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Questão de Português — Colocação Pronominal — VUNESP 2023

PortuguêsColocação Pronominal
Código
vu183934
Banca
VUNESP
Órgão
CM SBO
Ano
2023
Cargo
Ag Adm ( )

O carro do Beto tinha duas portas. A do passageiro não abria, então, a rota de entrada para todos era pelo lado do motorista. O banco do motorista não levantava para quem ia sentar atrás. Acomodar três pessoas exigia uma certa ginástica. Não era o veículo ideal para uma fuga de emergência, mas era o que tínhamos e, mais que isso, era o que garantia nossa liberdade e nossas infinitas possibilidades. Com ele, São Paulo era pequena para nós.

 

Eu tinha 16 anos, o Beto e a Solange um pouco mais do que eu. Eu acabara de voltar de um ano de intercâmbio em uma cidade no interior dos Estados Unidos e estava achando tudo muito moderno naquela São Paulo dos anos 80. O que levei comigo e trouxe de volta foi a trilha sonora: a discografia completa da Rita Lee. O programa daquele fim de semana seria uma homenagem a ela.

 

Pela lista telefônica, tinha descoberto o endereço do pai dela e decidi deixar uma frase pichada no muro da casa dele na Vila Mariana. Beto e Solange toparam na hora.

 

Tudo aconteceria de madrugada. Eles ficariam dentro do carro com o motor ligado. Eu desceria com o spray, escreveria a frase na parede, me jogaria pela janela carro adentro, o Beto acelerava e a gente se mandava. Os medos eram muitos. E foi com o coração aos pulos de terror e emoção que escrevi no muro branco: “Rita, pra você, a agilidade do gato e o brilho da estrela”. Minha mensagem adolescente de amor por Rita Lee estava registrada para toda a cidade ver.

 

Trinta e sete anos depois, fui com uns amigos ver uma exposição sobre a Rita Lee. Logo na entrada do museu, uma parede pintada de azul trazia a estampa da minha frase, letra por letra (acrescentaram as letras esses no “das estrelas”). Foi como se um raio tivesse me atingido na cabeça. A sensação me pareceu ter sido a mesma de quando escrevi no muro naquela madrugada: pernas bambas, coração acelerado, mãos tremendo. A minha frase na parede do museu!

 

Uma das monitoras da exposição quis saber o que acontecia. Eu contei a história. Ela se espantou, já que a exposição não trazia nenhuma explicação sobre a origem daquela frase. Não me importava: ela era minha e estava lá.

 

Deparei-me outras vezes com o meu grafite. O dia do museu, porém, foi o mais emocionante. Não era só uma menção, era uma reprodução.

 

(Ana Ribeiro. Frase que pichei para Rita Lee reapareceu 37 anos depois em exposição. www1.folha.uol.com.br, 19.02.2022. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.     Assinale a alternativa em que o vocábulo destacado teve sua posição alterada em relação ao trecho original, mantendo-se a correção da norma-padrão de colocação pronominal da língua portuguesa:
  1. A… escreveria a frase na parede, jogaria-me pela janela carro adentro…
  2. BFoi como se um raio tivesse atingido-me na cabeça.
  3. CA sensação pareceu-me ter sido a mesma de quando escrevi…
  4. DNão importava-me: ela era minha e estava lá.
  5. EMe deparei outras vezes com o meu grafite.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — A sensação pareceu-me ter sido a mesma de quando escrevi…

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação Pronominal: a posição do pronome oblíquo átono

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única em que o pronome oblíquo átono "me" teve sua posição alterada em relação ao trecho original, mantendo-se a correção da norma-padrão. No texto, lê-se: "A sensação me pareceu ter sido a mesma de quando escrevi no muro naquela madrugada" (5º parágrafo). A reescrita "A sensação pareceu-me ter sido a mesma" desloca o pronome de próclise para ênclise, o que é facultativo quando não há palavra atrativa — e aqui não há nenhuma. As demais alternativas ou mantêm a posição original (A, B, D) ou cometem erro de colocação (E).

O comando: o que a banca pede

A questão pede que você identifique a alternativa em que o pronome destacado teve sua posição alterada em relação ao trecho original, mantendo-se a correção da norma-padrão. Ou seja: você precisa (1) localizar no texto a frase original com o pronome, (2) comparar com a reescrita da alternativa e (3) verificar se a nova posição é gramaticalmente aceitável. Não basta a frase estar correta — ela precisa ser uma reescritura válida do trecho original, com o pronome em outra posição.

O texto: onde mora a resposta

O texto narra a história de um grafite feito para Rita Lee. No 5º parágrafo, o autor descreve a emoção ao reencontrar a frase no museu: "A sensação me pareceu ter sido a mesma de quando escrevi no muro naquela madrugada". É exatamente esse trecho que a alternativa C reescreve. As outras alternativas ou não correspondem a nenhum trecho do texto (A, B, D) ou reescrevem um trecho com erro de colocação (E).

