcreve fala), Explicação (esclarece/justifica)); Como decidir (Lista itens → enumeração, Transcreve fala → citação, Esclarece/justifica → explicação); Teste prático (Substituir por "porque" ou "isto é", Faz sentido → explicação)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Síntese seria uma condensação do que foi dito, um resumo. Aqui, o trecho após os dois-pontos não resume nada; ele acrescenta uma justificativa nova. A síntese viria, por exemplo, se o trecho dissesse “Não me importava: era indiferente a isso” — aí sim estaria resumindo a ideia anterior. Não é o caso.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O trecho “ela era minha e estava lá” explica o motivo da declaração “Não me importava”. A relação é de causa/justificativa: o narrador não se importava porque a frase era dele e estava exposta. Essa é a função clássica de explicação dos dois-pontos, que anunciam um esclarecimento do que foi dito antes.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Ressalva é uma restrição ou advertência ao que foi dito, geralmente introduzida por “mas”, “porém”, “contudo”. No trecho, não há nenhuma ideia de oposição ou limitação. O trecho após os dois-pontos reforça a afirmação anterior, não a restringe. Uma ressalva seria: “Não me importava, embora ficasse um pouco decepcionado” — não é o caso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Correção implicaria retificar algo dito antes, como em “Vou amanhã, ou melhor, depois”. No trecho, não há erro a corrigir; o que vem depois dos dois-pontos confirma e justifica o que foi dito, não o altera. A correção mudaria o sentido da afirmação anterior, o que não acontece aqui.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Citação é a transcrição literal de fala ou texto de outra pessoa, geralmente com aspas. No trecho, não há aspas nem indicação de discurso alheio; o que vem depois dos dois-pontos é a fala do próprio narrador, explicando seu sentimento. A citação seria: “Ele disse: ‘não me importo’” — não é o caso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre explicação e enumeração/citação, usos comuns dos dois-pontos. A chave é perguntar: o trecho após o sinal lista, transcreve ou esclarece? Aqui, ele esclarece.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar a função de um sinal de pontuação, substitua mentalmente o trecho após os dois-pontos por “porque” ou “isto é”. Se fizer sentido, é explicação. Se listar itens, é enumeração. Se transcrever fala, é citação.

Gabarito: letra B — os dois-pontos introduzem uma explicação, pois o trecho seguinte justifica a afirmação anterior.

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