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Questão de Português — Crase — VUNESP 2023

PortuguêsCrase
Código
vu183940
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Itapevi
Ano
2023
Cargo
Ag ( )

Fazia mais de um ano que Marcelino, o Nenê, não via seu pai quando desembarcou de um ônibus em São Paulo.

 

Vinha de Carneiros, cidadezinha no sertão de Alagoas, junto com a mãe e os dois irmãos.

 

Ao mesmo tempo em que matava as saudades do pai, prestava atenção a tudo que passava no caminho: prédio, escadaria, arranha-céu, carro. Nos primeiros dias na cidade nova, sentava-se na calçada da frente de casa para ver o movimento.

 

Se, lá na cidade antiga, todo mundo se conhecia, na nova tinha muita, muita gente. E não eram só as pessoas que eram novas – foi em São Paulo que Nenê comeu pizza e hambúrguer pela primeira vez, e foi onde ele conheceu o morango.

 

Nem tudo foi legal nesse começo. De tanto ter seu sotaque nordestino ridicularizado na escola, Nenê trancou a boca e por três anos só falou o essencial. Começou a achar cruel a mudança de cultura e foi tentando excluir memórias antigas para trocá-las por coisas novas, para ver se era incluído nas turmas.

 

Essa história já tem quase 15 anos. Depois de trabalhar como entregador de água, ajudante em lava-rápidos, mecânicas, restaurantes e hortifrutis, Nenê hoje é artista.

 

Em um perfil com 190 mil seguidores numa rede social, ele mostra o resultado de um projeto que vem fazendo há cerca de um ano: o Quebradinha, em que Nenê faz miniaturas de casas, comércios e outras construções típicas de favelas.

 

“O Quebradinha surge com a intenção de eternizar as memórias. Pego as coisas de que eu me lembro lá da rua em que eu vivia correndo e em que brincava com meus amigos”, resume.

 

Nenê calcula que já tenha criado quase 15 casinhas. Para construí-las, ele só usa material reciclável. As caixinhas d’água, por exemplo, são tampinhas de desodorante pintadas. As telhas vêm do papelão, os tijolos são de massa de modelar, o cimento é papel machê. O lixinho nos sacos é lixinho mesmo, com madeira, palito, besteiras.

 

(Marcella Franco. Quebradinha faz sucesso no Instagram com miniaturas de

construções da periferia. www1.folha.uol.com.br, 27.01.2023. Adaptado)

Assinale a alternativa em que o acento indicativo de crase está empregado conforme a norma-padrão da língua portuguesa.
  1. AO projeto criado por um artista mostra às suas memórias de infância.
  2. BO projeto do artista simboliza materialmente às memórias de onde habitou.
  3. CO projeto idealizado pelo artista refere-se às memórias que lhe restaram.
  4. DO projeto conduzido pelo artista retrata às suas memórias da rua.
  5. EO projeto revela às memórias que o artista tem de sua meninice.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — O projeto idealizado pelo artista refere-se às memórias que lhe restaram.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: regência verbal e o acento grave

Gabarito: letra C. A única alternativa em que o acento indicativo de crase está empregado conforme a norma-padrão é "refere-se às memórias", porque o verbo referir-se é transitivo indireto e exige a preposição a, que se funde com o artigo as de "memórias": referir-se a + as memórias = referir-se às memórias. Nas demais, o verbo é transitivo direto (não pede preposição) e o "a" é apenas artigo, sem crase.

O comando

A questão pede que você identifique o emprego correto do acento indicativo de crase. Isso não é uma questão de interpretação de texto, mas de gramática normativa aplicada: você precisa analisar a regência do verbo de cada frase e verificar se há a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a(s)". A crase só ocorre quando há dois "as": o primeiro é preposição (exigida pelo verbo ou nome) e o segundo é artigo (que acompanha o substantivo feminino).

A técnica que decide

A regra prática é: troque a palavra feminina por uma masculina. Se na troca aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "o", não há. Veja:

  • "refere-se às memórias" → "refere-se aos projetos" (apareceu "ao", logo há crase).

  • "mostra as memórias" → "mostra os projetos" (apareceu "os", logo não há crase).

Essa troca revela se o verbo exige preposição. Referir-se exige (quem se refere, refere-se a algo). Mostrar, simbolizar, retratar e revelar são transitivos diretos — não pedem preposição —, então o "a" que os acompanha é apenas artigo, sem crase.

Análise das alternativas

Crase
  • 1Ocorre quando
    • Verbo/nome exige preposição "a"
    • Palavra feminina admite artigo "a(s)"
  • 2Teste da troca
    • Troca por palavra masculina
      • Aparece "ao" → [+] há crase
      • Aparece "o" → [-] não há crase
  • 3Verbos que NÃO pedem preposição
    • Mostrar
    • Simbolizar
    • Retratar
    • Revelar
  • 4Verbo que pede preposição
    • Referir-se
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"O projeto criado por um artista mostra às suas memórias de infância."

O verbo mostrar é transitivo direto: quem mostra, mostra algo (e não "a algo"). Portanto, não há preposição "a" exigida pelo verbo. O "a" que aparece é apenas o artigo feminino plural "as", que acompanha "memórias". Sem a preposição, não há fusão, logo não há crase. O correto seria "mostra as suas memórias". Erro: crase indevida (uso de "às" onde só caberia o artigo "as").

Alternativa B — ❌ Incorreta

"O projeto do artista simboliza materialmente às memórias de onde habitou."

O verbo simbolizar é transitivo direto: quem simboliza, simboliza algo (e não "a algo"). Não há preposição "a" exigida pelo verbo. O "a" é apenas artigo feminino plural "as", que acompanha "memórias". Sem a preposição, não há fusão, logo não há crase. O correto seria "simboliza as memórias". Erro: crase indevida (uso de "às" onde só caberia o artigo "as").

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"O projeto idealizado pelo artista refere-se às memórias que lhe restaram."

O verbo referir-se é transitivo indireto: quem se refere, refere-se a algo. A preposição "a" é exigida pelo verbo. O substantivo "memórias" é feminino plural e admite o artigo "as". Há, portanto, a fusão da preposição "a" com o artigo "as": referir-se a + as memórias = referir-se às memórias. A crase é obrigatória. Correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"O projeto conduzido pelo artista retrata às suas memórias da rua."

O verbo retratar é transitivo direto: quem retrata, retrata algo (e não "a algo"). Não há preposição "a" exigida pelo verbo. O "a" é apenas artigo feminino plural "as", que acompanha "memórias". Sem a preposição, não há fusão, logo não há crase. O correto seria "retrata as suas memórias". Erro: crase indevida (uso de "às" onde só caberia o artigo "as").

Alternativa E — ❌ Incorreta

"O projeto revela às memórias que o artista tem de sua meninice."

O verbo revelar é transitivo direto: quem revela, revela algo (e não "a algo"). Não há preposição "a" exigida pelo verbo. O "a" é apenas artigo feminino plural "as", que acompanha "memórias". Sem a preposição, não há fusão, logo não há crase. O correto seria "revela as memórias". Erro: crase indevida (uso de "às" onde só caberia o artigo "as").

Conclusão

A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a(s)" ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos. Para saber se há crase, verifique se o verbo (ou nome) exige a preposição "a" e se a palavra seguinte é feminina e admite artigo. A troca por palavra masculina é o teste mais seguro: se aparecer "ao", há crase; se aparecer "o", não há. Gabarito: letra C.

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