A técnica: colocação pronominal na prática

A colocação pronominal trata da posição dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, lhes) em relação ao verbo. Há três posições possíveis:

  • Próclise: pronome antes do verbo (ex.: "me pareceu").

  • Mesóclise: pronome no meio do verbo (ex.: "parecer-me-ia").

  • Ênclise: pronome depois do verbo (ex.: "pareceu-me").

A regra de ouro: a próclise é obrigatória quando há palavra atrativa antes do verbo (palavras negativas, advérbios, pronomes relativos, indefinidos, interrogativos, conjunções subordinativas). Quando não há palavra atrativa, a colocação é facultativa — pode-se usar próclise ou ênclise. É exatamente o caso do trecho original: "A sensação me pareceu" (próclise) pode virar "A sensação pareceu-me" (ênclise) sem erro, pois não há palavra atrativa antes do verbo.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de colocação pronominal, primeiro identifique se há palavra atrativa antes do verbo. Se houver, a próclise é obrigatória; se não houver, a posição é livre (próclise ou ênclise).

Análise das alternativas

Alternativa

Posição no original

Posição na reescrita

Palavra atrativa?

Correção

A

"me jogaria" (próclise)

"jogaria-me" (ênclise)

Não

❌ (futuro do pretérito exige mesóclise: "jogar-me-ia")

B

"tivesse me atingido" (próclise)

"tivesse atingido-me" (ênclise)

Sim ("se")

❌ (próclise obrigatória)

C

"me pareceu" (próclise)

"pareceu-me" (ênclise)

Não

✅ (facultativo)

D

"Não me importava" (próclise)

"Não importava-me" (ênclise)

Sim ("não")

❌ (próclise obrigatória)

E

"Deparei-me" (ênclise)

"Me deparei" (próclise)

Não

❌ (próclise proibida em início de oração)

1Próclise (antes do verbo)
Palavra atrativa obriga
Sem atrativa: facultativa
2Ênclise (depois do verbo)
Proibida com futuro do pretérito
Proibida em início de oração
3Mesóclise (meio do verbo)
Futuro do presente
Futuro do pretérito
Colocação pronominal
LEVELsoulevel.com.br
Colocação pronominal: Próclise (antes do verbo) (Palavra atrativa obriga, Sem atrativa: facultativa); Ênclise (depois do verbo) (Proibida com futuro do pretérito, Proibida em início de oração); Mesóclise (meio do verbo) (Futuro do presente, Futuro do pretérito)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A reescrita "jogaria-me pela janela" altera a posição do pronome, mas comete erro de colocação. No texto original, lê-se: "me jogaria pela janela carro adentro" (4º parágrafo). O verbo "jogaria" está no futuro do pretérito, e a forma correta com ênclise seria "jogar-me-ia" (mesóclise), não "jogaria-me". A ênclise com verbo no futuro do pretérito é proibida pela norma-padrão — exige-se mesóclise. Portanto, a alternativa A não mantém a correção da norma-padrão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A reescrita "tivesse atingido-me" altera a posição do pronome, mas comete erro de colocação. No texto original, lê-se: "Foi como se um raio tivesse me atingido na cabeça" (5º parágrafo). A palavra "se" (conjunção subordinativa) é uma palavra atrativa que obriga a próclise. Portanto, a forma correta é "tivesse me atingido" (próclise), não "tivesse atingido-me" (ênclise). A alternativa B não mantém a correção da norma-padrão.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A reescrita "pareceu-me" altera a posição do pronome de forma correta. No texto original, lê-se: "A sensação me pareceu ter sido a mesma" (5º parágrafo). Não há palavra atrativa antes do verbo "pareceu", então a colocação é facultativa: tanto "me pareceu" (próclise) quanto "pareceu-me" (ênclise) são aceitáveis. A alternativa C mantém a correção da norma-padrão e altera a posição do pronome, atendendo exatamente ao que o enunciado pede.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A reescrita "Não importava-me" altera a posição do pronome, mas comete erro de colocação. No texto original, lê-se: "Não me importava: ela era minha e estava lá" (6º parágrafo). A palavra "não" (partícula negativa) é uma palavra atrativa que obriga a próclise. Portanto, a forma correta é "não me importava" (próclise), não "não importava-me" (ênclise). A alternativa D não mantém a correção da norma-padrão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A reescrita "Me deparei" altera a posição do pronome, mas comete erro de colocação. No texto original, lê-se: "Deparei-me outras vezes com o meu grafite" (7º parágrafo). A forma original usa ênclise ("Deparei-me"), que é correta no início de oração. A reescrita "Me deparei" usa próclise, mas inicia a oração com pronome oblíquo átono, o que é proibido pela norma-padrão. A alternativa E não mantém a correção da norma-padrão.

Conclusão

A questão testa a habilidade de identificar reescrituras válidas com alteração de posição do pronome. A alternativa C é a única que atende aos dois requisitos: altera a posição (de próclise para ênclise) e mantém a correção (pois não há palavra atrativa). As demais ou mantêm a posição original (A, B, D) ou cometem erro de colocação (E).

Gabarito: letra C

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